Desastres naturais, insegurança e o sentimento de estar isolado causam um profundo ferimento nas pessoas e podem paralisar a sociedade. A esperança é essencial à vida, assim como o alimento e a água. A fé em si mesmo e no futuro auxilia o indivíduo a enfrentar os desastres e conflitos.
Como muçulmano e vivendo no Oriente Médio — uma região fervendo de instabilidades, muitos preconceitos e ódio —, mesmo assim, encontro muita vida e amor. Graças a uma perspectiva cultural de que somos testados na vida por meio de várias espécies de dificuldades. Culturalmente, os muçulmanos aceitam o que lhes acontece e agradecem a Deus, considerando tudo uma vontade divina — uma oportunidade para nos examinarmos e desenvolvermos paciência, com a consciência de que o sofrimento de uma pessoa sempre pode ser maior.
Diante de um desastre, uma pessoa pode tanto ficar com raiva e amargurada, como exercitar sua paciência e aceitação ou — a resposta mais elevada e conscienciosa — sua gratidão e apreço. Sem uma forte fé, a pessoa é mais facilmente derrotada e torna-se incapaz de produzir a esperança necessária para transformar a vida e irradiar luz para o mundo. O que acontece em nosso mundo enlouquecido não deve fazer com que percamos a esperança. Antes, deve nos incentivar a criar um mundo mais justo, um mundo livre de egoísmo.
A vida é sempre valiosa e há muitas coisas que nos deixam alegres, mesmo em meio às circunstâncias mais difíceis. Hoje, rodeados de agonia e dor, não temos escolha a não ser nos abastecermos de paciência e esperança que nos conduzirão à margem mais segura do lago.
“Três grandes fatores essenciais para
a felicidade na vida são: algo para fazer, alguém para amar e algo por esperar.” — Joseph Addison
“A esperança é a companheira do
poder e a mãe do sucesso; pois aquele
que tem uma forte esperança tem dentro
de si o dom do milagre.” — Samuel Smiles
“A esperança está sempre disponível
dentro de nós. Quando nos sentimos derrotados, precisamos apenas respirar
fundo e dizer ‘sim’, e a esperança reaparecerá.” — Monroe Forester
“Agarre-se aos sonhos pois, se os sonhos morrerem, a vida será como um pássaro com uma asa quebrada, que não pode voar.” — Langston Hughes
Esperança pela natureza humana Hazel Henderson
Acredito que a esperança seja uma atitude que devemos cultivar, entre outras: gratidão, confiança, convicção, cooperação e fé no maravilhoso despertar da vida na Terra.
Tenho fé no desenvolvimento humano e em sua maturação rumo a uma sabedoria maior. Nós, seres humanos, usamos apenas 10% de nossa capacidade cognitiva. Da mesma forma, nossa capacidade emocional para a empatia e a colaboração também são enormes.
Recentemente, juntei-me a um grupo de pesquisadores que estão reavaliando a obra do cientista britânico Charles Darwin (www.thedarwin project.com). Eles estão descobrindo como as teorias de Darwin foram distorcidas pelas elites da Grã-Bretanha vitoriana, que as transformaram em teorias cínicas da “sobrevivência do mais adaptado” e da competição pelos recursos e territórios. Essa doutrina do “darwinismo social” tornou-se um dos pilares da economia de mercado, com sua visão de que a “natureza humana” era basicamente egoísta e competitiva.
Os novos pesquisadores de Darwin, incluindo David Loye e sua Darwin´s Lost Theory of Love (A Teoria do Amor Perdida de Darwin), agora corrigem esse erro. Darwin mencionou “a sobrevivência do mais adaptado” somente umas poucas vezes, mas enfatizava constantemente que o verdadeiro gênio humano era sua habilidade de unir-se, confiar uns nos outros, cooperar e amadurecer no altruísmo.
Essa nova visão da natureza humana, acredito, é correta e simples e implica repensar os currículos das faculdades de Economia e Administração, equilibrando seu foco para a competição e o egoísmo com a cooperação e nossa capacidade para o altruísmo.
Eis aí as novas bases para a esperança!
Ziyad Alawneh é jordaniano,especialista em desenvolvimento sustentável e ativista ambiental. Atualmente, ele é coordenador do Projeto de Administração Integrada dos Recursos Hídricos, do governo jordaniano. Hazel Henderson é futuróloga independente, colunista e consultora em Desenvolvimento Sustentável em 30 países.Também é autora de vários livros, entre eles Construindo um mundo onde todos ganhem.
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