2007 Fevereiro

O bullying reflete problemas na sociedade adulta

The Japan Times publica ensaio do presidente da SGI
O décimo artigo editorial de opinião do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, foi publicado na edição do Japan Times de 8 de fevereiro. A seguir a íntegra do texto traduzido.

Por Daisaku Ikeda


Inquietantes casos de bullying1 continuam a produzir notícia. Ouvimos falar diariamente da tragédia de crianças que, incapazes de suportar o acossamento e violência impostos a elas por seus pares e colegas de classe, são levadas ao suicídio.
É dilacerante pensar na dor e desespero que fariam uma criança tirar a sua própria vida, na tristeza e remorso devastador de suas famílias.
O bullying não é uma doença exclusiva do Japão. Os tipos de intimidação extrema que podem conduzir até mesmo ao suicídio, contudo, têm como fundo a natureza fechada e insular da sociedade japonesa. Pessoas de forte individualidade, que possuem alguma qualidade que brilha ou se destaca, muitas vezes são alvos de inveja, tachadas de diferentes e estranhas.
Como tal, elas podem ser submetidas a um esforço organizado para ignorá-las ou condená-las ao ostracismo, que as faz sentir como se a sua própria existência lhes fosse negada. Esse isolamento pode ser acompanhado de ameaças, extorsão e violência física. Algumas crianças podem se tornar apoiadoras ativas do bullying enquanto outras, temerosas de que poderão ser o próximo alvo, permanecem como espectadoras passivas.
Essa dinâmica reflete uma patologia profundamente arraigada dentro da sociedade japonesa. É raro os pais e professores reunirem coragem e solidariedade para enfrentar a prática do bullying.
O que também parece ser algo exclusivo do Japão é a rapidez para se culpar a vítima. Há uma concepção amplamente difundida, apesar de inconsciente, de que as vítimas de bullying são, elas próprias, pelo menos parcialmente responsáveis pela situação em que se encontram. Esse modo de pensar age para justificar o bullying bem como a indiferença que permite que ele persista.
Como alguém poderia imaginar que há pessoas no mundo que mereçam ser intimidadas dessa maneira? O bullying é um ato ignóbil e malévolo que não pode e nem deve jamais ser legitimado.
As pessoas não sofrem o bullying porque são fracas. Antes, o bullying espelha a fraqueza interna dos agressores, a incapacidade deles em resistir a seus impulsos mais hediondos. Como apontou Mahatma Gandhi, a violência nasce, no final das contas, da covardia. O primeiro passo para se lidar com o bullying é transformar as atitudes culturais que as autorizam. Isso requer que declaremos claramente que a culpa pelo bullying é 100% daqueles que o praticam. Além disso, é necessário que os adultos – sejam pais ou professores – que tomem conhecimento do bullying pronunciem-se, dando um exemplo de coragem e ação para as crianças. Igualmente crucial é o esforço para se tornar o tipo de pessoa a quem a criança vitimada pelo bullying possa recorrer com segurança. Precisamos ser capazes de discernir o apelo muitas vezes silencioso dessas crianças.
O bullying ganhou destaque como problema social sério no Japão na década de 1980. As várias formas de violência que infestavam as escolas na década de 1970 haviam sido controladas, mas, sugeriu-se, o vigor das medidas empregadas para conseguir isso deixou sem solução questões subjacentes, empurrando a violência a planos subterrâneos e recônditos. A agressão outrora dirigida contra professores e escolas voltou-se para os colegas de classe. As rápidas mudanças na sociedade deixaram as crianças expostas a formas intensas de pressão. A lógica fria e implacável do mundo dos adultos é aplicada, sem mediação, às vidas das crianças, que são submetidas a graus excessivos de competição, seleção, classificação e padronização.
A disfunção tão evidente no bullying das escolas atualmente espelha o estado da sociedade adulta, que é repleta de formas insidiosas de bullying – crueldade imparcial derivada do cinismo e do auto-envolvimento, violação dos direitos dos cidadãos pela mídia, programas de televisão que escarnecem de pessoas vulneráveis, preconceito e discriminação em suas várias formas. Cercar as crianças com essas realidades e esperar que elas adiram a formas idealizadas de comportamento não é justo.
A urbanização e o colapso da família ampliada privaram as crianças de espaços físicos e sociais onde elas sejam envoltas com afeto e possam desenvolver amizades confortavelmente. E os pais freqüentemente sofrem tanto a pressão do tempo e do trabalho que não conseguem se dedicar plenamente aos filhos, nem interagir com eles. Muitas crianças que se tornam violentas carregam o sentimento de serem negligenciadas e ignoradas. Para o crescimento sadio das crianças é necessário que elas se sintam aceitas e abraçadas pelo que são. Quando as crianças conseguem sentir aceitação, desenvolvem uma consciência natural de seu valor único e insubstituível. Elas passam a se valorizar e cuidar de si. Ao mesmo tempo, isso desperta o sentimento de confiança e respeito pelos outros.
No final, as crianças desejam apenas uma coisa – serem amadas. É por isso que a família deve ser um porto de segurança e proteção para as crianças. Rosa Parks certa vez contou-me o que sua mãe dizia: “Não há lei que dite que as pessoas têm de sofrer”. A mãe dela também lhe ensinou o valor do auto-respeito e a respeitar a si e aos outros. Penso que, nessas lições da infância, podemos ver as profundas fontes de coragem e dignidade por trás do papel fundamental que ela exerceu no boicote aos ônibus em Montgomery em 1955 e que representou um histórico divisor de águas no movimento dos direitos civis americanos.
Toda criança tem o direito de caminhar orgulhosamente para o futuro, com a cabeça erguida. O horror de uma sociedade permeada por diferentes expressões de bullying é que ela esmaga a percepção de valor pessoal das crianças, roubando-lhes a luz da esperança no futuro.
Todos os jovens necessitam que alguém lhes assegure claramente que, quando estamos sofrendo, embora possa parecer que a escuridão irá durar para sempre, esse não é, absolutamente, o caso. A noite sempre dá lugar ao amanhecer. Mesmo que o frio do inverno dê a impressão de que continuará eternamente, ele sempre é seguido pela primavera. E aqueles que mais sofreram são mais capazes de compreender o coração das pessoas. Eles têm uma contribuição ímpar e vital a dar.
As crianças são o nosso único futuro, nossa única e insubstituível esperança. As crianças estão nos instando – literalmente ao risco de suas vidas – a tomar consciência das distorções do mundo adulto. A resposta ao choro silencioso delas está a chave para curar a doença desesperadora de nosso tempo. Somente passando a nos envolver diretamente com elas, com seus sentimentos e necessidades, é que iremos redimir nossa própria humanidade.

