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Abril / Junho
2007

Gente
Face a face
Koji Okumura, Japão


Em fevereiro de 2006, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, encontrou-se com o embaixador chinês no Japão, Wang Yi, para discutirem o fortalecimento da amizade entre os dois países. Como uma forma de atingir esse objetivo, enfatizaram a necessidade de ampliar os intercâmbios culturais e educacionais entre jovens, e o presidente da SGI propôs então que um grupo de jovens da Soka Gakkai visitasse novamente a China.

Na ocasião do encontro, as relações sino-japonesas poderiam ser descritas como frias. Embora nossos países compartilhem uma longa história, nossas relações caracterizam-se mais recentemente por conflitos que remetem à Segunda Guerra Mundial. Tais conflitos, exarcebados pela insensibilidade de políticos japoneses, vieram à tona em uma série de manifestações contra os japoneses, em 2005, na China.

Para mim e muitos japoneses preocupados com as relações entre os dois países, era uma situação frustrante. Assim, quando soube da proposta do presidente Ikeda para o intercâmbio de jovens, imediatamente decidi participar.

Eu nunca tinha estado na China antes mas, quando entrei no avião, senti que nosso grupo de intercâmbio, com 200 pessoas, poderia realmente ajudar a mudar as atuais relações sino-japonesas. Senti a forte determinação de que esses 200 participantes seriam capazes de difundir uma correta concepção deste país para um público ainda maior no futuro.
Ao chegar na China, senti um grande entusiasmo, mas também receios. Os acontecimentos políticos recentes tornavam óbvio o grande desentendimento entre nós. Na verdade, nunca havia interagido com o povo chinês e devo admitir minha pouca compreensão da China.

A tragédia da desconfiança

Sem um contato mais próximo, pode-se naturalmente formar conceitos baseados em suposições, muitas vezes influenciadas pelos aspectos negativos predominantes. Somente quando encontramos face a face com as pessoas podemos ver como elas realmente são. Penso que isso descreva a tragédia da desconfiança nas duas partes de uma relação.

Fiquei comovido com esses pensamentos quando, por exemplo, visitei um museu da guerra em Beijing. Havia cenas chocantes de carnificinas conduzidas pelas tropas japonesas. Os integrantes de nosso grupo sentiram uma grande tristeza diante dessa trágica história. Muitos estudantes chineses visitavam a exposição. As crianças também estavam emocionadas e algumas delas choravam. Mas, quando um integrante de nossa delegação ofereceu seu lenço a uma das crianças que chorava, ela recusou, dizendo que não queria o lenço de um japonês.

Felizmente, esse tipo de reação não foi freqüente em nossa viagem. Sempre que iniciávamos um diálogo com as pessoas, todas as desconfianças se dissipavam. Tínhamos o sentimento de que, embora trágicos acontecimentos tivessem ocorrido no passado, somos sobretudo vizinhos, com milhares de anos de história comum. Percebi que, com o diálogo, não há obstáculo para a compreensão mútua.

Durante um encontro com alunos da Universidade de Peking, por exemplo, a atmosfera estava tensa no início. Assim que iniciamos o diálogo, os alunos nos confrontaram com as ações aparentemente anti-chinesas por parte de políticos japoneses. Entretanto, conforme conversávamos, os sentimentos foram abrandados e, ao final, os jovens de ambas as partes saíram com uma forte determinação de ajudar a construir a amizade sino-japonesa.

Acima de tudo, apenas o fato de estar entre chineses e em seu ambiente — em pé na grande extensão da Praça Tiananmen; comendo iguarias nas barracas locais todas as noites; vendo as correntezas de bicicletas circulando pelas ruas e sentindo a imensa energia dos chineses —, proporcionou a mim uma preciosa intimidade com a vida das pessoas comuns da China.


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