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Julho/Setembro
2005

Destaque
Mudando atitudes na China
Li Li


Já se passou mais de um ano desde que a escola primária Xin Dian, na província de Anhui, implementou essa abordagem de educação inclusiva, de forma que todas as crianças nessa zona escolar, e especialmente aquelas com deficiência, têm acesso à educação. Temos sete crianças com diferentes tipos de deficiência em nossa escola hoje. Antes de iniciarmos, funcionários do escritório da SCC em Hefei ajudaram a nossa escola a modificar o ambiente para adequá- lo às necessidades especiais dos estudantes com deficiência, construindo rampas, reformando banheiros, pavimentando caminhos, e assim por diante. Eles também ofereceram treinamento para nos prepararmos. Percebemos ainda que era necessário elevar a conscientização de nossos estudantes não-deficientes para que tivessem uma atitude mais inclusiva com seus companheiros portadores de deficiência.

Desde que começamos a participar do treinamento para educação inclusiva, descobrimos que essa educação faz sentido também para nós, professores: decidimos realizar um treinamento para todos os alunos em nossas classes para elevar sua conscientização quanto à deficiência.

Aprendendo com a experiência

Durante meio dia de treinamento, conversamos sobre o que é a deficiência, o que uma pessoa portadora de deficiência pode fazer em nossa comunidade e dialogamos sobre a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças. Os alunos da 2ª a 4ª séries também participam ativamente de um exercício com a brincadeira cabra-cega, no qual metade dos participantes fica com os olhos cobertos e caminha com a outra metade que serve de guia. Eles repetem o exercício alternando os papéis. Durante os diálogos, os participantes conversam sobre como se sentiram quando “cegos” e como seria difícil a vida se realmente fossem assim. As crianças ficam totalmente absortas pelos sentimentos que experimentam; é como se uma janela se abrisse e permitisse que vivenciassem experiências de uma perspectiva diferente.

Primeiro, os estudantes experimentaram impressões e emoções quando não conseguiam ver e compreenderam melhor o que a vida é para uma pessoa portadora de deficiência. Eles também perceberam que as crianças com deficiências têm direito à educação como todas as demais. Descobrimos que isso ajuda a diminuir a discriminação contra as crianças deficientes em nossas escolas.


Crianças na escola Xin Dian participam do exercício com a brincadeira cabra-cega.
Em segundo lugar, os estudantes voluntariamente formaram grupos de apoio nas classes com alunos deficientes. Por exemplo, eles auxiliam as crianças fisicamente deficientes a irem aos toaletes, brincam com elas e as auxiliam nas lições de casa.

Mudança de atitude

Em terceiro lugar, os estudantes mudaram suas atitudes com as crianças portadoras de deficiência. Há um aluno com paralisia cerebral em nossa classe. Eu costumava ouvir os outros chamarem-no “arrepio”. Hoje, chamam-no pelo seu nome, En, e o acompanham no retorno em vez de deixá-lo ir sozinho. Em outras classes, os alunos pararam de chamar seus companheiros com deficiência de “bobo” e também os chamam pelo nome.

Em conclusão, muitos dos alunos que participam do treinamento tornam-se defensores da educação inclusiva. Repassam a informação que receberam a outros alunos e às vezes conversam sobre seus companheiros deficientes com seus pais. Eles podem não conseguir explicar exatamente o que é educação inclusiva, mas hoje sabem que também é sua responsabilidade incluir todas as crianças na vida diária.

Li Li é professora na escola Xin Dian, que participa do Programa de Educação Inclusiva apoiado pela SCC.


Educação inclusiva
Um garoto, antes excluído do sistema
escolar, hoje na primeira
série de uma classe de educação
inclusiva na escola de ensino
fundamental de Xin Dian.

Educação inclusiva é um meio efetivo e barato de as comunidades assegurarem educação para todos. Ela defende o direito das crianças de irem para a escola e terem suas necessidades atendidas. Ela também desafia a noção de que as crianças com deficiência precisam ser educadas em escolas segregadas, geralmente longe de suas comunidades. De fato, uma vez que as barreiras de acesso foram removidas, as crianças com deficiências necessitam é de educação de boa qualidade em vez de educação especial.

Muitas crianças com deficiências são excluídas das escolas devido às suas barreiras físicas, percepções sobre suas habilidades e falta de reconhecimento de que elas têm o direito à educação e à participação em sua comunidade. A educação inclusiva também está desafiando os preconceitos estabelecidos há muito tempo sobre a inclusão de pessoas com deficiências em comunidades maiores.

O programa Salvem as Crianças da China (SCC, na sigla em inglês) vem trabalhando com a Comissão de Educação da Província de Anhui (Apec), na China, para desenvolver um conjunto de iniciativas que visam à melhoria do acesso à educação de crianças com deficiência. A Apec busca meios de implementar leis que obriguem as comissões de educação das crianças que trabalhem em prol de uma “educação para todos”, incluindo provisões para crianças portadoras de deficiência. Também foi decidido iniciar essa abordagem inclusiva de forma experimental em jardins- de-infância em 1990. O que foi um grande sucesso, e os novos métodos de ensino conduziram a uma melhoria da educação para todas as crianças, enquanto os pais passaram a querer que seus filhos “normais” participassem desse projeto escolar.

Além de promover a educação inclusiva, a SCC também desenvolve projetos em linguagens de sinais, nos quais as crianças surdas (alunas) das escolas especiais e centros de reabilitações tem a chance de aprender fluentemente a linguagem dos sinais e o chinês, em escolas especiais e centros de reabilitação, além de iniciativas de reabilitação feitas em comunidades e em clubes de pais de crianças especiais.



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