Daisaku Ikeda é presidente da Soka Gakkai Internacional e fundador da Universidade Soka e do Instituto Toda para Pesquisa sobre a Paz Global e Programas de Ação.

1. Ato de intimidação, agressão, acossamento praticado contra outra pessoa, muitas vezes considerada mais fraca.


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Universidade Hofstra, nos EUA, lança curso intitulado “Gandhi, King, Ikeda – Um Legado de Construção da Paz”

A Universidade Hofstra em Long Island, Nova York, lançou um curso intitulado “Gandhi, King, Ikeda: Um Legado de Construção da Paz” (GKI) como parte de seu currículo de História no semestre da primavera de 2007. O professor Michael D'Innocenzo, que detém o título de Harry H. Wachtel Distinguished Professor com o Estudo sobre Não-violência e Mudança Social na universidade e possui uma carreira de 46 anos de pesquisa sobre a não-violência, projetou o curso após assistir a uma exposição homônima patrocinada pela Capela Internacional Martin Luther King Jr. da Faculdade Morehouse, em Atlanta, Geórgia. As aulas iniciaram-se em 30 de janeiro, com 22 alunos e serão ministradas todas as semanas até meados de maio.

As aulas do professor D'Innocenzo terão como foco a filosofia da não-violência defendida pelo pai da independência indiana Mahatma Gandhi, pelo líder dos direitos civis da América, Martin Luther King Jr., e pelo presidente da SGI, Daisaku Ikeda, e serão baseadas em biografias críticas sobre Gandhi e King e no livro For the Sake of Peace: Seven Paths to Global Harmony, A Buddhist Perspective, que traz um sumário das principais recomendações feitas por Ikeda em suas propostas de paz. O professor D'Innocenzo também comentará os ideais de Henry David Thoreau (1817-1862) e Jane Addams (1860-1935), americanos defensores da causa da não-violência de épocas anteriores.

