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Janeiro/Março
2006

Ao Redor do Mundo
Criando uma base para a paz
Lydia Salas, diretora-geral da SGI-Venezuela

Na Venezuela, o Mar do Caribe reflete uma luz verde-esmeralda e os rios Orinoco e Amazonas nutrem o rico solo do país. É uma nação agraciada com riquezas naturais e uma paisagem exuberante, ao mesmo tempo em que seu povo possui uma disposição naturalmente brilhante e generosa.

Possui a mais antiga democracia da América Latina, com uma longa tradição em oferecer asilo. Durante a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, a Venezuela abriu seus braços a milhares de imigrantes da Europa.

A SGI-Venezuela foi inaugurada em 1973. Desde então, procuramos contribuir para o desenvolvimento da sociedade venezuelana por meio de campanhas educacionais e de conscientização, bem como fornecendo ajuda humanitária quando necessário. Como budistas, fundamentados na filosofia humanística de Nitiren, nosso objetivo é sustentar e propagar o ideal de paz mundial na sociedade venezuelana. Nossos integrantes formam uma união diversificada de aproximadamente 2 mil pessoas, incluindo indivíduos, principalmente mulheres, que estão fazendo uma contribuição notável ao desenvolvimento do nosso país.

Levando esperança


Exposição “Armas Nucleares:
Ameaça à Humanidade”, em Caracas.
Como é bem conhecido, nosso país foi envolto por um redemoinho de conflitos e disputas entre diferentes classes sociais na arena política. Por isso, sentimos que nossa missão é levar esperança a muitas pessoas por meio da filosofia e dos ideais da SGI.

Até o momento, o evento mais popular foi a realização, em 1999, da exposição “Armas Nucleares: Ameaça à Humanidade”, no Ministério da Educação em Caracas e no Museu da Arte Contemporânea em Maracaibo, a segunda maior cidade da Venezuela. O Ministério da Educação denominou a exposição como “um programa nacional de interesse educacional”. Mais de 72 mil pessoas, incluindo estudantes de 300 escolas do ensino médio, visitaram a exposição, tendo ainda recebido uma ampla cobertura da imprensa.


Crianças vítimas das enchentes recebem brinquedos doados.
Embora não sejamos especialistas nos assuntos específicos para os quais procuramos chamar a atenção, como no caso do desarmamento, meio ambiente e direitos humanos, estamos comprometidos em ajudar a sanar problemas que a humanidade enfrenta.

Creio que, quando os cidadãos comuns engajam-se com a consciência de que são parte da solução das mais graves questões globais, uma enorme energia é liberada. Nesse sentido, o papel da educação pública é essencial. As exposições, campanhas e palestras da SGI-Venezuela são oportunidades para as pessoas refletirem e discutirem as atuais preocupações globais e reconfirmarem o compromisso necessário para instituir a paz no planeta.

Ajuda nas enchentes


Angel Falls, a maior cascata do mundo no sudeste da Venezuela.
Quando as enchentes devastaram grandes áreas da Venezuela em dezembro de 1999, a SGI-Venezuela respondeu com a doação de brinquedos, material escolar, dinheiro e artigos para bebês, visando a ajudar as crianças nas áreas afetadas. Os associados da SGI-Venezuela realizaram um workshop de arte para crianças em resposta a uma solicitação feita pelo Conselho Nacional para Menores com relação aos esforços para oferecer apoio psicológico infantil. Outras iniciativas incluíram um seminário para 60 professores nas áreas mais pobres afetadas pela tragédia, realizado a pedido do Ministério da Educação, e uma doação especial para o Ministério do Meio Ambiente em apoio à construção de casas permanentes para as vítimas das enchentes.

Os jovens da SGI-Venezuela são a força motriz das atividades comunitárias. Em maio de 2002, a SGI-Venezuela participou de um projeto de reflorestamento do Parque Nacional de Ávila. Cerca de 350 pessoas, incluindo estudantes, plantaram 1.500 árvores. Além do reconhecimento das autoridades governamentais e da preocupação com o meio ambiente natural, tais esforços comunitários são uma contribuição indireta, mas valiosa, ao combate à violência em nossa sociedade.

Desde 2001, a SGI-Venezuela vem apoiando ativamente as campanhas regionais de conscientização pública do Acnur. Estas incluem as exposições “Grandes Olhos Pequenos: Depoimentos e Fotografias de Crianças Refugiadas”; “Acnur: 50 Anos de Trabalho Humanitário”; e “Erradicados de suas Raízes: Depoimentos e Fotografias de Colombianos Refugiados da Região Andina”. Elas foram vistas por mais de 75 mil pessoas. Em 2004, a SGI-Venezuela lançou o programa “Construtores da Paz”, com o objetivo de preparar jovens para contribuírem com esesse tema. Em seguida, esse grupo uniu forças com o Acnur, o Unicef e a Rede Comunitária, uma ONG local, no programa “Pontes para a Paz”, que visa a ajudar a proteger e integrar crianças refugiadas à sociedade e às escolas venezuelanas.

Trabalhando para a paz


Mulheres da SGI-Venezuela, Caracas, 2004.
Em 2004, a SGI-Venezuela recebeu pela primeira vez a exposição “Gandhi, King, Ikeda: Um Legado de Construção da Paz”, a qual foi criada pela Faculdade Morehouse, a alma mater do Dr. Martin Luther King Jr. Durante os preparativos para receber a exposição, os associados da SGI-Venezuela estudaram profundamente a filosofia e a prática da não-violência, para se comunicarem hábil e efetivamente com todos os níveis da sociedade venezuelana, transmitindo os ideais de paz representados nessa exposição.

Um dos resultados da exposição foi a decisão da Universidade de Carabobo de incorporar o estudo das propostas de paz anuais do presidente Ikeda nos curso introdutório das Faculdades de Economia e Ciências Sociais.


A “Exposição de Desenhos das Crianças do Mundo” foi realizada em Valência, em junho de 2000.
Até o momento, aproximadamente 2.800 alunos redigiram dissertações sobre as propostas de paz, além de serem realizadas palestras com o tema. Alguns comentaram: “A experiência de hoje mudou o meu modo de compreender a vida. A paz não é meramente a ausência de conflito armado” e “Eu li as propostas de paz e percebi a responsabilidade que cada um de nós tem de realizar a paz mundial. Tudo começa conosco.”

É uma grande alegria ver tantos jovens recebendo inspiração positiva da filosofia da SGI, que se baseia no respeito à dignidade da vida. Nossa organização está determinada a continuar contribuindo de modo cada vez mais significativo para assegurar a paz e a felicidade do povo venezuelano.

Textos e imagens pertencentes à Associação Brasil SGI. Direitos Reservados.