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Cyber-ativismo não-violento
Felix Brann
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A não-violência, de forma alguma, limita-se a protestos físicos. Apesar da histeria da mídia sobre as táticas agressivas usadas pelos hackers e crackers, ela está muito viva na web. |
Um exemplo bem documentado de desobediência civil não-violenta e eletrônica é o caso da etoy.com e da etoys.com. Em 1995, um grupo de artistas conceituais europeus criou um website no endereço www.etoy.com. Em outubro de 1997, o www.etoys.com, uma loja de brinquedos online, abriu seus negócios — dois anos após a etoy.com ter registrado seu domínio e começado a colocar seu conteúdo no site. Em 1999, a www.etoys.com tornou-se público e um dos sites mais valiosos da internet, avaliado em 6 bilhões de dólares. Eles também comunicaram a www.etoy.com e reclamaram que a semelhança dos domínios estava confundindo os clientes e comprometendo a marca. Mais tarde, solicitaram aos clientes que haviam acessado o site dos artistas por engano que reclamassem da linguagem gráfica e das imagens lá. A essa altura, a www. etoys.com ofereceu comprar e nome “etoy”, mas seus proprietários se recusaram a vender. Assim, em setembro de 1999, a www. etoys.com moveu um processo contra a www.etoy.com.
O argumento era de que a www.etoy.com deveria desaparecer por haver um domínio similar, apesar do fato de ele ter sido registrado dois anos antes que a www.etoys. com. Uma corte da Califórnia sentenciou os operadores da www.etoy.com a pagarem uma multa de 10 mil dólares a cada dia que o website continuasse a operar com esse domínio.nio.
Protesto online
Muitas pessoas da comunidade online ficaram ultrajadas pelo fato do dinheiro e dos negócios importarem mais do que os direitos na internet.
A comunidade organizou (entre outros protestos) o que foi efetivamente um protesto digital. Eles lançaram um programa que, uma vez iniciado, fazia com que o computador acessasse repetidamente o site da www.etoys.com. Eles então encorajaram os que estavam a favor da www.etoy.com que baixassem o programa e o rodassem uma semana antes do Natal. Essencialmente, esse programa permitia que os usuários participassem de um “protesto virtual” não-violento, pois o ataque não danificava o site da www.etoys.com, ele simplesmente impedia as pessoas de acessá- lo enquanto continuasse o protesto. Se muitos manifestantes tentassem acessar a página, os clientes não poderiam acessar a página ao mesmo tempo e não poderiam fazer suas compras de Natal na www.etoys.com.
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Com alguns dias de protesto virtual, as ações da www.etoys.com começaram a cair. A www.etoys.com apresentou então uma ordem judicial contra um dos sites organizadores do protesto, mas sem sucesso. Finalmente, em 25 de janeiro de 2000, a www.etoys.com cedeu todos os direitos à www.etoy.com, após suas ações caírem 70%. |
Um grupo de ativistas organizou-se eletronicamente e protestou com sucesso na internet sem causar um dano permanente (apesar da queda das ações). É importante observar que, embora eles tivessem a habilidade técnica de causarem mais dano, escolheram não fazê-lo, mas confiar num senso de justiça maior e no amplo desejo de apoiar o “protesto virtual”.
Liberdade de expressão
O grande apoio a essa causa não foi propriamente devido à popularidade da www.etoy.com. Foi, sim, a reação da comunidade da internet à supressão da liberdade de expressão pela www.etoys. com. Foi também uma mensagem de indignação diante da idéia de um grande negócio dominando a cultura global.
Um elevado nível de motivação sociopolítica é uma característica comum nos protestos online e são questões parecidas que atraem a atenção dos ativistas online. Essas questões incluem o consenso quanto ao baixo nível de compensação pago às vítimas do desastre de Bhopal, o comércio de armas e a pena de morte.
O caso www.etoy.com não foi o primeiro exemplo desse tipo e certamente não será o último; as corporações e as organizações políticas agora começam a se conformar com o poder do ativismo popular pela internet e com um número cada vez maior de cyber-residentes.
Felix Brann é estudante de Ciências da Computação em Londres. |
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