10 de Junho de 2014

Um planeta geograficamente unido

A edição em inglês do livro

O educador Tsunesaburo Makiguchi

“O primeiro passo na construção desta sociedade é decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, esta é a essência da Carta da Terra. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência que o ser humano ocupa na natureza.”


(Cristina Moreno,engenheira e representante da Carta da Terra Internacional no Brasil)


Há um consenso entre os especialistas que o espaço terrestre é o domínio do trabalho geográfico. Porém, dentro deste espaço, o componente que mais influencia e impacta o planeta é, sem dúvida, a atividade humana. Impossível estudar a Terra sem levar em conta este fator preponderante. Muito antes de se ouvir falar em ecologia, no início do século 20, um jovem geógrafo japonês de apenas 32 anos escrevia uma grandiosa obra que mantém-se atual até os dias de hoje. O jovem: Tsunesaburo Makiguchi, e o livro: Geografia da Vida Humana.


Embora já se tenha passado mais de um século, Makiguchi anteviu o quanto a sociedade necessitava ser alertada para a relação intrínseca entre o homem e seu planeta. O último princípio da Carta da Terra enfatiza esse fato: “Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte”.


Makiguchi chegou a uma profunda compreensão quanto ao significado da Terra para a vida humana, bem como a importância do lugar em que as pessoas se encontram e atuam como um fator organizador de conceitos fundamental para a educação. O livro aborda de forma clara como a educação deve estar associada à comunidade, ao ambiente local, onde os estudantes possam desfrutar experiências diretas. “Salas de aula”, enfatiza ele em seu livro, “são locais para planejar, fazer reflexões, comparar percepções das experiências vividas por seus colegas e os livros servem de material de apoio”.


Geografia da Vida Humana apresenta uma visão do mundo e da civilização que supera as obras de seus contemporâneos. É digno de nota que, aos 32 anos, o educador e geógrafo autodidata conseguiu formar uma visão única de mundo com tão pouca idade. Foi ele um dos primeiros estudiosos a abordar a relação de reverência do homem com as montanhas. "As principais religiões do mundo se desenvolveram nas regiões montanhosas. Por exemplo, o Buda Sakyamuni, nascido no Nepal, deu início aos três mil anos de tradição do budismo no Pico da Águia ao sul da Cordilheira do Himalaia."


Não somente o budismo foi pregado primeiro na região ao sul da Cordilheira do Himalaia, Moisés o profeta do cristianismo ouviu os Dez Mandamentos no Monte Sinai. A partir de exemplos, Makiguchi deduz que as montanhas são os lugares em que o céu e o ser humano se unem. Sobre a história de veneração às montanhas no Japão, ele comenta que o homem reconhece sua pequenez em contraste com a imensidão do céu quanto mais se aproxima dele. Makiguchi diz: "O reconhecimento de que há algo mais amplo e maior é o ponto inicial para a religiosidade."


A primeira edição de Geografia da Vida Humana consistia de aproximadamente 1100 páginas e foi revisada por Makiguchi diversas vezes. O livro foi aprovado pelo Ministério da Educação e durante as primeiras décadas do século XX foi amplamente usado como material de consulta nas escolas japonesas para professores que queriam graduar-se e lecionar Geografia. Porém, por volta de meados desse século, nos anos pós-guerra, deixou de ser usado e tornou-se pouco conhecido no Japão, mesmo entre os membros da Soka Gakkai. De 1971 a 1980, uma revisão da quinta edição da obra (1905) foi preparada e publicada pelo Seikyo Press, tornando-a acessível a um grande número de pessoas.


No prefácio escrito por Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional, para a edição publicada em 2002 em inglês, consta: "Nos primeiros anos do século XX, quando o imperialismo dominava a era, um jovem educador e geógrafo, Tsunesaburo Makiguchi, que mais tarde se tornaria o primeiro presidente da Soka Gakkai, escreveu um livro intitulado Geografia da Vida Humana. Nessa obra, ele expôs um ideal que chamou de 'competição humanística', por meio do qual civilizações e culturas, engajando-se em diálogos umas com as outras, conduziriam um tipo de competição amistosa e humanística. Dessa forma, ele acreditava que um futuro brilhante de harmonia e prosperidade para a raça humana poderia ser aberto”.


Ele era sábio o bastante para antever que o único curso que a história humana tinha a seguir era avançar, em uma progressão regular, da competição militar para a competição política, da competição política para a econômica, e desta para uma competição puramente humanística.


O pensamento de Makiguchi é atualmente expresso na forma de uma nova universidade dedicada à formação de pessoas, de cidadãos do mundo. Trata-se da Universidade Soka da América (SUA), que abriu suas portas no Condado de Orange, Califórnia, Estados Unidos, em 2001. A SUA possui quatro diretrizes ou missões:


!    Formar líderes de cultura na comunidade;


!    Formar líderes de humanismo na sociedade;


!    Formar líderes de pacifismo no mundo;


!    Formar líderes para a coexistência criativa da natureza com a humanidade.


“Esses objetivos representam hoje o pensamento e os ideais incorporados em Geografia da Vida Humana. As palavras 'vida humana' no título da obra de Makiguchi, referem-se à duração da vida dos seres humanos e às atividades de toda sua existência. Quando as pessoas são separadas umas das outras ou de seu local de atuação, não podem viver como verdadeiros seres humanos. Por esta razão, Makiguchi explica em detalhes a relação entre as pessoas e sua localização geográfica. Em outras palavras, a obra é um estudo dedicado a descobrir como, enquanto fortalece as relações entre pessoas e seu meio ambiente, a cultura de sua sociedade e a situação internacional, pode-se melhorar o caráter humano, criar novos valores e enriquecer a sociedade e o ambiente natural.”, conclui o presidente da SGI no prefácio da obra.


Com base nesses comentários a respeito da pessoa e da obra de Makiguchi, percebe-se que mesmo antes de abraçar o Budismo Nitiren[i] ele defendia conceitos muito semelhantes, como por exemplo o princípio de esho funi (inseparabilidade do ser e seu ambiente) e de engui (origem dependente).


Hoje, Makiguchi é reconhecido como um dos primeiros estudiosos no Japão e no mundo a associar a disciplina da Geografia em termos de relação entre os seres humanos e a Terra.


 






[i] Makiguchi converteu-se ao Budismo de Nitiren Daishonin cerca de 28 anos depois da publicação do livro.



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