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Abril/Junho
2005

Gente
Fazendo progressos
Carroll Holland, Canadá


Carroll diante do Tributo aos Direitos Humanos no Canadá.
Sou escritora e editora por profissão, e ativista social por instinto. Sou grata pelo fato de minha força interior, proveniente dos meus 21 anos de prática budista, ter me conduzido ao lugar certo, na hora certa, para melhor aproveitar minha determinação e capacidade de ajudar a criar um mundo mais justo.

Sinto-me privilegiada por fazer parte de duas iniciativas comunitárias que começaram em Ottawa, capital do Canadá, e que se tornaram importantes catalisadores para criar uma mudança sistêmica maior, em nível local e nacional.

No dia 3 de julho de 1986, eu era uma das 21 pessoas homossexuais reunidas em uma casa no centro da cidade que decidiram formar a Igualdade para Gays e Lésbicas em Todos os Lugares (Egale, na sigla em inglês). Buscávamos proteção para a nossa orientação sexual na Lei de Direitos Humanos do Canadá.

Após dez anos de esforços, o grupo intensificou seu trabalho de defesa da igualdade, expandiu seu escopo para incluir pessoas transgêneres e mudou seu nome para Egale Canadá.

Respondendo à violência

O assassinato de um jovem em 1989, planejado por seus assassinos contra a comunidade homossexual, exigiu que a polícia de Ottawa realizasse um trabalho de prevenção criminal nesse grupo de pessoas. O diálogo conduziu ao estabelecimento do Comitê de Ligação para a Comunidade de Gays, Lésbicas e Transgêneres (onde trabalhei durante muitos anos) e a planos de ação para lidar com os problemas identificados pela comunidade. Isso transformou o temor e a desconfiança da comunidade (baseados em experiências anteriores) em confiança baseada em um compromisso genuíno de trabalhar em parceria contra o crime de ódio, o molestamento escolar e outras preocupações.

Crimes de ódio não ocorrem por acaso. Por isso, são os crimes mais fáceis de se prevenir — por meio da educação e por sólidos parâmetros da comunidade com relação aos preconceitos.

Minha prática budista foi valiosa para ajudar a me manter calma e prosseguir todas as vezes que o trabalho estava sob o ataque de indivíduos dentro e fora da polícia (incluindo na mídia).

Agora, estou envolvida com um grupo comunitário que busca uma ação mais abrangente para o novo Museu da Guerra, no Canadá, programado para ser inaugurado este ano no centro de Ottawa. Queremos que o museu acrescente exemplos de esforços de solução de conflitos sem o uso da violência.

As relações de coração a coração, que são a essência do Comitê para uma Ação mais Abrangente do Museu da Guerra, de caráter não-político e multirreligioso, começaram espontaneamente após o diálogo “Uma Visão Inclusiva da Paz”, que reuniu cem pessoas em fevereiro de 2004.

Nossa iniciativa voluntária iniciada há um ano tem hoje apoio em todo o Canadá, além de um corpo de consultores. Nosso processo baseado no diálogo demonstra o tipo de interação humana necessária para criar uma paz genuína. Os próximos passos incluem uma página na internet (que tornará mais fácil manifestar o forte compromisso da nação para com a paz), um workshop sobre desarmamento e outras propostas de exposição para a área de exposições temporárias do museu, além de um evento público.

Nesse trabalho, estou também ciente dos outros projetos populares que ajudaram a criar o inspirador Tributo aos Direitos Humanos do Canadá, em Ottawa, inaugurado em 1990 (eu trabalhei como relações públicas nesse projeto). O arquiteto Melvin Charney projetou o Tributo para ser um diálogo com o Memorial Nacional da Guerra. Ambos se encontram na mesma rua, no centro de Ottawa.

Que caminhos seguiremos agora? O resultado depende de nós.

Iniciativas comunitárias que levam a partilhar a resolução dos problemas, à responsabilidade e à confiança (como no serviço policial), são cruciais para se conquistar dignidade, igualdade e direitos que definem a paz. Cada realização forja a esperança, opondo-se aos sentimentos prevalecentes hoje de desesperança e inércia.

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