Thabo Mbeki |
“Quaisquer que sejam as reviravoltas do momento, nada pode nos deter! Quaisquer que sejam as dificuldades, a África estará em paz! Por mais improvável que possa soar aos céticos, a África prosperará!” |
O conceito de Renascença Africana ganhou notoriedade após o discurso “Eu sou africano!”, feito em 1996 pelo então presidente-adjunto da África do Sul, Thabo Mbeki. A idéia rapidamente capturou a imaginação do público e, hoje, especialmente na África do Sul, mas também em toda a África e na Diáspora, ela continua a ser vigorosamente debatida, celebrada e analisada tanto pelo povo quanto nos meios acadêmicos, em conferências e em câmaras governamentais.
“... Quando falamos de uma Renascença Africana”, disse o presidente Mbeki em outra ocasião, “falamos do renascimento e da renovação de nosso continente. A idéia não é nova... o que é novo é que hoje as condições para esse processo ser fortalecido existem em todo o continente, conduzindo à transformação da idéia de visionários para um programa prático de ação para revolucionários... chegou a época da África!”
Como disse Jacob Zuma, presidente-adjunto da África do Sul, “o conceito de Renascença Africana não é apenas uma questão próxima de nosso coração, mas também uma questão de vida e morte que, sem as quais, a dor e o sofrimento da África continuarão”.
Para alguns, a própria extensão e complexidade de “dor e sofrimento” da África parecem ridicularizar a noção de uma renascença. Ceticismo que naturalmente repousa na suposição de incapacidade dos africanos de construírem sociedades florescentes.
Contudo, os defensores da Renascença Africana salientam a necessidade
de revisar a história dos continentes. O que iluminaria não apenas os “vários fenômenos que conduziram a esse período sombrio de nosso continente”, mas também a história anterior de grande progresso, freqüentemente mais avançado que na Europa no mesmo período: formas de administração altamente desenvolvidas que foram destruídas para assegurar o lucro nas terras distantes. “Falamos de um continente que, embora tenha conduzido à própria evolução da vida humana e foi um importante centro de ensino, tecnologia e artes nos tempos antigos, experimentou várias épocas traumáticas, cada uma das quais empurrou seus povos cada vez mais para a pobreza e o retrocesso.” Diz Mbeki: “Meu povo não é uma espécie peculiar da humanidade!”
A Renascença Africana é mais do que retórica. A visão que ela inspira e articula manifesta-se na própria razão e nas atividades de organismos como a União Africana. Muitas das observações acima de Mbeki integram
seu discurso de inauguração do Instituto Renascença Africana, em Pretória, África do Sul, em 1999. O instituto foi estabelecido para buscar formas mais efetivas de mobilização dos recursos humanos, da riqueza intelectual e dos empreendimentos africanos. Ele reúne a experiência de quase 5 mil técnicos e professores para ajudar a resolver os problemas da África e, em particular, da República Democrática do Congo e do Sudão.
Os africanos já estão mudando seu futuro.
(Com os agradecimentos do embaixador Kapembe Nsingo, presidente, fundador e CEO do Instituto da Renascença Africana.)