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Julho/Setembro
2005

Destaque
Questões femininas
Dinah Radtke

No contexto internacional, mulheres portadoras de deficiência pertencem ao mais marginalizado dos grupos. Há mais de 250 milhões de portadoras de deficiência no mundo hoje. E dessas, aproximadamente três quartos vivem em países em desenvolvimento. Mesmo assim, programas internacionais de desenvolvimento raramente se direcionam às necessidades das portadoras de deficiência ou as incluem em iniciativas voltadas ao desenvolvimento.

Naturalmente, homens e mulheres portadores de deficiência possuem questões em comum que os afetam igualmente. Mas há muitas questões que afetam e discriminam especificamente as mulheres, como a sexualidade, a maternidade, bioética, violência, violência sexual, educação e treinamento profissional, emprego, saúde e assistência pessoal.

Nos países em desenvolvimento, as moças portadoras de deficiência são geralmente excluídas até mesmo da educação fundamental, devido a uma percepção geral de que essa educação é mais necessária aos meninos. Portadoras de deficiência são, assim, forçadas a uma dependência econômica. Mesmo nos países industrializados, é difícil para as moças portadoras de deficiência obterem treinamento em muitas profissões. Oportunidades de casamento são menores também para esse grupo de pessoas, o que significa que educação e treinamento são ainda mais importantes. Elas são até mesmo mais discriminadas que os homens portadores quando se trata de emprego.

A violência contra as mulheres é mais prevalecente entre as portadoras. As estatísticas mostram de modo perturbador que as portadoras de deficiência são mais suscetíveis ao abuso sexual do que as não portadoras. É necessária a pressão política para estabelecer mecanismos de apoio social e facilidades para as portadoras de deficiência.

Muitas delas são proibidas de terem filhos ou desestimuladas disso, com o temor de que eles também sejam deficientes. Uma mulher deveria ter o direito de escolher se quer uma criança ou não. E todas as crianças deveriam ser bem-vindas ao mundo e receber o adequado apoio social, familiar e financeiro.

Mesmo as mulheres portadoras de deficiência (e os homens) devem ter o apoio de que necessitam para integrarem todas as atividades humanas que quiserem: constituir família, ter igualdade no relacionamento sexual, na educação, no trabalho, no lazer, na cultura e na política.

Portadores de deficiência têm o direito de participar da vida comunitária e ter uma vida decente. E as próprias portadoras de deficiência têm de definir o que uma vida decente significa para elas, e não os políticos ou outros quaisquer.

Dinah Radtke é presidente do Comitê das Mulheres da OMPD e
presidente adjunta dessa entidade em questões de Direitos Humanos
para Portadores de Deficiência.


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