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Julho/Setembro
2004

Ao Redor do Mundo
Transformação pela raiz
Carlos K. Shima, diretor-geral da SGI–Peru

A cidade de Huancayo fica no coração de Junin, região central dos Andes peruanos, aproximadamente 3.300 metros acima do nível do mar. Sendo uma próspera cidade na zona industrial que se estende pelo vale do rio Mantaro, nos Andes, Huancayo age como um ímã, atraindo pessoas de vilarejos e cidades vizinhas. Em novembro, a cidade sediou a reunião geral anual da SGI-Peru das comunidades de Mantaro e Los Andes, com a presença de mais de 600 associados da SGI e convidados.

Embora Huancayo esteja a apenas 300 quilômetros de Lima, capital do Peru, é necessário, para chegar de carro até lá, atravessar a cadeia de montanhas Ticlio, que se eleva a 4.818 metros de altitude. Viagem que realizei inúmeras vezes desde que cheguei ao Peru, em 1974. Apesar de Lima ser uma cidade com parques exuberantes, ela fica em pleno deserto. Ao sair da cidade, o deserto estende-se até onde os olhos podem enxergar, vastidão que tem de ser percorrida para se chegar aos associados da SGI, dispersos por todo o país.

O Peru está dividido em 24 regiões e, portanto, reunir os associados de locais tão afastados de Lima requer grande esforço. Mesmo assim, os membros superam muitos obstáculos para isso. Por exemplo, quando a SGI-Peru promoveu um grande festival musical comemorando o 25o aniversário da Soka Gakkai Internacional e o 70o aniversário da Soka Gakkai, em setembro de 2000, aproximadamente quatro mil jovens reuniram-se ao ar livre, em Lima. Muitos vieram de lugares distantes, como Piura e Chiclayo, a 1.500 quilômetros de distância no litoral norte; Arequipa, no sul; Iquito, às margens do Amazonas; bem como de Huancayo.

:: Expandindo os laços culturais

O Peru é o país sul-americano com a mais antiga história de laços culturais com o Japão. Os primeiros japoneses a emigrarem para a América do Sul chegaram ao Peru em 1899. Superando as barreiras da língua e da cultura, abriram caminho para as futuras gerações de imigrantes japoneses, contribuindo para o desenvolvimento do país. Os primeiros associados peruanos da SGI, descendentes das primeiras imigrações, começaram a espalhar as sementes do budismo em Lima, no início dos anos 1960.

Na época, a comunidade de imigrantes japoneses era criticada por ser reservada. Porém, os pioneiros da SGI diferenciavam-se dos outros por se engajarem na sociedade peruana. Os anos 1970 viram um marcante crescimento da participação dos integrantes da SGI-–Peru em importantes eventos da sociedade, e essa tendência é hoje ainda mais forte.


Jovens no estádio La Unión
de Lima.
Atualmente, há 300 integrantes da SGI-Peru em Huancayo, muitos dos quais associaram-se há décadas. O coordenador do distrito Huancayo, Rodrigo Castilla, converteu-se ao budismo há 26 anos. Ele é vendedor de uma indústria farmacêutica e sua esposa, Hedy, secretária, é coordenadora da Divisão Feminina do distrito. O assistente de Rodrigo, Santiago Quinto, é técnico de uma empresa de engenharia elétrica especializada em fornecer eletricidade para áreas distantes dos Andes, onde atualmente há pouca infra-estrutura. Eles estão convictos de que a prática do budismo pode ajudá-los a contribuir para o desenvolvimento do Peru, tornando-os cidadãos melhores.

Aproximadamente noventa por cento da população peruana é católica, portanto a maior parte dos peruanos tende a pensar na existência de um poder divino externo. Aceitar o conceito de que a natureza de Buda é inerente a cada indivíduo exige enorme mudança de percepção. Geralmente, os benefícios dessa filosofia ou a vivência de uma grande mudança em suas circunstâncias é o que faz mais pessoas praticarem o budismo. Porém, mesmo tais experiências podem freqüentemente ser mal interpretadas, como manifestações de um poder externo. Todavia, assim que abraçam o budismo, o bom caráter inato e a seriedade do povo peruano geralmente contribuem para o reconhecimento da importância de manifestar o potencial de cada pessoa por meio da transformação interna, e essa experiência de transformação é o que inspira as pessoas a continuarem a prática do budismo.

:: Atividades centralizadas nos jovens




“A beleza da arte folclórica peruana” — exposição em Huancayo.




Nevado Pariacaca, Huarochiri.
Os associados da Divisão dos Jovens foram a força impulsionadora do crescimento da SGI–Peru, e suas atividades assumem muitas formas. Desde os anos 1970, uma das mais importantes é a participação em eventos públicos. Há também ações interorganizacionais para os jovens, centralizadas na ginástica, música, dança e nas bandas musicais. Em maio de 1999, cerca de 800 integrantes participaram de um importante evento realizado no estádio La Unión, em Lima, para celebrar o centenário da imigração japonesa no Peru. A apresentação, com o tema “Paz e solidariedade: a mensagem do humanismo”, expressando a admiração e respeito pelos esforços dos primeiros imigrantes, foi muito apreciada por cerca de 15 mil pessoas.

A SGI–Peru iniciou também uma série de atividades voluntárias centralizadas na participação dos jovens. Por exemplo, em junho de 2001, após o terrível terremoto no sul do país, muitos de nossos associados foram imediatamente ao local do desastre e distribuíram comida e roupas a seis mil famílias, a maior parte doada pelos integrantes da SGI-Peru.

:: Universidades e a SGI

A sociedade peruana demonstra cada vez mais apreço pelos princípios da SGI de respeito à vida e por sua filosofia e educação humanística, com base em princípios budistas. Isso se deu, em parte, devido a uma série de exposições, incluindo “Sementes da mudança: a carta da Terra e o potencial humanístico”; “A beleza da arte folclórica peruana”, uma mostra de cestos e bonecas; bem como as exposições da SGI sobre a necessidade de proteger a Amazônia, a arte das crianças e os perigos das armas nucleares. Muitas dessas exposições foram realizadas em renomadas universidades do Peru, sinal da crescente aceitação da filosofia budista. Recentemente, no início de 2004, a exposição “Gandhi, King, Ikeda”, sobre a promoção da não-violência, foi realizada na Universidade Ricardo Palma, em Lima, visitada por 3.500 pessoas.


Distribuição de suprimento às vítimas do terremoto em 2001.

Membros da SGI em um novo
centro comunitário em Lima.


Os primeiros contatos com as universidades peruanas foram estabelecidos durante a segunda visita do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, ao Peru, em março de 1974. Naquela ocasião, o líder da SGI dialogou com o professor Juan de Dios Guevara, ex-reitor da Universidade de São Marcos, a mais antiga da América Latina, que ostenta 450 anos de história.

Começando nos anos 1970, as universidades vêm realizando simpósios sobre os escritos de Ikeda e promovendo cursos sobre seus diálogos com o Dr. Arnold Toynbee, ou sobre a teoria de criação de valores de Tsunessaburo Makiguti, primeiro presidente da Soka Gakkai. Essas atividades refletem a consciência de que a educação pode transformar a sociedade pela raiz e que esse é o único caminho certo em direção ao estabelecimento da paz no mundo. Aqueles que possuem uma firme compreensão dessas idéias apóiam cada vez mais toda a diversidade de atividades da SGI–Peru.

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