Félix Nadar, "Victor Hugo"
(1878), Museu de Arte Fuji de Tóquio. |
A exposição “Victor Hugo e os Romanticistas” foi aberta em 29 de outubro no Museu de Arte Fuji de Tóquio, em Hatioji, em comemoração do 200º aniversário de nascimento do poeta francês. Ilustra sua vida por meio de uma rica seleção de raros textos originais e artefatos que o contextualizam no movimento romântico, em que uma geração de artistas na França trabalharam para encontrar uma expressão, em relação às restrições do período Clássico, mais fiel ao interior da vida humana. |
Os trabalhos de Hugo como um
defensor da justiça social são
realçados, assim como suas
realizações literárias. Daisaku Ikeda,
fundador do Museu de Arte Fuji de
Tóquio e da Casa Literária Victor
Hugo em Bièvres, França, em sua
mensagem aos visitantes dessa
exposição, diz: “Victor Hugo escreveu
que os sonhos de grandes homens
predizem o futuro.
Provas de Os Miseráveis (1856) corrigidas por Hugo. |
Eu estou firmemente convencido de que o que ele declarou — suas aspirações pela paz e respeito aos direitos humanos em uma era turbulenta, e sua busca, às vezes incerta, pela criação de novos valores — ainda persiste dois séculos depois: uma vigorosa força ativada por incontáveis indivíduos para elevar seu espírito e aumentar seu potencial.” |
Organizada em duas seções
principais, a exposição abrange a vida
de Victor Hugo e seus trabalhos, antes
e depois dos 19 anos exilado em Jersey,
seguida por uma série de painéis
relacionados ao contexto literário e
artístico do período Romântico,
abrangendo desde fotografias antigas
até roupas, cerâmicas e instrumentos
musicais. Estão também em exposição
objetos pessoais de dois dos grandes
colegas de Hugo, Alexandre Dumas,
pai (1802–1870), e o compositor
francês Hector Berlioz (1803–1869),
assim como pintores românticos do
período de Hugo, como Eugène
Delacroix.
Desenho de Hugo "Paisagem sob
três árvores" (1850). |
O Museu de Arte Fuji de Tóquio, a Casa Literária Victor Hugo e o jornal Assahi Shimbun são os patrocinadores da exposição. O ministério das Relações Exteriores do Japão e a Agência para Assuntos Culturais são os
patronos, em cooperação com 35 renomados museus e bibliotecas na França e no Japão. Os patronos da exposição na França são Christian Poncelet, presidente do Senado francês; Renaud Donnedieu de Vabres, ministro francês da Cultura e Comunicações; e Bernard de Montterraud, embaixador da França no Japão. Cerca de 400 convidados assistiram à abertura, incluindo Marie Hugo, presidente da Associação de Amizade Hugo. |
A exposição destaca 500 itens que
pertencem à Casa Literária Victor
Hugo e seis tesouros nacionais da
França, incluindo as provas de Os
Miseráveis, A Lenda dos Séculos e
Contemplações, exibidas no Japão pela
primeira vez. O legado desse escritor
francês é apresentado por manuscritos
originais, provas gráficas, fotografias,
outros pertences de escrita e muitos
dos seus excelentes desenhos. Retratos
dele feitos por artistas notáveis e
escultores de seu tempo, incluindo o
grande Rodin, também estão expostos.
Tudo isso poderá ser visto em Tóquio,
Hokkaido e Osaka.
Casa Literária Victor Hugo
"La Vierge des Moissons", primeira pintura religiosa de Eugène Delacroix. |
A Casa Literária Victor Hugo foi inaugurada em 21 de junho de 1991, em La Maison des Roches, nas cercanias de Paris. Casa que era apreciada e freqüentemente visitada por esse grande escritor e humanista, tornando-se uma celebração à sua vida e aos seus trabalhos, com vasta coleção de artigos históricos. |
Na casa, os visitantes descobrem que
Victor Hugo não se contentava
somente com seus ideais e visões, ele
buscava constantemente meios para
realizá-los, sobretudo no que diz
respeito ao seu propósito de
estabelecer os Estados Unidos da
Europa e de criar uma moeda única.
O acervo consiste em 4.500 peças
exclusivas: manuscritos, fotografias
originais, cartas, autógrafos e
publicações raras. Assim, é enaltecido o
espírito de Victor Hugo não como um
homem do passado, mas de nossa época,
que pode contribuir conosco agora e no
futuro. A Casa Literária também recebe
muitos estudantes, compartilhando com
eles essa visão humanística de Victor
Hugo. Muitos, a princípio, não estão
interessados em ler seus trabalhos, mas,quando aprendem sobre sua vida,
querem saber mais sobre sua obra.
Lotografia mostrando Hugo liderando os românticos do seu tempo. Benjamin Roubaud, c. 1830.
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Philipe Moine, diretor da Casa
Literária, escreve sobre a atual
exposição: “É seu espírito altruísta,
batalhador e generoso que, mais de 200
anos após seu nascimento, simboliza
Hugo e também dá uma idéia exata da
França, aos olhos de inúmeros admiradores de todo o mundo.”
As últimas palavras escritas por
Hugo, em 19 de maio de 1885, dias
antes de seu falecimento, Aimer, c'est
agir (Amar é agir), são por si só um
tesouro nacional da França e estão na exposição, fornecendo uma amostra
apropriada do que é a mensagem dessa ampla e inspiradora exposição.