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Janeiro/Março
2005

Artes e Educação
Exposição de “Victor Hugo e os Romanticistas”


Félix Nadar, "Victor Hugo"
(1878), Museu de Arte Fuji de Tóquio.
A exposição “Victor Hugo e os Romanticistas” foi aberta em 29 de outubro no Museu de Arte Fuji de Tóquio, em Hatioji, em comemoração do 200º aniversário de nascimento do poeta francês. Ilustra sua vida por meio de uma rica seleção de raros textos originais e artefatos que o contextualizam no movimento romântico, em que uma geração de artistas na França trabalharam para encontrar uma expressão, em relação às restrições do período Clássico, mais fiel ao interior da vida humana.

Os trabalhos de Hugo como um defensor da justiça social são realçados, assim como suas realizações literárias. Daisaku Ikeda, fundador do Museu de Arte Fuji de Tóquio e da Casa Literária Victor Hugo em Bièvres, França, em sua mensagem aos visitantes dessa exposição, diz: “Victor Hugo escreveu que os sonhos de grandes homens predizem o futuro.


Provas de Os Miseráveis (1856) corrigidas por Hugo.
Eu estou firmemente convencido de que o que ele declarou — suas aspirações pela paz e respeito aos direitos humanos em uma era turbulenta, e sua busca, às vezes incerta, pela criação de novos valores — ainda persiste dois séculos depois: uma vigorosa força ativada por incontáveis indivíduos para elevar seu espírito e aumentar seu potencial.”

Organizada em duas seções principais, a exposição abrange a vida de Victor Hugo e seus trabalhos, antes e depois dos 19 anos exilado em Jersey, seguida por uma série de painéis relacionados ao contexto literário e artístico do período Romântico, abrangendo desde fotografias antigas até roupas, cerâmicas e instrumentos musicais. Estão também em exposição objetos pessoais de dois dos grandes colegas de Hugo, Alexandre Dumas, pai (1802–1870), e o compositor francês Hector Berlioz (1803–1869), assim como pintores românticos do período de Hugo, como Eugène Delacroix.


Desenho de Hugo "Paisagem sob
três árvores" (1850).
O Museu de Arte Fuji de Tóquio, a Casa Literária Victor Hugo e o jornal Assahi Shimbun são os patrocinadores da exposição. O ministério das Relações Exteriores do Japão e a Agência para Assuntos Culturais são os
patronos, em cooperação com 35 renomados museus e bibliotecas na França e no Japão. Os patronos da exposição na França são Christian Poncelet, presidente do Senado francês; Renaud Donnedieu de Vabres, ministro francês da Cultura e Comunicações; e Bernard de Montterraud, embaixador da França no Japão. Cerca de 400 convidados assistiram à abertura, incluindo Marie Hugo, presidente da Associação de Amizade Hugo.

A exposição destaca 500 itens que pertencem à Casa Literária Victor Hugo e seis tesouros nacionais da França, incluindo as provas de Os Miseráveis, A Lenda dos Séculos e Contemplações, exibidas no Japão pela primeira vez. O legado desse escritor francês é apresentado por manuscritos originais, provas gráficas, fotografias, outros pertences de escrita e muitos dos seus excelentes desenhos. Retratos dele feitos por artistas notáveis e escultores de seu tempo, incluindo o grande Rodin, também estão expostos. Tudo isso poderá ser visto em Tóquio, Hokkaido e Osaka.

Casa Literária Victor Hugo


"La Vierge des Moissons", primeira pintura religiosa de Eugène Delacroix.
A Casa Literária Victor Hugo foi inaugurada em 21 de junho de 1991, em La Maison des Roches, nas cercanias de Paris. Casa que era apreciada e freqüentemente visitada por esse grande escritor e humanista, tornando-se uma celebração à sua vida e aos seus trabalhos, com vasta coleção de artigos históricos.

Na casa, os visitantes descobrem que Victor Hugo não se contentava somente com seus ideais e visões, ele buscava constantemente meios para realizá-los, sobretudo no que diz respeito ao seu propósito de estabelecer os Estados Unidos da Europa e de criar uma moeda única.

O acervo consiste em 4.500 peças exclusivas: manuscritos, fotografias originais, cartas, autógrafos e publicações raras. Assim, é enaltecido o espírito de Victor Hugo não como um homem do passado, mas de nossa época, que pode contribuir conosco agora e no futuro. A Casa Literária também recebe muitos estudantes, compartilhando com eles essa visão humanística de Victor Hugo. Muitos, a princípio, não estão interessados em ler seus trabalhos, mas,quando aprendem sobre sua vida, querem saber mais sobre sua obra.


Lotografia mostrando Hugo liderando os românticos do seu tempo. Benjamin Roubaud, c. 1830.

Philipe Moine, diretor da Casa Literária, escreve sobre a atual exposição: “É seu espírito altruísta, batalhador e generoso que, mais de 200 anos após seu nascimento, simboliza Hugo e também dá uma idéia exata da França, aos olhos de inúmeros admiradores de todo o mundo.”

As últimas palavras escritas por Hugo, em 19 de maio de 1885, dias antes de seu falecimento, Aimer, c'est agir (Amar é agir), são por si só um tesouro nacional da França e estão na exposição, fornecendo uma amostra apropriada do que é a mensagem dessa ampla e inspiradora exposição.


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