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Abril / Junho
2007

Ao Redor do Mundo
SGI África do Sul: Saudando o amanhecer
David Le Page


A época em que as pessoas começaram a conhecer o Budismo Nitiren na África do Sul foi talvez a mais obscura na história do país. A década de 1980 viu o conflito entre o governo racista e aqueles que lutavam pela democracia alcançar novos níveis de violência e ódio. Por todo o país, nas cidades onde a maioria dos negros era obrigada a viver sob o sistema de apartheid, a violência política era freqüente. Estudantes e pessoas comuns lutavam por mudanças e enfrentavam uma repressão brutal da polícia e do exército, bem como dos sombrios grupos de extermínio.

Naquela época, era difícil imaginar que liberdade, paz, democracia e justiça poderiam se concretizar. Apesar disso, um pequeno grupo começou a se consolidar por volta de 1985, após alguns associados da SGI-Reino Unido terem se mudado para a África do Sul e moradores locais, como os atuais coor-denadores nacionais masculino e feminino, Jonny Blundell e Jane Roach, terem sido apresentados ao budismo nos Estados Unidos.

A primeira reunião nacional foi realizada no dia 3 de maio de 1987, em Joha-nesburgo. Logo, pequenos grupos foram criados na Cidade do Cabo e Durban, cidades costeiras dos Oceanos Atlântico e Índico.

No começo, a maioria dos associados eram brancos e da classe média. Mas, com a libertação de Nelson Mandela da prisão em 1990, as transformações se aceleraram. Uma onda de imigrantes de Taiwan foi rapidamente seguida por um aumento de associados negros. Nos últimos anos, ao mesmo tempo em que cresce a importância da África do Sul como economia emergente no continente, outra onda de novos associados se verifica: pessoas vindas dos vários países da África. A SGI-África do Sul se tornou tão diversa quanto o próprio continente africano, com reuniões realizadas em casas que iam de mansões urbanas a cabanas humildes.

Senso de missão

A organização foi apoiada desde o início pela SGI-Reino Unido, liderada pelo então diretor-geral Richard Causton. Ele e seu sucessor Ricky Baynes realizaram várias visitas para apoiar os cursos de estudo e oferecer orientações e incentivos aos associados novos na fé.

Um dos pontos fundamentais para fortalecer nosso senso de missão pela paz na África do Sul foi realizar reu-niões simultâneas de recitação do nosso mantra no Reino Unido, Irlanda e África do Sul todos os meses. Iniciadas pelo Sr. Causton em 1989, essas reuniões prosseguiram por quase 15 anos. Durante esse período, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, encorajou o pequeno número de associados da África do Sul com mensagens de entusiasmo e apoio. Pouco depois da libertação de Nelson Mandela da prisão, ele e o presidente da SGI se encontraram em Tóquio e dialogaram. Mandela havia lido sobre o presidente Ikeda enquanto estava na prisão e expressara o desejo de se encontrar com ele. Os dois se reencontraram em julho de 1995.

Atualmente, a SGI-África do Sul tem por volta de 400 membros, espalhados por Johanesburgo, Cidade do Cabo e Durban. Recentemente, várias pessoas também iniciaram o movimento da SGI na Província de Mpumalanga, no nordeste.

Uma luta contínua

A África do Sul conquistou democracia e estabilidade, mas não necessariamente a paz. Os índices de criminalidade são altos, assim, reuniões à noite são normalmente evitadas por questão de segurança. Mais de cinco milhões de pessoas (a população total é de 45 milhões) estão infectados com o vírus do HIV, e perto de dois milhões já morreram por causa da doença. Xenofobia em relação aos imigrantes africanos é outro problema. Apesar de muitos empregos terem sido criados por uma forte, mas desigual economia nos últimos anos, a taxa de desemprego continua absurdamente alta, em 26%, e o país continua a enfrentar extremos de riqueza e pobreza. Todos esses problemas afetam nossos membros, que trabalham com grande coragem para vencerem suas dificuldades em suas comunidades.

A África do Sul é um país vasto: voar de Johanesburgo até Cidade do Cabo leva duas horas. O transporte público freqüentemente não é confiável ou seguro. Ir ou voltar de reuniões apresenta grandes dificuldades para muitos de nossos associados.

Somos também uma nação diversificada, com não menos que onze idiomas oficiais. Diferentes línguas e padrões variados de educação freqüentemente tornam difícil expressar adequadamente a essência do Budismo Nitiren. Estamos realizando um progresso, aos erros e acertos, na tradução de alguns textos principais para línguas africanas, como a xhosa e o africâner.

Em 2001, a SGI-África do Sul se tornou uma organização oficialmente constituída, sob a liderança da atual diretora-geral Loren Braithwaite. Pouco tempo depois, inauguramos nossa primeira sede em um antigo clube de boliche na grama, situado em meio a um subúrbio verdejante do nordeste de Johanesburgo.

A SGI-África do Sul tem trabalhado duro nos últimos anos para desenvolver a compreensão das pessoas sobre o Budismo Nitiren e os diálogos e trabalho pela paz do presidente da SGI, Daisaku Ikeda.
Em 2002, a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento foi realizada em Johanesburgo, e a SGI-África do Sul organizou uma exposição sobre a Carta da Terra, acompanhada da apresentação do documentário “Uma Revolução Silenciosa”. Dentre os 15 mil visitantes da exposição, incluíam-se o presidente sul-africano Thabo Mbeki e o então primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi. A exposição foi promovida pela Iniciativa da Carta da Terra e incluiu fotos da natureza tiradas pelo presidente da SGI, Daisaku Ikeda. De um total de 600 exposições, ela ganhou o terceiro lugar dos organizadores da conferência na categoria “Exposições Independentes”.

Em 2004, a Exposição “Gandhi, King, Ikeda” foi montada em Johanesburgo e na Cidade do Cabo e um de seus promotores, o Dr. Lawrence Carter, da Faculdade Morehouse, nos Estados Unidos, a visitou para participar dos eventos relacionados. Dentre eles estavam workshops sobre não-vio-lência para estudantes, organizados junto com outros grupos civis de construção da paz.

Uma página marcante na história da África do Sul foi escrita por Mohandas (“Mahatma”) Gandhi e seus companheiros. Gandhi viveu na África do Sul de 1893 até 1914, período no qual desenvolveu os princípios da resistência pela não-violência, posteriormente utilizada na luta pela independência na Índia. Setembro de 2006 marcou o centenário do início do movimento satyagraha (não-violência) em Johanesburgo. A SGI-África do Sul e o Conselho Gandhi pelo Desenvolvimento realizaram eventos comemorativos em Johanesburgo e Cidade do Cabo.

A SGI-África do Sul está se desenvolvendo continuamente, vendo crescer sua auto-confiança entre os membros e aumentando os encontros vibrantes dos quais surgem a música e as vozes dos verdadeiros bodhisattvas sul-africanos.


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