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Outubro/Dezembro
2004

Destaque
Conceituando EDS
Michael Scoullos

Embora o conceito de educação para o desenvolvimento sustentável (EDS) tenha sido apresentado na Conferência Rio’92, a aceitação e o uso do termo atingiram amplitude em 2002, após a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em Johannesburgo.

Essa conferência criou uma oportunidade única para ajustar posições e promover nossas idéias sobre educação ambiental e a educação para o ambiente e sustentabilidade, depois da Conferência Internacional Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade, realizada em Thessaloniki, em 1997.

Vou explicar aqui, de maneira visual, como chegamos ao conceito da educação para o desenvolvimento sustentável e seus objetivos.

:: Da educação ambiental à EDS

A conceituação iniciou-se na Conferência sobre Desenvolvimento Humano, realizada pelas Nações Unidas em Estocolmo, em 1972, e, durante todo o processo de estabelecimento das bases da educação ambiental, muitos dos pontos críticos de hoje já eram reconhecidos como “causas profundas” dos problemas ambientais. Entretanto, o contexto político era diferente, e nosso entendimento dos temas ambientais e de suas conexões sociais, culturais, éticas e econômicas era muito menos desenvolvido que agora.

Com o tempo, reconheceu-se como necessário um tipo de educação que pudesse contribuir de forma substancial para o desenvolvimento sustentável. O reconhecido modelo de desenvolvimento sustentável baseia-se em três pilares: ambiente- ecologia, economia e sociedade.

Será então a educação ambiental algo que nos leve ao desenvolvimento sustentável?

Um ponto de vista sugere que a educação ambiental serve apenas como um pilar do ambiente e que, portanto, seria necessário considerar componentes educacionais similares para os outros dois pilares, a economia e a sociedade. Outro ponto de vista defende que, desde o seu início, a educação ambiental incluía os aspectos econômicos e sociais, reconhecendo as complexas relações entre o desenvolvimento sócio- econômico e a melhoria do ambiente.

A partir da Conferência de Thessaloniki, quando os três pilares continuavam independentes e separados, reconheceu-se que a educação ambiental continha muito mais elementos sócio-econômicos. E então foi renomeada “educação para o ambiente e a sustentabilidade” (na sigla em inglês, EfES, Education for Environment and Sustainability).

Entretanto, a figura 1 ainda não continha a interdependência e as inter-relações entre os três pilares do desenvolvimento sustentável. Por isso foi proposta uma representação em forma de pirâmide (figura 2).

É obvio que, com a educação apenas, não somos capazes de transformar em desenvolvimento sustentável os atuais padrões de desenvolvimento. Em Thessaloniki, em 1997, tentamos resolver essa questão propondo a educação como um dos
componentes da governança global necessários para proporcionar sustentabilidade — instituições, tecnologia e educação apropriadas. Posteriormente chegamos ao modelo de dupla pirâmide para o desenvolvimento sustentável (figura 3).

A parte superior representa os três componentes inter-relacionados do desenvolvimento sustentável (economia, ambiente e sociedade), enquanto a parte inferior representa os pré-requisitos e ferramentas para a sua implementação (instituições, educação e tecnologia).
O Marco de Referência da Unesco para o esboço do Programa de Aplicação Internacional da DEDS enfatiza de forma correta a importância da cultura, proposta como o quarto pilar do desenvolvimento sustentável, embora não seja idéia aceita universalmente.

A posição das faces da pirâmide é aleatória e, portanto, todas as interligações são possíveis, reais e importantes. Esse sistema deve realçar nosso conhecimento, habilidade e aptidões para, entendendo-os, agirmos de acordo com tais traços, para o benefício não somente da nossa geração, mas também das gerações futuras.

A educação para o desenvolvimento sustentável é um conceito dinâmico que será construído com as iniciativas existentes e que apoiará de forma equilibrada o ambiente, a economia produtiva e a sociedade saudável. A DEDS oferece uma boa oportunidade para esforços conjuntos e sérios.


Michael J.Scoullos é professor na Universidade de Atenas e diretor do Laboratório de Química Ambiental.Também é presidente do Escritório Mediterrâneo de Informação para o Ambiente, Cultura e Desenvolvimento Sustentável (Mio- Ecsde). Em 1997, presidiu a Conferência Internacional sobre o Ambiente e Sociedade em Thessaloniki, na Grécia.
mio-ee-env@ath.forth.net.gr


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