Edições Anteriores
Janeiro/Março
2005

Gente
Liberando o poder da cultura
Elise Mballa, República dos Camarões

Sou casada e tenho três filhos maravilhosos. Trabalho como geógrafa e orientadora de professores. Essa carreira me ajuda a desenvolver uma habilidade específica: a de comunicar-me e compartilhar com os outros o meu conhecimento e experiências.

Arte pela paz

Ingressei nas artes aos 14 anos de idade, graças a um tio com talento para contar histórias e dançar. Especializei-me em dança e hoje crio shows para incentivar jovens a participarem ativamente da vida por meio da arte. Com esse objetivo, comprei um terreno onde pretendo construir um espaço cultural para a juventude, a fim de promover a cultura africana. Também organizo festivais e treinamentos para dançarinos. Criei uma entidade chamada Associação Meka, dedicada à dança. Todas essas atividades têm como meta promover a paz e trazer esperança aos seres humanos, dando significado às suas vidas e, dessa forma, lutando contra a violência. Entendo que pobreza, miséria e escassez geram violência e constituem obstáculos para a realização da paz.

Num esforço para colocar em prática o conceito budista de que não se pode ser feliz sem que os outros também o sejam, decidi compartilhar o que eu havia aprendido no campo da cultura.

Foi assim que comecei a trabalhar como produtora e coreógrafa, e isso possibilitou-me criar, junto com Martino Ebale, hoje associado da SGI-Bélgica, o grupo Nyanga Dance. O grupo foi bem-sucedido devido à sua forte união, pois a maior parte de seus integrantes segue a filosofia budista. Após Martino ter se mudado para a Bélgica, decidi organizar festivais culturais na República dos Camarões, nos Estados Unidos e ao redor do mundo. O festival de dança e percussão anual Abok I Ngoma, que une grupos africanos e europeus, tem obtido mais sucesso.

Sou afortunada por ter boa saúde, grande vitalidade e muita energia, mas teria sido incapaz de desfrutar tudo isso sem minha fé budista.

Estabilidade interna

Minha admiração pelo budismo surgiu antes dos anos 1980. Naquela época tinha vários amigos que eram associados à SGI, e eu participava de atividades em algumas ocasiões. Porém, somente em 1997, decidi praticar o budismo seriamente, para superar as dificuldades que enfrentava. Essa filosofia deixou-me mais tranqüila, mais forte, mais certa sobre o futuro e sobre meu papel na sociedade. Tornei-me ainda mais comprometida quando tomei conhecimento de que o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, disse que o século XXI seria o século da África. Concordo com essa afirmação. A África trouxe tudo ao mundo, e é a nossa diversidade cultural que nos transformará em primeiro continente. Se os países não fossem classificados em termos de seu PIB, mas em termos de sua riqueza cultural, a África ocuparia o primeiro lugar.

Para que se torne o continente do século XXI no que diz respeito à cultura, é necessário que todos os africanos comecem a trabalhar em direção a esse objetivo. Devemos considerar cultura não só como uma ferramenta para unir as pessoas, mas um instrumento para o progresso. Para chegar a esse ponto, os africanos devem aprender a desenvolver e aperfeiçoar sua própria cultura. São os seres humanos, os africanos, que farão da África o continente do século XXI. Essa convicção de Ikeda sustenta-se em sua certeza de que o povo africano fará nosso ilimitado potencial florescer. Quanto a mim, por ter sido designada especialista na comissão nacional para a Unesco na República dos Camarões, lutarei para transformar esses sentimentos em ação concreta.

Claro que nada é fácil. A fé e as contínuas e precisas orações é o que me têm proporcionado sucesso, levando-me a ter metas claras e a ser aberta às pessoas. Estou convencida de que com forte determinação é possível mover montanhas, e agora sinto que estou me devotando verdadeiramente a uma causa nobre e justa.


Textos e imagens pertencentes à Associação Brasil SGI. Direitos Reservados.