Edições Anteriores
Destaque
Uma cura para a divisão entre o planeta e o eu
Deborah Du Nann Winter
|
Se você for como eu, sabe que o planeta está com problemas, mas continua a agir de maneira que o prejudica. A crença de que nossa civilização está perdendo o controle e ruma para um desastre ambiental é aceita pela maioria dos cidadãos, pelo menos de forma subliminar. Enquanto os especialistas continuam a discutir os detalhes de quanta erosão do solo, aquecimento global, buraco na camada de ozônio, poluição da água e do ar e desmatamento ocorre e em que ritmo, o público em geral está dolorosamente ciente dessa crise iminente. Por não compreendermos como integrar essa conscientização em nosso dia-a-dia, vivemos em um estado esquizóide de ansiedade e de preocupação nociva a respeito de nosso futuro. Mas continuamos a agir como sempre. |
Em 1992, mais de 1670 renomados cientistas, incluindo 100 ganhadores do Prêmio Nobel, assinaram a Advertência dos Cientistas do Mundo à Humanidade, chamando a atenção pública para as “atividades humanas que infligem danos severos e geralmente irreversíveis ao meio ambiente e aos recursos naturais”. O público está alerta, mas a vida diária continua inalterada. Uma das razões pelas quais mantemos essa divisão é que assumimos que os problemas ambientais são de caráter técnico e requerem soluções técnicas, e deixando essa preocupação aterrorizante para um pequeno grupo de engenheiros, esperando que encontrem respostas antes que seja muito tarde. Mas, de fato, nosso problema ambiental é psicológico em sua origem: eles se acumularam devido ao comportamento, pensamentos, crenças e sentimentos que os seres humanos possuem e continuam
a reiterar. Assim, as soluções necessitarão de transformações psicológicas — mudanças na forma como nos vemos, em nosso relacionamento com a natureza e mesmo no propósito que damos à vida. Precisamos investigar as correntes psicológicas para ver que percepções elas podem ter sobre como mudar nosso atual comportamento e direção.
“...as soluções necessitarão de
transformações psicológicas — mudanças
na forma como nos vemos, em nosso relacionamento com a natureza e mesmo
no propósito que damos à vida.”
|
|
Aprendendo com a experiência
Uma das formas de manter a divisão entre o planeta e o eu é não agindo como devemos. A educação é tradicionalmente conduzida nessa linha. Ação e ativismo não estão incluídos entre as características-chave da educação, pelo receio de que façamos de nossas crianças robôs ideológicos. Entendo a importância de considerar nossas ações cuidadosamente antes de empreendêlas. Mas também acredito, como John Dewey, que não compreendemos realmente uma idéia até aplicá-la. Aprendemos mais sobre uma idéia a partir da experiência, especialmente se permanecemos diligentemente abertos às respostas de nossa experiência. A inação assegura que tudo permaneça o mesmo; a ação nos transforma e também transforma nosso mundo. Algumas vezes erramos, mas não aprendemos a menos que estejamos prontos a cometer erros.
Não importa quais ações você decida empreender, tornar-se consciente de seu comportamento, pensamentos, sentimentos e consciência facilitará significativamente a curar a divisão entre o planeta e o eu. Mas você não poderá fazer nada ao planeta ou para si até começar. Permitirmo-nos cair em desespero é o caminho mais destrutivo, pois mina nosso próprio crescimento e maturidade e assegura um resultado planetário que justifica nosso desespero. Assim como a ação nos ajuda a confrontar melhor nossos sentimentos de sermos subjugados, também nos ajuda a confrontar o desespero. É essencial prosseguir com gentileza, com convicção, paciência, perseverança e, acima de tudo, com confiança: confiança em si e no todo interconectado da natureza que abraça você.
Deborah Du Nann Winter ensina Ecopsicologia na Faculdade Whitman, em Walla Walla, estado de Washington, EUA. Ela é autora de Ecological Psychology: Healing the Split Between Planet and Self.
|