Destaque Universidade Soka da América e o desafio da EDS Jay Heffron e Alain Vizier
Cultivar cidadãos globais engajados na “coexistência criativa da natureza e humanidade” é um princípio fundamental na Universidade Soka da América (SUA) e um dos lemas do fundador da universidade, Daisaku Ikeda, elaborado, a princípio, por Tsunessaburo Makiguti, pai da pedagogia Soka, em sua obra Geografia da Vida Humana (1903). A geografia enfatiza a análise da sincronicidade e espaço, da coexistência na Terra.
Como Makiguti freqüentemente comentava, os fenômenos culturais e o meio ambiente não estão separados, mas intrinsecamente ligados. Nós devemos, escreveu ele, “respeitar as pessoas, os animais, as árvores, os rios, as rochas ou as pedras da mesma forma que nos respeitamos e perceber que temos muito em comum com todos eles”. Makiguti acreditava que os segredos do macrocosmo permaneciam escondidos no microcosmo da nossa “comunidade cultural nativa, em nossa terra natal”. Nada é tão universal que não possa ser descoberto nas particularidades de nossa própria experiência individual, em nossa própria comunidade.
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Vivendo em comunidade
Makiguti sentia que uma questão e suas respostas deveriam tornar-se parte essencial do currículo escolar: como podemos, juntos, viver, aqui e agora, na Terra? Por trás de sua aparente simplicidade, a questão não se refere apenas a assuntos sobre o meio ambiente, mas também à formação muito complexa dos territórios sociais. Seguindo o caminho de Makiguti, o primeiro curso realizado pelos principiantes é “Módulo 1: questões permanentes da humanidade”. Nessa unidade, discutem-se as questões centrais que as culturas orientais e ocidentais têm desenvolvido sobre o que torna uma vida significativa e bem-sucedida, como: o que significa viver uma vida virtuosa? Como nos percebemos nos outros? Como deveriam ser nossas relações com a comunidade e com as várias formas de governo? Qual é o valor da vida? Qual é a natureza do mal? Como interagimos com a natureza?
Assim, os estudantes exploram as dificuldades e nuances das realizações interculturais e uma consciência mais ampla do papel como cidadãos do mundo. Seus objetivos tornam-se equivalentes aos da agenda das Nações Unidas.
Essas e outras preocupações relacionadas também são foco de mais um seminário obrigatório dos segundanistas, o “Módulo 2: questões permanentes no contexto contemporâneo”. O cerne das discussões é integrar questões culturais e ambientais— a perda do senso de comunidade com a Terra e seus habitantes, a simultânea fragmentação e homogeneização das culturas globais, o retrocesso para a auto-sobrevivência e interesses de nações ou indivíduos. Estudantes e professores discutem juntos textos básicos e documentos, como a Declaração Internacional dos Direitos Humanos, a Agenda 21,
a Carta da Terra e “Uma nova resolução de paz para o Pacífico” assinada em 2000 pelos líderes das ilhas do Pacífico, que clamam por um “Modo Pacífico” de harmonia, justiça e tolerância.
:: Experiência direta
Palestras e seminários são complementados com aulas de pesquisa em campo, são os Grupos de Aprendizado, nas quais os estudantes exploram um problema ou questão por meio do engajamento direto e da experiência na comunidade próxima, tanto a social quanto a natural. O objetivo desses grupos é permitir a plena realização do potencial humano que, segundo Makiguti, não pode ser alcançado somente com livros; deve também vir da comunicação direta e ativa com o ambiente da pessoa.
De acordo com um recente estudo das Nações Unidas, a educação para o desenvolvimento sustentável somente pode ser mesmo compreendida por uma reavaliação crítica das formas históricas e práticas da educação: “Tradicionalmente, a educação foi criada para transmitir conhecimento, habilidades e valores. A nova visão redireciona em termos de como preparar pessoas para a vida.” Certamente, o esforço para entender a vida em toda a sua complexidade, enquanto se busca paz duradoura, tem sido um componente essencial do currículo escolar da Universidade Soka da América desde sua inauguração, em agosto de 2001.
Jay Heffron é professor de História e Alain Vizier é
professor-associado visitante de Filosofia e Literatura
na Universidade Soka da América, em Aliso Viejo.
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