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Outubro
2006

Gente
Um espírito combatente
Sam Greene, EUA

Pratico o budismo com a minha família em Los Angeles. Cresci em uma casa grande e minha vida era ótima. Eu sempre fui uma grande fã dos esportes e comecei a levar a sério o futebol aos 11 anos.

Por volta dessa época, meus pais se divorciaram, e me mudei para uma casa bem menor. Minha mãe tinha de trabalhar o dia inteiro e a vida parecia muito difícil.

O futebol foi um grande incentivo para mim. Os pais dos meus amigos freqüentemente nos levavam para assistir aos jogos enquanto minha mãe trabalhava. Contudo, vivi diversas experiências em circunstâncias que até então considerava injustas. Algumas meninas do meu time de futebol sempre tinham o tênis mais novo e mais caro, e duas delas tinham até um pequeno campo de futebol no quintal de casa. Era um esforço árduo para minha mãe conseguir dinheiro todo mês para as taxas e despesas dos torneios.

Como minha mãe trabalhava o dia todo, não conseguia estar presente em muitas das minhas competições. A vida então se tornou realmente triste quando meu pai foi preso por sonegação de impostos. Eu me tornei ainda mais nervosa e confusa.

O técnico de nossa equipe, George, começou a me dar um treinamento particular. Como eu, ele tinha um pai que fora preso quando estava no ensino médio. Acreditei muito nele e, então, ele foi demitido. Fiquei arrasada, mas continuei recitando o mantra budista para encontrar uma solução.

Minha mãe e eu encontramos um novo time a uma hora e meia de carro de nossa cidade. Mas, com a ajuda de diversos integrantes de nossa comunidade da SGI, que voluntariamente me levavam quando minha mãe estava trabalhando, passei a ser uma jogadora valiosa para a equipe.

Só o fato de ter entrado nesse time parecia um milagre. Tinha um trabalho árduo pela frente. Após desfalcar meu time ao receber um cartão vermelho e não poder jogar em duas partidas importantes da liga, percebi que precisava rever minha ira. Minha mãe me incentivava com histórias sobre Roberto Baggio, o grande jogador de futebol Italiano que é também um associado da SGI. Ela citava o presidente Ikeda e Nitiren Daishonin para elevar minha auto-estima e confiança.


Sam (ao centro) jogando como
seu time, o Camarillo Eagles.

Comecei a recitar o mantra budista antes dos jogos e a fazer diferença no meu time. Eu me sinto mais confiante quando recito antes de jogar. Sei que tenho feito o melhor e que nada impedirá minha vitória. Sinto que compreendo melhor as pessoas e situações, e não me permito ser afetada ou ficar desanimada pelo humor dos juízes, de outros jogadores ou do meu técnico.

Nosso grande desafio foi o campeonato nacional. Meu time era o azarão, e eu freqüentemente me sentia a pobre coitada. Porém, com trabalho árduo e um espírito de jamais desistir, ganhamos o campeonato nacional na Flórida em 2004. Apesar de minha mãe não ter comparecido, ela acordava às 6 horas para recitar no mesmo horário que eu, todos os dias. Meu time também ganhou o prêmio Fair Play e cada um de nós recebeu uma placa de reconhecimento do Estado da Califórnia. Todo o meu time sabe sobre a minha filosofia budista e até me incentivam a recitar antes de bater um pênalti ou em um jogo importante.

Recentemente, meu pai foi libertado da prisão e pôde vir aos meus jogos, e passou a ajudar minha mãe financeiramente. Isso teve um grande impacto em minha confiança e em meus jogos.

O futebol me ensinou a ter espírito de equipe, saber escutar e aceitar as diferenças. Também me ensinou a jamais deixar de acreditar em mim mesma. Aos 16 anos, tenho sorte de ter uma paixão que é também uma maneira de me manter longe de problemas, de viajar e conhecer novos lugares. Recentemente, fiquei supresa ao ser considerada a jogadora do ano pela Liga Oceânica de Futebol Feminino da Califórnia. Espero ingressar em uma boa faculdade para um dia jogar pelo meu país e me tornar uma pessoa que contribuirá para o mundo como professora.


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