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Ao redor do mundo
Fortalecendo as interconexões: as ações da SGI em prol do engajamento ambiental

Macacos sauim-de-coleira: alvo dos esforços de
preservação no Cepeam
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Em 1995, a SGI adotou uma carta como parâmetro para o desenvolvimento futuro de suas organizações-membro. Ela estabelece o âmbito específico das atividades da SGI quanto aos problemas do mundo. Inicia-se com uma avaliação sensata do impacto das atitudes e ações humanas em nosso planeta: |
“O egoísmo e a negligência do homem causaram problemas globais, como a degradação do meio ambiente e os abismos econômicos cada vez maiores entre as nações desenvolvidas e em desenvolvimento, com sérias repercussões para o futuro da humanidade.”
Prosseguindo, afirma-se:
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“Acreditamos que o Budismo Nitiren, filosofia humanística de infinito respeito pela dignidade da vida e de benevolência que abrange tudo, capacita os indivíduos a cultivar a sabedoria e a criatividade do espírito humano para vencer dificuldades e crises que a humanidade enfrenta, dando origem a uma sociedade de coexistência pacífica e próspera.” |
Pode-se descrever três níveis por meio dos quais os membros da SGI procuram contribuir para melhorar essa situação baseada na prática budista e no envolvimento nas atividades da SGI: o filosófico, o pessoal e o organizacional.
Interdependência
No nível filosófico, o budismo ecoa e expande a percepção em que “todas as coisas estão ligadas”. O desejo de reconhecer e fortalecer os elos entre o corpo e o espírito, o eu e o ambiente e o eu e os outros é vital no Budismo Nitiren. Entre os conceitos-chave, incluemse o da inseparabilidade do ser e seu meio ambiente (esho funi), o da inseparabilidade do corpo e da mente (shiki shin funi) e aquele que talvez seja o princípio fundamental do budismo, o da origem dependente (engui). Tudo está relacionado. Essa interdependência é visível na natureza, nas relações entre o indivíduo e a sociedade, entre pais e filhos e assim por diante.

Estudantes se divertem com um jogo
relacionado à exposição “Sementes da
Mudança” na Itália.
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Budistas ou não, quando somos conscientes dos nossos interrelacionamentos e os prezamos, e quando valorizamos também como nossa vida é sustentada pelo sol, pelas árvores, pela água e pelo ar e pelas ações de outras pessoas em países distantes e pelas que estão em casa, desenvolvemos gratidão, benevolência e a responsabilidade de conduzir uma vida contributiva. |
A consciência dessa interdependência é um elemento-chave na filosofia educacional de Tsunesaburo Makiguti, fundador da Soka Gakkai em 1930. Ele acreditava que as crianças deveriam passar metade do dia fora dos confins das escolas, engajadas em aprender ou ajudar a comunidade local com suas atividades. Hoje, nas escolas Soka, os jardins são uma característica importante, onde se realizam atividades para cultivar o apreço pelo ambiente e comunidade. Nas escolas Soka de Kansai, por exemplo, alunos e professores criaram habitats próprios para vaga-lumes e reintroduziram esses frágeis insetos nos ecossistemas locais investindo anos de trabalho.
Capacitação pessoal
Estudantes das escolas Soka liberam larvas de
vaga-lumes em um riacho
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Um segundo nível no qual os associados da SGI se empenham em melhorar a situação no planeta é o pessoal. Muitos associados da SGI em todo o mundo desenvolveram iniciativas relacionadas a um modo de vida sustentável e à proteção ambiental em suas comunidades ou locais de trabalho. |
O termo “revolução humana” é comumente usado na SGI para descrever uma mudança positiva no caráter de um único indivíduo, o que pode influenciar sua comunidade e, em última análise, o mundo todo. Essa perspectiva demonstra total otimismo pelo qual mesmo uma única pessoa comprometida e inspirada pode iniciar um processo global de mudança.
Essa mensagem é expressa em dois importantes recursos que a SGI desenvolveu para elevar a conscientização sobre desenvolvimento sustentável: o documentário “Uma Revolução Silenciosa”, produzido pelo Conselho da Terra, e a exposição “Sementes da Mudança: A Carta da Terra e o Potencial Humano”, criada pela SGI em parceria com a Iniciativa da Carta da Terra.
Todos os que têm a oportunidade de conhecê-los sentem-se fortalecidos e inspirados pelas possibilidades de mudança, em vez de ficarem deprimidos pela escalada da crise que assola a Terra. Conforme Wangari Maathai declara no filme: “Às vezes, digo a mim mesma que posso apenas estar plantando uma árvore aqui, mas imagine o que acontecerá se bilhões de pessoas lá fora estiverem fazendo o mesmo... simplesmente imagine o poder de nossas ações.”
Iniciativas organizacionais
Centro de Pesquisas Ecológicas da Amazônia
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Um terceiro nível de atividade é reunir os esforços nas organizações da SGI em âmbito local ou nacional. Com relação ao meio ambiente, as organizações da SGI ao redor do mundo empreendem esforços como atividades de limpeza ou programas regulares de plantio de árvores, refletindo o compromisso da Carta da SGI para promover, “com base no ideal budista de simbiose, a proteção da natureza e do meio ambiente”. |
Desde 1992, quando se realizou no Brasil a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como a Eco’92, os membros da SGI vêm atuando nesse sentido. O Centro de Pesquisas Ecológicas da Amazônia (Cepeam), localizado nas proximidades de Manaus, às margens do Rio Amazonas, foi fundado logo após a conferência. Entre as suas atividades estão o reflorestamento, a educação ambiental, proteção de espécies animais ameaçadas e o estabelecimento de um banco de sementes para coleta e preservação de sementes de árvores da Amazônia.
Associados da SGI-Austrália
durante o plantio anual em
reserva florestal
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Desde 1997, as organizações da SGI em mais de 20 países promovem a Carta da Terra como um conjunto de valores comuns que podem ajudar a criar a base de um modo de vida sustentável. No Canadá, o Comitê da Carta da Terra dos Jovens da SGI de Vancouver foi homenageado pela prefeitura por suas contribuições à proteção do meio ambiente local. Em Taiwan, grupos da SGI apresentaram a exposição “Sementes da Mudança” em mais de 100 localidades, uma das primeiras iniciativas comunitárias após a epidemia da Sars. Na Itália, os “Fóruns Juvenis da Carta da Terra”, iniciativa inovadora, incentivam as pessoas a lidar com os assuntos relacionados a elas, como racismo e violência em suas comunidades, e a clamar pela mudança. |
Também como preparativo para a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável de 2002, representantes da Soka Gakkai do Japão propuseram a Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, durante um fórum de ONGs realizado com o objetivo de reunir idéias para a conferência. A proposta foi aceita pelo governo japonês e enviada à conferência, antes de ser aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em dezembro daquele ano. A década teve início em 2005. Em sua proposta para o decênio, o presidente da SGI escreveu: “Nada é mais crucialmente importante hoje do que uma educação humanística que possibilite às pessoas sentirem a realidade da interdependência, para apreciar o infinito potencial da vida de cada um e cultivar ao máximo o potencial humano.”
De muitas formas, enquanto trabalham para proteger o meio ambiente local e construir relações humanas harmoniosas, os associados da SGI no mundo todo se empenham para viver de modo a criar o máximo de valor, enaltecendo conscientemente os recursos do nosso planeta.