Edições Anteriores
Julho
2006

Gente
Tudo pelo mar
Peter Morris, Reino Unido

Nasci em Birmingham, centro da Inglaterra — o mais longe possível do mar que alguém possa estar em uma pequena ilha. Apesar disso, sempre fui fascinado por tudo que tivesse relação com o oceano.

Quando tinha 16 anos, minha família mudou-se para a costa sudoeste da Inglaterra e, pela primeira vez, eu tinha o mar na porta de casa. Entrei para um clube de mergulhadores. Dois dos membros do clube eram gêmeos e foram aceitos para estudar Biologia Marinha em uma universidade no norte do País de Gales. Lembro-me de pensar que se existisse algo que eu mais queria no mundo, era entrar para essa universidade e fazer o mesmo, estudar Biologia Marinha.

Sonhando mais alto

Mas aquilo era um sonho impossível. É necessário obter três notas “A” para entrar em uma universidade no Reino Unido, e minhas notas na escola sequer eram “B”. Meus professores me consideravam fraco. No ano seguinte, nos mudamos para Brighton, e por sorte consegui um emprego no Aquário de lá. Conheci então um homem que havia começado naquela época seu próprio negócio, importando peixes de recifes de corais para o Reino Unido. Ele me ofereceu um emprego e também me apresentou o motorista de seu caminhão que, por sua vez, introduziume no Budismo Nitiren. Embora achasse que era bom demais para ser verdade, experimentei recitar Nam-myohorengue-kyo, e logo obtive comprovações de sua eficácia.

Então, após um ano recolhendo peixes em recifes de corais nas Índias Ocidentais, um trágico naufrágio me fez ter de começar tudo de novo. Mudei-me para Londres. Um problema: não há mar em Londres e, em 1972, não havia aquário também. Então, passei cinco anos trabalhando como salva-vidas em uma piscina. Não me sentia triste, mas não estava realizado. Seguindo o conselho de um experiente amigo budista, comecei a recitar aquele mantra para encontrar um sentido em minha vida. E rapidamente percebi que era trabalhar com o mar. Mas como?

Um outro amigo me incentivou a matricular- me em Biologia Marinha no norte do País de Gales. Não tendo nada a perder, eu me matriculei e fiquei muito surpreso ao descobrir que aquela universidade disponibilizava um ano intermediário para pessoas que tinham duas qualificações “A” em vez de três, como era exigido. Eles nunca haviam tido alguém antes que não possuísse as três qualificações, mas aceitaram-me! Em outubro de 1978, com 26 anos de idade, ingressei na universidade. Esse foi um dos momentos mais gratificantes de minha vida. Graduei-me em Biologia Marinha e Botânica, em 1982.

Ousado por natureza, logo em seguida, durante uma reunião budista, afirmei que trabalharia como biólogo marinho em Londres. Mas ainda não havia mar nem aquário em Londres.

Eu me candidatei a 50 empregos e acabei trabalhando em uma lanchonete, mas jamais desisti do meu sonho e me esforcei para ser o melhor funcionário de lanchonete do mundo. Em março de 1985, li em um anúncio de emprego: “O Jardim Botânico Real de Kew, em Londres, pretende desenvolver uma coleção de plantas marinhas.”

Duzentas pessoas se inscreveram para o cargo de biólogo marinho em Kew, mas eu sabia que aquele emprego era meu. Comecei a trabalhar em junho de 1985. O curador-assistente disse-me: “Queremos um aquário de algas marinhas vivas, mas não temos a menor idéia de como fazê-lo. A maioria dos especialistas em algas diz que isso não é possível, então, dê um jeito de realizá-lo.” Eles me deram total liberdade para isso.

O trabalho ideal


Projetei um aquário mostrando importantes habitats de plantas de mares temperados e mares tropicais. Temos recifes de corais, plantas de manguezais, costas rochosas, florestas de algas, piscinas de pedras, leitos de grama marinha e mostras de mar aberto, tudo muito pequeno, mas mostrando as plantas e animais que naturalmente viveriam ali. Temos também uma exposição de fitoplâncton em 3D mostrando as plantas microscópicas do mar — incrivelmente importantes — que fornecem 50% do oxigênio do planeta.

A exposição marinha de Kew é utilizada de diversas maneiras por nossos visitantes que se admiram com maravilhas do mundo marinho, por escolas de ecologia costeira e ainda por cientistas que realizam pesquisas.

Desde o início, meu principal objetivo era de que o aquário marinho trouxesse alegria e admiração à vida das pessoas. Pelas pesquisas feitas com os visitantes de Kew, parece que ele faz exatamente isso.


Textos e imagens pertencentes à Associação Brasil SGI. Direitos Reservados.