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Outubro/Dezembro
2004

Gente
Sonhos olímpicos
Iris Vlachoutsikou, SGI-Grécia

Tornei-me budista em 1976, em Atenas, quando tinha oito anos, assim como minha mãe e minha irmã. Durante toda a vida, estive envolvida com esportes. Em 1978, aos 11 anos, comecei a praticar esgrima e participei da equipe nacional da Grécia por dez anos.

Também estudei Educação Física na Grécia e, nos Estados Unidos, fiz mestrado em Administração e Marketing de Esportes. Em 1996, entrei para o Comitê Organizador do Campeonato Mundial de Atletismo do ano seguinte, em Atenas; e, em 1999, ingressei no Comitê Organizador de Atenas de 2004. Desde o início, administrei todos os projetos de treinamento de atletas antes e durante as Olimpíadas.


Quando iniciei, éramos 57 pessoas no comitê organizador em 1999, mas no final dos jogos já somávamos 10.500. Ao mesmo tempo, nossa organização da SGI também se expandia e, após 30 anos, em 3 de julho de 2003, estabelecemos oficialmente a SGI-Grécia. Senti o quanto crescíamos juntos, ultrapassando os obstáculos.

:: A importância da união

Tive a boa sorte de trabalhar no Comitê Organizador de Sidney 2000, o que me ajudou a planejar os locais de treinamento para as Olimpíadas de Atenas 2004. Porém, uma coisa me surpreendeu: havia muitos problemas com a falta de união. E resolvi que, com minha prática budista, de alguma forma, criaria a união necessária para garantir o sucesso dos jogos.

Por muitas vezes, me senti desencorajada, mas, com o budismo, sempre encontrava alguma maneira de manter-me positiva e seguir em frente. Desejava que cada um percebesse que as Olimpíadas seriam maravilhosas para toda a Grécia e para o mundo inteiro. Comecei a focar meu time com o espírito de Nitiren Daishonin: podemos alcançar qualquer objetivo quando estamos unidos — “muitos corpos numa só mente”.

As condições de treinamento pouco antes das Olimpíadas são importantíssimas para os atletas, eles passam muito mais tempo nos locais de treino do que nos das competições. Determinei, por isso, que organizaria e planejaria as melhores áreas de treinamento.

No verão de 2003, atuei como administradora do Complexo Olímpico de Dekelia, que incluía 10 locais de treino para 15 esportes, além de estacionamento para 375 ônibus, 80 vans e 100 carros, para atletas e autoridades. Além de ser responsável por uma equipe de 2.400 pessoas e treino de 4 mil atletas.

Um dos maiores desafios foi enfrentar os noticiários negativos da mídia que diziam: “os gregos não conseguirão”, “típico trabalho grego”. Foi desencorajador. Tínhamos uma escolha: acreditar em nós mesmos. Naqueles momentos, orava para cada um dos participantes. Então, fomos orientados pelo nosso chefe a ouvir o que a mídia dizia, fazer auto- análise e melhorar o que fosse necessário, sem sermos influenciados de forma negativa. Essas palavras me deram uma grande coragem.

Estava determinada a não ser derrotada. Era óbvio, em nossa vila olímpica, que nossa equipe era especial. Trabalhávamos unidos, com paixão e determinação. Havia mais candidatos querendo entrar para nossa equipe que em outras.

:: Sucesso

Continuei a orar por boa saúde e para que não houvesse acidentes. De fato, não tivemos nenhum acidente e nenhuma queixa dos atletas. Mas, o maior presente para mim, minha equipe e os voluntários era o sorriso dos atletas chegando aos treinos.

Tive a honra de correr com a tocha olímpica em Esparta, na Grécia. Em gratidão, eu a ofereci à SGIGrécia para ser posteriormente entregue ao presidente Ikeda no Japão, pois para mim a tocha é um símbolo da paz mundial.

Estou orgulhosa do grande sucesso dos Jogos Olímpicos de Atenas, orgulhosa do grande esforço que empreendemos, juntos, para fazer dessas as Olimpíadas dos sonhos. Nossas Olimpíadas dos sonhos!



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