Aprendizado da sustentabilidade” é um novo termo que o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) usa ao descrever o aprendizado permanente que desenvolve o conhecimento, habilidades, valores e as atitudes que capacitam indivíduos e comunidades a buscarem justiça social, segurança econômica, equilíbrio ambiental e a democracia como objetivos complementares.
Desde 1981, apoiamos educadores na Grã-Bretanha na então precursora educação ambiental e, mais recentemente, na educação para o desenvolvimento sustentável.
:: Os pioneiros
Os pioneiros desse novo ensino — a quem os especialistas chamam de “adotadores iniciais” — abraçaram novas maneiras de ensinar e aprender que influenciam todos os aspectos da vida escolar. Para eles, os valores aprendidos por meio do aprendizado da sustentabilidade são superiores à antiga maneira de ensinar. E o custo da mudança não se mostrou significativo, já que a dedicação desses entusiastas os levou a ultrapassar barreiras intransponíveis aos olhos de outras pessoas.
No topo da lista de obstáculos, estão o tempo e o patrocínio, assim como recursos inadequados em sala de aula, acesso limitado ao suporte técnico da educação para o desenvolvimento sustentável (EDS), políticas escolares restritivas, ausência de oportunidades de desenvolvimento profissional ligadas à EDS, indiferença da comunidade escolar e diretores de escola não-cooperativos.
De modo geral, as pessoas e instituições
só mudarão quando compreenderem os benefícios potenciais de uma nova abordagem e quando tais benefícios excederem os da abordagem antiga, justificando assim os custos associados à mudança.
Desde 1994, o WWF apóia escolas interessadas no aprendizado da sustentabilidade. Escolas que documentaram suas experiências em uma série de estudos de caso, oferecendo evidências do valor da nova iniciativa.
E quando decidiram desafiar os valores da abordagem antiga, não se pode negar que muitas escolas passaram por problemas sociais, ambientais e econômicos.
:: Custos da mudança
Se é para as escolas mudarem, têm de encarar o preço disso. Existem custos relacionados ao desenvolvimento profissional dos professores, como o tempo de que precisam para pensar as abordagens em seu trabalho temático; ao suporte técnico; aos recursos de sala de aula; e à elaboração dos sistemas para administrar, monitorar e avaliar todas as manifestações do aprendizado da sustentabilidade.
No interior do “ecobus”, um recurso da educação para o desenvolvimento
sustentável na Grã-Bretanha.
Recentemente terminamos uma versão piloto de um projeto de desenvolvimento. Uma ferramenta participativa para a auto-avaliação da escola e efetivação do ensino, composta por treinamentos, suporte técnico, conferências, um programa de bolsas de estudo de curta duração e oportunidades de desenvolvimento profissional. Tudo apoiado por aulas regulares e recursos de internet.
As escolas enfrentam desafios cada vez maiores para cumprir as exigências dos complementos curriculares e dos temas adicionais inter-relacionados. Educação para o desenvolvimento sustentável, desenvolvimento da educação, cidadania, dimensões globais e educação ambiental são temas dos currículos da Grã-Bretanha — alguns facultativos. Todos podem ser fortalecidos por meio de uma abordagem integrada.
O aprendizado da sustentabilidade, por outro lado, não é um novo campo educacional ou simplesmente uma matéria complementar. É a essência de um novo ethos que auxilia todas as pessoas a perceberem melhor seu mundo.
Resumindo, o aprendizado da sustentabilidade é um processo comunitário, ativo, complexo, experimentado localmente e situado globalmente. É uma jornada cujo destino não é um ponto fixo. Seus temas principais são: aprendizado permanente, abordagem interdisciplinar, diversidade, sistemas de pensamento, igualdade (nesse aprendizado, consideram-se necessidades e direitos das gerações atuais e futuras), parcerias entre instituições educacionais e comunidades, a constatacão de que há limites para o conhecimento, bem como questões ligadas à cidadania e à administração.
É um desafio contínuo para todos nós.
Ben Hren é diretor de Educação
Formal na WWF da Grã-Bretanha.
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