Wanda (dir.) e uma
colega
ao lado de um
pôster que mostra as
descobertas do
telescópio
Shirohisa Ikeda.
Minha saúde é frágil desde que nasci. Na minha infância, fui hospitalizada várias vezes — por causa de diabetes, pneumonia e outras doenças — ficando internada, em algumas ocasiões, durante meses. Fui diagnosticada com dislexia. Assistia tanto a aulas normais quanto a aulas especiais para crianças deficientes mentais e emocionais. Freqüentemente riam de mim e me repreendiam. E meu pai era um homem violento, assim minhas idas ao hospital realmente me ofereciam algum alívio.
Na universidade, comecei a sofrer problemas com a visão. Os professores não entendiam porque eu demorava tanto para ler e compreender. Uma professora chegou a dizer, diante de todos os alunos, que eu deveria parar de ir às aulas; ela não queria me avaliar devido à minha dislexia e me reprovou. Eu me recusei a desistir e continuei a participar ativamente das aulas.
Em 1997, quando estava com 24 anos, fui a um médico e recebi um diagnóstico de retinopatia diabética proliferativa e distrofia muscular. À medida que minha visão piorava, comecei a ficar desesperada e depressiva. Minha família sentia-se da mesma forma. Fui apresentada a um programa em que aprendi a usar uma bengala, um ábaco e uma máquina de escrever em braile. Durante muito tempo, evitei usar a bengala por sentir muita vergonha.
Foi o budismo, que conheci alguns anos depois, que me possibilitou finalmente enfrentar o que estava acontecendo comigo. As orações me faziam sentir mais positiva e energizada. E com os escritos de Nitiren e do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, comecei a ver minha batalha como uma oportunidade de demonstrar o potencial ilimitado da vida
humana e provar que nada é impossível. Quando eu considerava os fatos dessa forma, sentia-me esperançosa e revigorada. Também sentia gratidão e apreço pela vida.
Gráfico mostra uma recente explosão solar detectada pelo telescópio Shirohisa Ikeda.
Meu sonho era ser médica, mas um conselheiro acadêmico o desfez rapidamente, dizendo-me para ser “realista” diante de minha condição. Sentia que ninguém acreditava que eu realmente pudesse fazer alguma coisa, mas eu estava determinada a provar o contrário. Então, matriculei-me e fui aceita num programa de graduação em Física na Universidade de Porto Rico. A Dra. Carmen Pantoja, uma radioastrônoma, ofereceu- se para ser minha orientadora.
Para estudar, eu gravava as aulas e um amigo lia suas anotações para mim. Um scanner e um sintetizador de voz computadorizado também me ajudavam a ler. Prestava exames orais e ditava meus apontamentos.
Durante três anos, ajudei a construir um observatório no campus. Esse observatório integra um projeto educacional que elaboramos, o projeto Shirohisa Ikeda. Ele adapta e disponibiliza experiências educacionais para pessoas cegas. É ligado à Rádio Jove, programa educacional desenvolvido por um grupo de astrônomos da Nasa e que divulga informações por radiotelescópio na internet (veja em http://radiojove.gsfc.nasa.gov). Fizemos adaptações ao sistema para que deficientes visuais possam analisar as informações. Nosso sistema atualmente está monitorando bolhas de plasma na freqüência de 21 MHz, atividades solares e tormentas magnéticas em Júpiter. Minha orientadora, que sempre me auxilia muito, concordou em nomear o projeto e o observatório com o nome do filho falecido de meu mentor.
Usando o sistema que criamos, eu e outros deficientes visuais podemos ouvir e interpretar os sons mais distantes da galáxia. Por meio de minha prática budista, posso dizer que sou uma vencedora. Agradeço pela oportunidade de mostrar que tudo é possível. É uma alegria ter objetivos elevados e alcançar as estrelas, mesmo que eu não as possa ver.
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