Após uma experiência de construção de confiança como dançarina, decidi voltar aos estudos: precisava compreender a sociedade melhor, se queria promover as artes. Contudo, os estudos em administração social e economia conduziram-me a preocupações sociais mais amplas. Após terminar o mestrado, mudei-me para Nova York para estudar Ciências Políticas e Relações Internacionais. Logo me concentrei em questões relacionadas a desenvolvimento, desigualdade e Nações Unidas, com um interesse especial pela África. Para mim, as Nações Unidas representavam uma possibilidade de ir além dos limites do nacionalismo e olhar o mundo como um todo interconectado.
Enquanto terminava meu mestrado de Filosofia em Ciências Políticas, consegui um emprego como pesquisadora em um projeto sobre história intelectual nas Nações Unidas. O propósito desse projeto era traçar a origem e a evolução das idéias de desenvolvimento econômico e social dentro das Nações Unidas.
Essa pesquisa mostrou a surpreendente riqueza e diversidade de idéias sobre desenvolvimento e políticas promovidas pelas Nações Unidas desde meados dos anos 1940. A ONU desempenhou um papel educacional divulgando e estabelecendo objetivos, normas e princípios. Paz, independência, direitos humanos e desenvolvimento haviam sido declarados como ideais que deveríamos buscar. Governos e secretariados lutavam sobre visões de mundo. Assim, os aspectos sociais do desenvolvimento e as desigualdades dentro e entre países eram ressaltados como obstáculos para um progresso autêntico. Eles tinham de ser integrados ao processo de desenvolvimento e complementar a busca pelo crescimento econômico.
Novas idéias
A pesquisa também demonstrou que muitas idéias abrangentes e novas haviam permanecido como estavam. Muitas análises e propostas não iam além de certas divisões e secretariados, geralmente por razões políticas, e quando os governos conseguiam alguns acordos progressivos sobre políticas sociais ou ambientais, freqüentemente não os colocavam em prática. Além disso, as idéias das Nações Unidas, como o “desenvolvimento sustentável” ou a “redução da pobreza”, tendiam a ser amplamente utilizadas, mas como uma legitimação retórica para a continuação das mesmas antigas políticas.
Uma das conclusões do projeto é que, dentro das Nações Unidas, o pensamento criativo e independente deveria ser incentivado e disponibilizado de forma mais ampla; uma voz inquisidora e questionadora é de importância crítica no debate global.
Enquanto trabalhava para esse projeto, desenvolvi um tópico de pesquisa para uma dissertação de doutorado sobre desenvolvimento sustentável e questões relacionadas à água em Dacar, no Senegal, olhando para a influência do desenvolvimento sustentável promovido pelas Nações Unidas em questões relacionadas à política de águas e a realidade no Dacar, tentando identificar opções para administração de recursos que assegurassem o acesso a água potável pela maioria da população pobre e a sustentabilidade das fontes de água.
O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, tem escrito que é necessária uma mudança fundamental na direção de nossa civilização, se queremos evitar um resultado catastrófico. Meus estudos e encontros me fizeram perceber como isso é verdadeiro. A moderna civilização “desenvolvida”, caracterizada pelo consumismo, implica na super-exploração dos recursos naturais e na poluição para além da capacidade regenerativa da Terra, bem como em desigualdades nos benefícios desses recursos e o ônus da poluição. Meu objetivo de longo prazo é contribuir para um reexame das atividades econômicas e de nosso modo de vida de uma perspectiva ambiental, para incentivar uma mudança na conscientização e um comportamento mais responsável. Embora pareça ser uma tarefa desafiadora, retornar à minha determinação original me dá o senso de propósito necessário para fazer revigorar minhas pesquisas todos os dias.