Desapontamento
Contudo, no ano de 1992, em Nova York, descobri-me confusa e desapontada com meu trabalho como analista financeira em um dos maiores bancos de investimento do mundo. Análises financeiras pareciam especulativas e virtuais demais para mim. Achava que podia trabalhar com análises, mas também fazer um pouco mais pelo mundo real. Ao mesmo tempo, estava desenvolvendo uma compreensão mais profunda de minha vida por meio de minha prática budista e comecei a procurar uma forma de “usar minha vida” para a paz e para ajudar as pessoas. Enquanto eu me empenhava para descobrir isso, fui demitida e fiquei desempregada por um ano e meio.
Durante esse período de dificuldade, minha prática budista me deu forças para perseverar. Orava todos os dias sinceramente para obter a sabedoria para entender o que realmente queria fazer pelo resto de minha vida e encontrar uma forma de contribuir para a paz e a felicidade das pessoas. Um dia, li uma das propostas de paz de Daisaku Ikeda. Ele mencionava que o espírito budista de valorizar a paz, a igualdade e a benevolência também estava expresso na Carta das Nações Unidas. Era, portanto, imperativo para a SGI apoiar os empreendimentos da ONU. Isso me fez perceber que os valores que havia aprendido na SGI poderiam se adequar perfeitamente ao trabalho nas Nações Unidas. Consegui um outro título de mestre em Economia e comecei a trabalhar nas Nações Unidas em 1994, na área de desenvolvimento econômico.
Desafios
Fui designada para a Comissão Social e Econômica das Nações Unidas para a Ásia (Unescap) em Bangkok, Tailândia, como oficial de assuntos econômicos — meu primeiro encontro com um país em desenvolvimento. Pela primeira vez, tive de trabalhar em meio a uma variedade de valores, culturas e pessoas. Tinha pouco conhecimento e experiência em meu trabalho: desenvolvimento do comércio internacional. Tudo era novo e exigia um desafio interminável. Muitas vezes, sentia-me incapaz de cumprir meu trabalho e de cuidar de minha vida em um país em desenvolvimento. Percebi que essa era uma atitude derrotista. Usei minha prática budista para manifestar o grande potencial que — como haviam me ensinado — havia em mim e, usando todos os desafios como um trampolim, gradualmente me desenvolvi como uma pessoa que pode desfrutar seu trabalho, apreciar a diversidade das pessoas e locais e valorizar a vida em um país em desenvolvimento.
A região da Ásia e do Pacífico é muito diversa e com uma ampla gama de questões econômicas e sociais. A Unescap cobre 62 países, incluindo a China, Índia, Irã, Federação Russa e a República Popular Democrática da Coréia. É também o lar dos 13 países menos desenvolvidos, onde cerca de 800 milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia, e o desafio de amenizar a pobreza é assustador. O comércio é a máquina do crescimento e uma fonte de ganhos. Meu trabalho é fazer o comércio ser mais simples e eficiente, facilitando-o.
Como parte do meu trabalho, organizo workshops de capacitação nos países em desenvolvimento. Anos atrás, em um desses workshops, eu promovia o uso de cópias em carbono e o tamanho padrão A4 para todos os documentos. Também estava apresentando tecnologia de comunicação para o comércio futuro. Os participantes me diziam: “Ainda estamos lidando com o analfabetismo. Alfabetização digital para uso da tecnologia de informação é algo muito ambicioso.” Hoje, alguns deles estão utilizando sistemas nacionais de e-commerce, e aplicando as últimas novidades da tecnologia de comunicação.
É uma satisfação saber que meu trabalho contribuiu, mesmo que de uma forma pequena, para o desenvolvimento comercial desses países. Estou determinada a me desenvolver ainda mais para trabalhar melhor com as Nações Unidas na realização da paz, da igualdade e do desenvolvimento sustentável, objetivos tanto da ONU quanto da SGI.