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Fé no futuro —
o papel das comunidades religiosas nas Nações Unidas
Hiro Sakurai
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Quando as pessoas pensam nas Nações Unidas, pensam em uma organização de governos, talvez apoiada por agências internacionais de auxílio e outros grupos de alto nível. O que geralmente é esquecido é o papel das comunidades religiosas em contribuir tanto para a agenda da ONU como para suas atividades. Por meio da rede de ONGs, as pessoas de diferentes crenças com um interesse comum pela paz, desenvolvimento e direitos humanos juntam-se nas Nações Unidas não apenas para oferecer suas perspectivas distintas, mas também para forjar um acordo sobre como realizar esses objetivos. Nossos diálogos não são teológicos ou abstratos; eles tocam direto nos problemas com que o mundo de hoje se depara e oferecem esperança por soluções.
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Pós-11 de Setembro
A necessidade do poder potencialmente curador do diálogo religioso, único nesse sentido, nunca foi mais premente a partir do 11 de Setembro. Pouco depois desse evento cataclísmico, encontrei-me com Giandomenico Picco, então representante pessoal do secretário-geral Kofi Annan para o Ano do Diálogo entre as Civilizações. Picco disse-me que antes dos aviões colidirem com o World Trade Center, havia poucas verbas e pouco interesse no Ano. Mas ao longo de 2001, os representantes dos governos conscientizaram-se cada vez mais da importância do diálogo que o Ano buscava promover.
A Conferência sobre Cooperação Inter-Religiosa para a Paz,
na sede da ONU, 22 de junho de 2005.
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O Comitê de ONGs religiosas das Nações Unidas (RNGO), que presido, respondeu rapidamente ao 11 de Setembro. O departamento executivo do comitê, integrado por representantes de tradições cristãs, muçulmanas, judaicas, budistas, do bahá’í e outras, reorganizaram suas sessões preparatórias mensais para focar o diálogo inter-religioso salientando as vozes e as realidades do islamismo, com temas como “Política Transnacional do Islã: Desafios e Perspectivas” e “Ódio, Retaliação e Perdão”. |
O exercício de se confrontar essas questões sensíveis nessa época do auge do temor e desconfiança globais despertou os participantes sobre o quão pouco conhecemos a respeito das crenças uns dos outros. Isso, por sua vez, criou ainda mais interesse em se aprender com o diálogo.
As conversas sobre grupos religiosos são valiosas. Mas, como organizadores, somos cônscios da importância de se partilhar visões também entre governos e as Nações Unidas como um todo. Esse objetivo foi concretizado em junho de 2005, quando o comitê foi convidado a se juntar a representantes de dezenas de países e a funcionários das Nações Unidas para organizar em conjunto uma Conferência sobre Cooperação Inter-Religiosa para a Paz, que inspirou uma discussão sobre como traduzir nossos valores comuns em ações práticas.
Levando essas valiosas lições ao nível seguinte, comunicamos nossos resultados ao presidente da Assembléia Geral como uma contribuição para a cúpula de líderes de 170 países a ser realizada em setembro.
Construindo pontes
Durante todo esse processo, fiquei sensibilizado pela sinceridade de todos os participantes e pela sua determinação mútua de lidar com as urgentes questões globais. Na sala de conferência, uma cena rara se descortinou: havia autoridades governamentais, funcionários da ONU e representantes de ONGs, todos reunidos em torno de um simples laptop trabalhando com um espírito de franqueza e igualdade para finalizar o relatório da conferência.
Logo depois do evento, o comitê realizou uma recepção no Church Center, em frente à ONU. Foi então que surgiu um arco-íris sobre a sede da ONU. Muitos de nós fomos até à sacada para vê-lo. Ele ligava a sede da Assembléia Geral ao prédio do secretariado da ONU – uma metáfora para a missão das iniciativas inter-religiosas: diminuir a distância entre as comunidades religiosas, as Nações Unidas e os governos.
Em essência, as comunidades religiosas podem oferecer a esperança que surge de uma crença enraizada, mas de possibilidades ainda não realizadas. A fé em nosso potencial positivo é um pré-requisito vital para um diálogo significativo. Sem essa fé, caímos no monólogo ou no silêncio. Com ela, podemos nos unir em intercâmbios locais ou globais, encontrando soluções que enriquecerão e beneficiarão toda a humanidade.
Hiro Sakurai é representante da SGI nas Nações Unidas em Nova York.
Desde junho de 2005, ele preside o Comitê de ONGs Religiosas (RNGO).
Veja em www.rngo.org
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