Setembro
2007

Destaque
O confronto com uma ameaça comum
Sam Nunn

Sam Nunn é co-presidente e CEO da Iniciativa da Ameaça Nuclear. Ele atuou como senador de 1972 a 1997 e foi presidente do Comitê do Senado para as Forças Armadas. Este artigo foi retirado de sua declaração no Subcomitê sobre Políticas de Armas Nucleares, em 29 de março de 2007.

Em 1948, no amanhecer da era nuclear, o general Omar Bradley disse: “O mundo conquistou brilho sem sabedoria, poder sem consciência. Nosso mundo é de gigantes nucleares e de crianças na ética. Conhecemos mais sobre guerra do que paz, mais sobre matar do que viver”.

Se ele estivesse vivo hoje, talvez se surpreendesse por terem se passado 62 anos desde Hiroshima e Nagasaki sem o uso de uma arma nuclear. Mas esse fato não nos deve dar um falso senso de segurança de que isso permanecerá assim nos próximos 62 anos, ou mesmo nos próximos 20 anos.

Temos empreendido importantes esforços e com algum sucesso, mas, na minha opinião, o risco de uma arma nuclear ser usada hoje é crescente, não menor.

As boas novas são que o potencial de conflito entre as grandes potências, em particular entre os Estados Unidos e a Rússia, diminuiu dramaticamente. Embora ambos os países se mostrem relutantes em agir nesse sentido, partilhamos muitas preocupações quanto à segurança. As más novas são que ainda permanece uma ameaça nuclear potencialmente mortal: ambos os países ainda mantém ativas milhares de ogivas nucleares em mísseis balísticos que podem atingir seus alvos em menos de 30 minutos — um curto espaço de tempo para uma capacidade de lançamento quase instantânea que aumenta o risco de um míssil ser lançado acidentalmente, por algum erro ou de forma não autorizada. Conscientes da ameaça crescente e da erosão da confiança no poder de intimidação das armas, George Shultz, Bill Perry, Henry Kissinger e eu publicamos um artigo em janeiro no The Wall Street Journal [“Um Mundo Livre de Armas Nucleares”]. Acreditamos que chegamos a um perigoso ponto de nãoretorno na era nuclear e defendemos uma estratégia que melhore a segurança americana e a do mundo.

Quer o mundo reconheça isso ou não, estamos em uma corrida entre a cooperação e a catástrofe.


Painel de lançamento do míssil nuclear Minuteman III
Aqueles de nós que escreveram para o The Wall Street Journal e endossaram o artigo acreditam que, para tratar efetivamente essa nova e perigosa era, os Estados Unidos e a comunidade internacional devem abraçar a visão de um mundo livre de armas nucleares e buscar medidas cruciais para se chegar a esse objetivo. Acreditamos que, sem essa corajosa visão, as ações não serão percebidas como justas ou urgentes.

E, sem as ações, a visão não será percebida como realista ou possível.

Recomendamos vários passos específicos para ação, entre eles:

• Devemos assegurar que as armas nucleares e o material nuclear em todo o mundo tenham os mais elevados padrões de segurança.

• Devemos eliminar as armas nucleares táticas de curto alcance, as bombas que mais provavelmente seriam alvo de roubo ou compra por parte dos terroristas.

• Devemos controlar o processo de enriquecimento de urânio para produção de combustível nuclear civil, eliminar a produção de material físsil para as armas e eliminar o uso de urânio altamente enriquecido no comércio civil.

• Os Estados Unidos e a Rússia devem mudar a postura de Guerra Fria de suas armas nucleares e aumentar significativamente o tempo de advertência em ambos os países.

“Quer o mundo reconheça isso ou não, estamos em uma corrida entre a cooperação e a atástrofe.”

Quase vinte anos atrás, Ronald Reagan foi solicitado a identificar as questões mais urgentes nas relações internacionais. Em resposta, o presidente Reagan pediu à sua audiência que imaginasse como se “todos fossem ameaçados por um poder do espaço exterior, de um outro planeta.” Reagan então perguntou: “Nós não lutaríamos juntos contra essa ameaça em particular?” Após deixar a imagem sumir por um momento, o presidente Reagan chegou a esse ponto: “Temos hoje uma arma que pode destruir o mundo — por que não reconhecemos essa ameaça mais claramente e então nos juntamos com um único objetivo em mente: Como livrar o mundo dessa ameaça à nossa civilização e à nossa existência de forma segura, sadia e rápida?”

Se queremos um mundo mais seguro para nossos filhos e netos, nossa geração deve responder à pergunta do presidente Reagan.


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