Destaque
O poder dos jovens
Entrevista com Julia Kramer; da Rede de Desarmamento Nuclear BANg
O Ban All Nukes Generation (BANg) é uma rede criada por jovens europeus que promove a conscientização sobre a ameaça das armas nucleares e mobiliza jovens em ações nãoviolentas, estimulando a participação deles em movimentos para o desarmamento nuclear. Julia Kramer, da Alemanha, é uma das fundadoras.
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SGIQ: Poderia nos descrever a rede BANg e qual a visão dela? |
Julia Kramer: Em 2005, nas Nações Unidas (em Nova York), delegações de jovens de diferentes países participaram da Conferência de Revisão das Partes do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares pela primeira vez.
No final da conferência, que, aliás, fracassou, Giorgio Alba (Itália), Sophie Lefeez (França) e eu concordamos que deveríamos trabalhar juntos, mais próximos, na Europa, para elevar a conscientização antinuclear e tornar o continente livre das armas nucleares.
Em outubro de 2005, realizamos um encontro em Milão, na Itália. Havia pessoas de sete países da Europa, incluindo Belarus e Ucrânia, algumas de diferentes ONGs. Pensamos em formas pelas quais poderíamos nos unir para criar sinergia e começar em nossos próprios países a criar um mundo livre de armas nucleares. Também somos filiados aos Médicos Internacionais para a Prevenção da Guerra Nuclear (IPPNW). Temos hoje pessoas de 15 países.
Reunimo-nos ainda em Viena, durante a conferência do TNP, que se encerrou no dia 11 de maio deste ano; éramos em torno de trinta a quarenta jovens da Áustria, Alemanha, Belarus, Itália e Polônia. Chamamos de Programa de Ação dos Jovens BANg “Viena 007 — Licença para Desarmar” e lemos um discurso para os delegados da conferência.
Todas as manhãs, recepcionávamos os delegados com apresentações e mensagens escritas com giz. Além disso, fomos a escolas, onde realizamos workshops e distribuímos nosso DVD, “O Gênio na Garrafa Libertado”, para uso em campanhas de conscientização em workshops. Percebemos que é necessário ter paciência e não desistir. E também ter jovens agindo nessa questão. O problema é que muitas pessoas não conhecem o básico sobre armas nucleares. Mas, quando começamos a discutir o assunto, elas normalmente ficam muito interessadas.
SGIQ: O que é mais importante em uma campanha de conscientização?
JK: É criar uma imagem ou uma questão na mente. Não dizer que as armas nucleares são ruins e que precisam ser abolidas, mas levantar questões sobre elas. Esse é o aspecto mais desafiador, imaginar o assunto de uma perspectiva futura. Este também é meu objetivo pessoal na rede: fazer com que os jovens descubram formas de se capacitar e assumir a responsabilidade no futuro.
SGIQ: Como você levanta questões que parecem tão distantes de muitas pessoas?
JK: Os jovens dizem que conversar com os hibakusha é muito inspirador. As pessoas sempre se sentem muito motivadas e inspiradas. Nina Eisenhardt, da Alemanha, 16 anos, que estava conosco na conferência de revisão do TNP, em 2005, em Nova York, disse que o momento de maior reflexão para ela foi quando ouviu os testemunhos dos hibakusha na sala das ONGs. Então, ela percebeu que, na conferência principal, não estavam considerando realmente o aspecto humano da questão e que os delegados conversavam sobre suas políticas, como se fosse em um jogo de poder.
SGIQ: Como você decidiu se engajar nessa questão?
JK: Eu sempre me interessei pela paz e por questões sobre justiça social. Eu fiz o curso de Estudos da Paz na Universidade Bradford. Quando voltei para a Alemanha, tive a oportunidade de fundar uma ONG aqui, em que eu pudesse trabalhar nessa questão dentro de um contexto de movimento social. As pessoas nos movimentos pela paz estão se tornando mais velhas, e os jovens não estão envolvidos e não sentem que possuem seu próprio estilo de movimento.
Em um contexto mais amplo, penso que tenho um profundo amor pela vida e pela Terra. Sinto-me motivada a fazer coisas que sejam significativas, em vez de seguir apenas uma carreira.
Visite: www.bang-europe.org