O professor D'Innocenzo observou que os três ativistas têm em comum uma crença inabalável na não-violência e na interdependência de todas as formas de vida. Ele afirmou: “Como membros iguais da humanidade, acredito que devemos absorver o espírito desses três gigantes”. Quando indagado sobre como descreveria Ikeda, que é menos familiar ao público americano, ele respondeu: “Eu o apresentarei como herdeiro dos valores sustentados por Gandhi e King: o espírito de que ‘a injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todos os lugares’. Discutiremos a ênfase de Ikeda na não-violência, seu trabalho em defesa do fortalecimento das Nações Unidas e sua filosofia de que, para produzir uma mudança duradoura na sociedade, devemos começar com a nossa própria transformação interior”.

Paralelamente ao início do curso GKI foi inaugurado o Centro para o Engajamento Cívico, que celebrou sua abertura sediando a exposição “Gandhi, King, Ikeda: Um Legado de Construção da Paz”, contando com a presença de cerca de 400 pesquisadores, estudantes e moradores locais. Em sua palestra sobre “Os Dois Superpoderes: Paz e Não-violência”, o decano da Capela Internacional Martin Luther King Jr., Lawrence Carter, salientou que praticar a não-violência não significa adotar uma postura passiva, mas constitui uma força poderosa para lutar contra a injustiça social. A mostra ficará em cartaz até o dia 22.

Um estudante que assistiu à palestra do dr. Carter comentou: “As filosofias abraçadas pelos três coincidem num nível profundo”. Um graduado da Universidade Hofstra elogiou a mostra, dizendo: ”Foi muito impressionante e ofereceu respostas genuínas. Como alguém que esteve presente na palestra de King nesta universidade em 1965, sinto ser minha responsabilidade compartilhar com outros a mensagem de compaixão e a importância de compreendermo-nos mutuamente superando diferenças, conforme retratado na exposição”.


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Presidente da Mongólia encontra-se com presidente da SGI em Tóquio

No dia 28 de fevereiro, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, encontrou-se com o presidente da Mongólia, Nambaryn Enkhbayar, que estava no Japão numa visita oficial. O diálogo deles abrangeu uma ampla gama de assuntos, como as aspirações de ambos com relação ao futuro da Ásia e a ampliação dos intercâmbios culturais e educacionais entre a Mongólia e o Japão.

Ikeda deu as boas-vindas ao presidente mongol no Japão e presenteou-o com um poema que havia composto e dedicado a ele. Essa foi a quarta vez que eles se reuniram. A primeira foi em 1993 em Tóquio, quando Enkhbayar era ministro da Cultura, a segunda em 2001, e a terceira em 2003, quando ele era primeiro-ministro da Mongólia.

Enkhbayar comentou sempre aprender algo novo em cada encontro e observou que Ikeda parece estar mais saudável do que nunca. Ikeda felicitou o presidente mongol por sua frutífera visita ao Japão, especialmente pelos diálogos de cúpula com o primeiro-ministro Shinzo Abe no dia 26 de fevereiro, nos quais foi anunciada a declaração conjunta estampando uma idéia das relações da Mongólia e Japão nas próximas décadas. Ikeda afirmou que, com a visita do presidente e da primeira-dama, a Mongólia e o Japão puderam moldar uma nova “ponte dourada da amizade” como parceiros da paz na Ásia.

Na mesma oportunidade, o presidente da Faculdade Feminina Soka, Katsuhiko Fukushima, entregou à primeira-dama Onon Tsolmon o Prêmio de Máxima Honra ao Mérito da escola, em reconhecimento de suas contribuições na área da saúde, educação e bem-estar social.

O presidente Enkhbayar disse que após se encontrar pela primeira vez com Ikeda, começou a ler suas obras e achou Escolha a Vida (um diálogo entre Ikeda e o historiador britânico Arnold Toynbee traduzido em 26 idiomas, entre eles o mongol) especialmente inspirador. Ele observou que Toynbee também frisou que o Norte da Ásia desempenharia um papel importante contribuindo para o progresso da civilização humana no futuro.

