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Outubro/Dezembro
2004

Destaque
EDS ou imperativo comercial?

Anastásia Nikolopoulou

Como a educação de nível superior implementou o conceito de educação para o desenvolvimento sustentável (EDS)? Jamil Salmi, diretor-adjunto para Educação do Banco Mundial, afirma que o ensino superior é importante no apoio à educação fundamental e média. A crescente comercialização das universidades, entretanto, parece ir contra os princípios da EDS, como foram expressos na Conferência de Thessaloniki. Da mesma forma, devemos nos preocupar com o surgimento das “fábricas de diplomas”, ou seja, universidades com motivações comerciais que exploram os estudantes em países de baixa renda.

Embora as associações internacionais de educação concordem que o ensino não seja uma “commodity” e deva “servir ao interesse público” com a missão de contribuir para o desenvolvimento sustentável, é reconhecido que a universidade cada vez mais tem sido tratada como um produto comercial, governada essencialmente pelas forças de mercado. Existe clara discrepância entre o planejamento educacional de nível superior e as declarações governamentais em conferências internacionais, como em Dakar, às quais os governos foram chamados para reafirmar seu compromisso com um sistema de educação que amenize a pobreza, promova a paz e respeite a diversidade cultural.

A responsabilidade ética da educação é amplamente articulada por pessoas que clamam, como John Fien, da Universidade Griffith, em Brisbane, pela total reforma do currículo e da forma pedagógica, as quais deveriam enfatizar “virtudes morais, discernimento ético, aprendizagem, reflexão, criatividade, participação cívica e motivação e habilidade para trabalhar com outros e ajudar a construir um futuro sustentável”.

Contudo, a ironia está no fato de as universidades continuarem a investir anualmente centenas de milhões de euros em pesquisas sobre “sustentabilidade” que nada fazem para direcionar os impactos negativos e decepcionantes do desenvolvimento vigente, em detrimento dos investimentos em ética, criatividade e valores. A educação superior, diz Riccardo Petrella, consultor de políticas de ciência e tecnologia da Comissão Européia, é hoje capitalizada como um discurso “livre de valores” promovido pelas ciências sociais e aplicadas, uma abordagem teórica “desnudada e asséptica” baseada na quantificação e modelação, como ensinado nos programas de MBA.

Tais abordagens não apenas reduzem os problemas e sofrimentos éticos a um discurso clínico e alienado, mas também legitimam a ausência de questões éticas em pesquisas conduzidas pelas universidades, promovendo o pessimismo e o cinismo por parte dos estudantes.

O que é necessário para mudar essa situação? As universidades devem estabelecer um plano educacional que encoraje estudantes e docentes de diferentes campos a explorarem suas especializações dentro dos objetivos e desafios da EDS. Além disso, os acadêmicos devem se conscientizar de que a EDS é mais do que um modelo para uma reforma educacional; ela clama para uma conscientização do imperativo de sustentar a vida, além de ser um compromisso com a própria vida.

Anastásia Nikolopoulou é professoraassociada do Departamento
de Estudos Ingleses da Universidade do Chipre. Ela coordena a conferência “O Desafio da Globalização: Educação para a Tolerância, Democracia e Desenvolvimento Sustentável”, que será realizada
no Museu Nehru e Biblioteca Memorial de Nova Délhi,
de 20 a 22 de janeiro de 2005. nicocy@cytanet.com.cy


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