
Gente
Liberando o poder da cultura
Elise Mballa, República dos Camarões
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Sou casada e tenho três filhos maravilhosos. Trabalho como geógrafa e orientadora de professores. Essa carreira me ajuda a desenvolver uma habilidade específica: a de comunicar-me e compartilhar com os outros o meu conhecimento e experiências. |
Arte pela paz
Ingressei nas artes aos 14 anos de
idade, graças a um tio com talento para
contar histórias e dançar. Especializei-me em dança e hoje crio shows
para incentivar jovens a participarem
ativamente da vida por meio da arte.
Com esse objetivo, comprei um terreno
onde pretendo construir um espaço
cultural para a juventude, a fim
de promover a cultura africana. Também
organizo festivais e treinamentos
para dançarinos. Criei uma entidade
chamada Associação Meka, dedicada à dança. Todas essas atividades
têm como meta promover a paz
e trazer esperança aos seres humanos,
dando significado às suas vidas e, dessa
forma, lutando contra a violência.
Entendo que pobreza, miséria e escassez
geram violência e constituem obstáculos
para a realização da paz.
Num esforço para colocar em prática
o conceito budista de que não se pode
ser feliz sem que os outros também o
sejam, decidi compartilhar o que eu havia
aprendido no campo da cultura.
Foi assim que comecei a trabalhar como
produtora e coreógrafa, e isso possibilitou-me criar, junto com Martino Ebale, hoje associado da SGI-Bélgica,
o grupo Nyanga Dance. O grupo foi
bem-sucedido devido à sua forte união,
pois a maior parte de seus integrantes
segue a filosofia budista. Após Martino
ter se mudado para a Bélgica, decidi organizar
festivais culturais na República dos Camarões, nos Estados Unidos e ao
redor do mundo. O festival de dança e
percussão anual Abok I Ngoma, que une
grupos africanos e europeus, tem obtido
mais sucesso.
Sou afortunada por ter boa saúde,
grande vitalidade e muita energia, mas
teria sido incapaz de desfrutar tudo isso
sem minha fé budista.
Estabilidade interna
Minha admiração pelo budismo surgiu
antes dos anos 1980. Naquela época
tinha vários amigos que eram associados à SGI, e eu participava de atividades
em algumas ocasiões. Porém, somente
em 1997, decidi praticar o budismo
seriamente, para superar as dificuldades que enfrentava. Essa filosofia
deixou-me mais tranqüila, mais forte,
mais certa sobre o futuro e sobre
meu papel na sociedade. Tornei-me
ainda mais comprometida quando tomei
conhecimento de que o presidente
da SGI, Daisaku Ikeda, disse que
o século XXI seria o século da África.
Concordo com essa afirmação. A África trouxe tudo ao mundo, e é a
nossa diversidade cultural que nos
transformará em primeiro continente.
Se os países não fossem classificados
em termos de seu PIB, mas em
termos de sua riqueza cultural, a África ocuparia o primeiro lugar.
Para que se torne o continente do
século XXI no que diz respeito à cultura, é necessário que todos os africanos
comecem a trabalhar em direção
a esse objetivo. Devemos considerar
cultura não só como uma ferramenta
para unir as pessoas, mas um
instrumento para o progresso. Para
chegar a esse ponto, os africanos devem
aprender a desenvolver e aperfeiçoar
sua própria cultura. São os seres
humanos, os africanos, que farão
da África o continente do século XXI.
Essa convicção de Ikeda sustenta-se em
sua certeza de que o povo africano fará
nosso ilimitado potencial florescer.
Quanto a mim, por ter sido designada
especialista na comissão nacional para
a Unesco na República dos Camarões,
lutarei para transformar esses sentimentos
em ação concreta.
Claro que nada é fácil. A fé e as contínuas
e precisas orações é o que me têm
proporcionado sucesso, levando-me a
ter metas claras e a ser aberta às pessoas.
Estou convencida de que com forte
determinação é possível mover montanhas,
e agora sinto que estou me devotando
verdadeiramente a uma causa
nobre e justa.
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