O primeiro encontro entre eles em 1993 resultou no fortalecimento dos intercâmbios culturais e educacionais ente os dois países. A associação de Concertos Min-On convidou a Companhia Nacional de Canto e Dança da Mongólia para se apresentar no Japão em 1994 e, novamente, em 1996, para a série “Maestros da Rota da Seda”. O grupo também integrou a turnê “Festival da Arte e da Paz da Ásia” 2005. No outono de 2007, a companhia fará nova turnê no Japão por solicitação do público.

Em 1996, Ulaanbataar sediou a “Exposição de Arte de Meninos e Meninas do Mundo” da SGI e, em 1997, “Diálogo com a Natureza”, uma exposição de fotografias de Ikeda. Em maio de 2005, foi lançada uma série de diálogos com 22 partes entre Ikeda e Dojoogiin Tsedev, renomada personalidade do mundo literário da Mongólia, na revista feminina mensal japonesa Pumpkin. A Universidade Soka e a Universidade Nacional da Mongólia mantêm um programa de intercâmbio estudantil. Até o presente, 15 alunos Soka estudaram na universidade mongol e 13 alunos mongóis, na Universidade Soka.

O presidente Nambaryn Enkhbayar ocupou importantes postos no governo de seu país, tendo sido ministro da Cultura de 1992 a 1996, primeiro-ministro de 2000 a 2004, e presidente do Parlamento de 2004 a 2005. Ele tornou-se presidente em maio de 2005.

Vice-presidente da Sociedade de Tradutores e Intérpretes da Mongólia e da Associação de Escritores Mongóis de 1980 a 1990, Enkhbayar é um respeitado escritor e tradutor de obras de Tolstoi, Gogol, Dickens, Huxley, Kipling, Maugham e Garcia Márquez para o idioma mongol. Enkhbayar recebeu o título de doutor honorário da Universidade Soka em 2003.


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Universidade de Guadalajara, México, apresenta exposição de fotografias “Diálogo com a Natureza”

De 16 de fevereiro a 28 de março, a Universidade de Guadalajara, no México, promove a exposição “Diálogo com a Natureza: Fotografias de Daisaku Ikeda”, em parceria com a SGI-México. O evento poderá ser visto no Centro Cultural Casa Vallarta, o museu de arte da universidade. Guadalajara é a quinta cidade mexicana a servir de palco para a exposição de fotografias do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, que apresenta imagens da natureza e de paisagens captadas durantes suas viagens pelo Japão e exterior.

Cerca de 250 convidados estiveram presentes à cerimônia de abertura, entre eles professores e alunos da UDG, Jeffrey Steven Fernandez, chefe do Departamento Cultural da UDG, Manuel Jurado Parres, diretor de Relações Públicas da UDG, os renomados escritores Carlos Fuentes e Gabriel Garcia Marquez, a diretora de Relações Externas da Cidade de Guadalajara Cecilia Robles, o secretário da Cultura do México José Manuel Jurado e o antropólogo argentino Enrique Diaz de Leon. Fernandez estendeu seus cumprimentos a todos e Diaz discorreu sobre o significado do evento. Foram apresentadas mensagens enviadas por Ikeda e pelo reitor da UDG, José Trinidad Padilla López. Os convidados foram brindados com música clássica de câmara interpretada com piano, violino e violoncelo. Os jornais locais Diario El Informador, Mural, Diario Público (Jalisco) e o jornal da UDG La Gazetta noticiaram a mostra.

A Universidade de Guadalajara destaca-se como uma das instituições de ensino superior mais valorizadas no México, com uma tradição de 215 anos de história. Em março de 1981, atendendo ao convite da Universidade, Ikeda proferiu uma palestra comemorativa sobre “O Espírito Poético Mexicano” para os professores, funcionários e alunos. Em setembro de 2004, Ikeda recebeu o doutorado honorário da Universidade, o primeiro outorgado a um cidadão japonês. As quatro montagens anteriores de “Diálogo com a Natureza” no país foram vistas por um público de aproximadamente 25.000 pessoas.

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