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Abril/Junho
2005

Destaque
Educação de não-violência para jovens
Jill Strauss


O mundo parece ficar cada vez mais violento. Como educadora da paz, creio que se queremos que as pessoas se comportem de forma menos violenta, temos de dar conhecimento, capacitar e ensinar atitudes de não-violência. Os seres humanos são extremamente diversos em sua forma de pensar e de ser. A questão não é se haverá ou não conflito, mas como os seres humanos lidam com a diferença: de opinião, de crença, de história, de cultura etc. Uma não-violência ativa preocupa-se com o bem-estar de todos.

Os jovens deveriam saber quais são seus direitos e reconhecer que, como cidadãos globais, junto com seus direitos vêm as responsabilidades para o e pelo bem-estar dos outros. Eles também precisam aprender as habilidades, conhecimentos e atitudes para a resolução de conflitos que os ajudarão a transcender a mera tolerância aos outros e valorizar as diferenças e as similaridades entre eles e os outros. Com essas novas habilidades, serão capazes de administrar positivamente os conflitos que ocorrem como parte natural da vida e reconhecer que a violência não é inevitável, e que há alternativas não-violentas. Então, começarão a se ver como agentes positivos da transformação.

A educação para a paz acredita que tudo no mundo está inter-relacionado e interconectado. Neste sentido, a não-violência refere-se a agir e a refletir. A nãoviolência fala da transformação da pessoa e da sociedade. Como dizia Gandhi, “devemos ser a transformação se desejamos vê-la no mundo”. Durante o biênio 2003 e 2004, fui coordenador de um projeto de liderança juvenil que incluía um treinamento intensivo de seis semanas sobre educação para paz. Os jovens, entre 15 e 19 anos, vinham dos cinco condados da cidade de Nova York.

Mudanças reais

No final das seis semanas, os jovens adquiriram uma estima maior pelo outro e por suas crenças e etnias, valorizando tanto as similaridades quanto as diferenças. Eles também manifestaram um interesse real de encontrar e interagir com mais pessoas de cultura e retrospectos diversos. Escreveram ainda sobre uma maior conscientização do perigo dos estereótipos e dos preconceitos, e sobre a importância de questionar e de procurar entender. Isso envolvia a capacidade de ouvir para entender, em oposição a ouvir para responder. Uma outra habilidade aprendida foi falar e ser ouvido, tanto para defender os outros como a si mesmo. Disseram que isso em parte estava relacionado com a oportunidade de encontrar e interagir com muitos tipos diferentes de pessoas nos Estados Unidos e no exterior. Os temas discutidos durante o projeto e o encontro com tantas pessoas tornaram as questões globais relevantes, e os participantes puderam relacionar tudo isso com suas próprias experiências.

Em vez de procurar outros (pais, professores e colegas) para as respostas, eles começaram a olhar dentro de si
e a confiar em seus sentimentos e idéias.

Outros ainda descreveram os resultados do aprimoramento da capacidade para a auto-reflexão como um aumento da autoconfiança e da auto-estima. Em vez de procurar outros (pais, professores e colegas) para as respostas, eles começaram a olhar dentro de si e a confiar em seus sentimentos e idéias. Houve também uma compreensão maior de como um comportamento individual pode influenciar positiva ou negativamente numa interação ou uma situação. Saber como amenizar de forma não-violenta um conflito é encorajador e essencial para a construção da paz. Isso é desenvolver múltiplas perspectivas e reconhecer que há mais de uma forma de agir. A habilidade de “pensar fora da caixa” requer imaginação, habilidade para a solução dos problemas e o desejo de colaborar com os outros para um objetivo em comum.

Para muitos daqueles jovens, foi a primeira vez que sentiram que poderiam realizar mudanças efetivamente positivas. Com o treinamento para a não-violência e para a paz, aqueles jovens vieram a aprender que, embora os muitos problemas na sociedade possam parecer insuperáveis, cada um de nós tem o poder de empreender ações e criar o diálogo.

Jill Strauss é coordenadora de Educação para a Não-Violência do Templo da Compreensão, uma ONG global e inter-religiosa. Jill desenvolve programas de educação para a paz e esteve ativamente envolvida
nas relações de coexistência, inter-religiosidade e interetnicidade
no Oriente Médio.


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