Os membros do Musical T:AP concordam que o método TRANSCEND lhes deu um senso maior de propósito, tornando a paz um objetivo mais concreto. A declaração da missão da rede T:AP também contribui para o nosso conceito de unidade: “Impulsionar o potencial humano para a paz apoiando a criatividade e as artes.” (NT: há aqui um trocadilho entre o termo inglês to tap, traduzido por “impulsionar”, e a sigla do projeto.)
::
Colaboração
Cada um de nós encontra uma renovada inspiração nos numerosos empreendimentos realizados em conjunto — resultado de nosso envolvimento com a rede do projeto musical T:AP. Para ilustrar como os projetos funcionam, apresentarei alguns dos seus membros.
Maria Elena Lopez Vinader é diretora internacional da associação Musicoterapeutas para a Paz. Ela tem na Argentina um programa de rádio chamado “Imagine, a paz é possível”. Convidados falam de suas preocupações com o mundo e, durante o programa, tocam-se músicas que valorizam a diversidade. Vários membros do projeto T:AP já participaram do programa, expressando sua oposição à violência ou, no caso de Mohammad Iqbal Behleem, do Paquistão, explicando a cultura islâmica e a sua tradição de não-violência. Mohammad e Maria Elena também escreveram, juntos, uma canção chamada “A guerra é um crime contra a humanidade”.
Maria Elena Lopes
Vinader |
Maria Elena toca piano e usa sons diversificados na musicoterapia. Ela descreve como ser uma musicoterapeuta significa encontrar maneiras de ajudar um grande número de pessoas a estarem “sintonizadas” com a paz e a se tornarem “protagonistas”, efetuando transformações sociais por meio da música. |
Ela comenta: “Quando aplicamos a musicoterapia, estamos, consciente ou inconscientemente, aplicando o método TRANSCEND de transformação de conflitos, basicamente porque a empatia é uma das técnicas ou premissas de nosso trabalho. Também chamamos isso de ‘espelho’, ou reflexo, para perceber e aceitar musicalmente as emoções e sentimentos das outras pessoas. Então, iniciamos um diálogo musical que é sempre criativo e, claro, não-violento, transformando agressão em um comportamento musical aceitável. Isso cria oportunidade para que ocorra a cura, e assim a paz pode ser sentida.”
Mohammad Iqbal Behleem é um músico profissional que trabalha na televisão paquistanesa e para outras companhias. Ele organizou apresentações teatrais dos Muppets em 50 escolas na cidade de Karachi, no Paquistão. Mohammad elaborou um roteiro e personagens, compôs uma trilha sonora com canções sobre paz e também fez os bonecos. O tema principal foi a importância de ajudar os outros, e as crianças reagiram muito positivamente. Ele também criou um álbum de canções de ninar com crianças, entre 5 e 10 anos, falando de amor e paz.
Mohammad Iqbal
Behleem
|
Mohammad diz: “Como eu compartilho minha música naturalmente com pessoas ao redor do mundo, de tempos em tempos floresce uma maravilhosa cooperação. Recentemente, por meio do T:AP, conheci Sumeet Grover, um poeta e violonista da Índia, e ambos estamos trabalhando na reconciliação de nossos países por meio música. |
:: Transformação
Rais Boneza, artista e poeta do Congo, atualmente é estudante na Noruega, onde também é diretor do projeto T:AP para Refugiados. Rais acredita que os artistas deveriam se envolver e se preocupar mais em promover a paz não somente como artistas, mas também como cidadãos. O T:AP para Refugiados, em prol da arte, criatividade e intercâmbio cultural, oferece um espaço onde os refugiados e imigrantes de diferentes lugares possam se expressar, promover a paz e renovar as forças para se adaptarem ao novo ambiente. É também uma arena onde as pessoas que viveram experiências traumáticas (como refugiados, desabrigados e órfãos) podem aumentar sua auto-estima e autoconfiança e desenvolver uma visão comum para uma transformação positiva de sua sociedade.
“Como estou envolvido com a dança contemporânea africana, resolvi expandir o poder dos sons por meio da mixagem de diferentes tipos de música, criando um diálogo entre culturas. Eu e Mohammad Iqbal Behleem estamos trabalhando em um projeto interativo com o objetivo de criar música para a paz. Acreditamos que, com a vibração dos instrumentos como o tom-tom, kora, likembe, mihbaj, buzuq e o rabalah, somos capazes até de parar as armas de fogo e outras armas letais no mundo!”
“Então, iniciamos um diálogo musical que é sempre
criativo e, claro, não-violento, transformando agressão
em um comportamento musical aceitável.” |
:: Um pedido de mudança
Rik Palieri é norte-americano. Ele toca banjo e é cantor profissional de folk, continuando a tradição ativista estabelecida por Pete Seeger. Sua ação é encorajar as pessoas, e ele vem usando sua música em prol da transformação social, marchando em piquetes ou em manifestações antinucleares, tocando em favor de sindicatos ou de organizações ambientalistas, cantando contra a guerra do Vietnã, a primeira guerra do Iraque e a guerra do Afeganistão, ou contra a atual situação do Iraque. Ele já se apresentou em mil escolas nos Estados Unidos.
Rais Boneza
|
Rik conta que seu amigo Pete Seeger escreveu em seu banjo: “Esta máquina derrota o ódio e o força a se render.” Ele diz ainda: “Esse processo pode ser feito até em um ônibus. Uma vez eu estava voltando de uma turnê pelo Alasca, pronto para voar para casa, mas o vôo foi cancelado. Todos os passageiros tiveram de pegar um ônibus para Seattle e ficaram realmente de mau humor, especialmente o motorista. O ônibus parou, e comecei a dedilhar meu banjo. Em poucos minutos, percebi que as pessoas começavam a cantarolar baixinho. Logo, todo o ônibus explodiu em música, incluindo o motorista!” |
As oportunidades de sinergia criadas pelos nossos relacionamentos no T:AP são muitas. Também pretendemos contribuir pesquisando nossas experiências com música e paz e ainda em campos não explorados em termos acadêmicos. Maria Elena, Rais e eu planejamos apresentar esses estudos na conferência da Associação Internacional de Pesquisa para a Paz, que acontecerá na Hungria, este ano.
Rik Palieri
|
A rede TRANSCEND: Arte e Paz foi fundada em janeiro de 2000. Jamais imaginei que em quatro anos essa idéia teria crescido tanto e se tornado um grupo com mais de oitenta pessoas em todos os continentes. Entre os diferentes projetos patrocinados pela rede, o projeto musical T:AP é aquele em que pessoas com experiências diversas podem expressar livremente sua paixão pela música e suas preocupações com o mundo. |
É verdadeiramente mágico ver a interação entre os membros, como as apresentadas neste artigo.
Se você deseja mais informações sobre o projeto musical T:AP,
visite o site http://tapnet.info e/ou contate Olivier Urbain
pelo e-mail olivierurbain@yahoo.com.
Olivier Urbain é belga e ensina Música, Arte e Paz na
Universidade Soka do Japão, além de dar aulas on-line
na
Universidade da Paz TRANSCEND.
Ele toca blues ao piano e é diretor e fundador da rede T:AP. |