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Julho/Setembro
2004

Destaque
Sons do Caminho da Seda


Artista da China,
Ex-União Soviética e
Turquia (julho 1985).
Os visitantes da exposição de instrumentos musicais do Caminho da Seda, atualmente em cartaz na sede da Associação de Concertos Min-On, em Tóquio, são comumente surpreendidos pela semelhança entre esses instrumentos estrangeiros e os considerados ícones da cultura japonesa. Os instrumentos expostos vêm de lugares tão distantes quanto o Egito e a Albânia e representam a grande variedade de culturas que existem ou já existiram ao longo da antiga rota comercial da Eurásia. A similaridade surpreende porque contradiz uma noção bem difundida sobre a originalidade da cultura japonesa — uma noção que foi fortemente utilizada no final do século XIX para justificar a colonização militarista do Japão na Ásia. Ao fazer os visitantes se conscientizarem do vínculo vital entre eles e seus vizinhos distantes da Ásia, a exposição sutilmente ajuda a alcançar o objetivo da fundação da Min-On: promover a paz por meio do intercâmbio cultural.


A crença que o desenvolvimento da cultura é o oposto da guerra e que o intercâmbio cultural pode se tornar um antídoto poderoso para a propensão humana de entrar em conflito impulsionou Daisaku Ikeda, então presidente da Soka Gakkai, a fundar a associação de concertos, em 1964.

A exposição atual remete ao primeiro grande projeto da Associação Min-On: “Uma Viagem Musical através do Caminho da Seda”. A série de concertos do Caminho da Seda reuniu músicos e dançarinos de vinte países — desde o Egito e a Síria até o Paquistão e a ex-União Soviética — em dez turnês durante 18 anos, desde o início, em 1979. No contexto da política divisória da guerra fria, o projeto celebrava e chamava a atenção para o Caminho da Seda como uma artéria cultural e espiritual conectando e unindo os povos asiáticos.

Hoje, o Caminho da Seda é bem conhecido no Japão, mas, na época em que o projeto começou, poucos japoneses o conheciam. Por isso, no princípio, A Min-On realizava exibições públicas de filmes para estimular o interesse.

“O desenvolvimento da cultura é o oposto da guerra...”

Em um esforço para estreitar os laços com os artistas participantes, estudou-se cuidadosamente quais países se apresentariam juntos. As dificuldades conseqüentes reforçam o significado dessas iniciativas. Por exemplo, foram necessários três anos para que os governos soviético e chinês autorizassem seus artistas a participarem de uma turnê conjunta.

Os dois governos foram finalmente convencidos tanto pelo sucesso da turnê inicial quanto pela óbvia natureza apolítica do projeto. Então, em 1985, artistas da Turquia, China (da etnia uighur) e da República Soviética do Uzbequistão atuaram juntos pela primeira vez no Japão.

Hiroyasu Kobayashi, presidente da Min-On, lembra sua surpresa com as perguntas dos artistas chineses quanto ao horário de chegada ao hotel dos artistas do Uzbequistão. Estavam ansiosos por fazer uma festa de boas-vindas e não queriam inadvertidamente perder a oportunidade. Separados por uma barreira política e pela animosidade entre os seus governos, os dois povos, no entanto, partilhavam respeito e afinidades culturais. As cenas no aeroporto, ao final da turnê, foram ainda mais emocionantes, com os artistas lado a lado, chorando muito e se recusando a se despedirem — sabiam que seria sua a última oportunidade de encontro.


“Uma Viagem Musical através
do Caminho da Seda”
(maio 1997).
Hoje, a Min-On é a maior associação desse tipo no Japão. Uma turnê típica de música e/ou dança étnica visita de 15 a 35 cidades, e é vista por aproximadamente 40 mil pessoas. Visitas de escolas também são comuns. Além da música étnica, as atividades da Min-On englobam o jazz, a ópera, o ballet e simpósios.


Com as respostas aos questionários distribuídos ao término de cada show, fica claro que as apresentações estimulam sentimentos genuínos de empatia e interesse por outras culturas.

Definitivamente, esses laços são, atualmente, o fator mais poderoso para se evitar a guerra.


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