09 de Outubro de 2015

Pioneiros do estudo do habitat

Antonio Araújo e Mario Takao Inoue são dois dos expoentes pioneiros da Engenharia Florestal

Antonio com a esposa Mitiko e um de seus netos

O casal Inoue ladeado pelos filhos, Eduardo e Gustavo

Para qualquer pessoa do mundo, quando ouve falar em Brasil, a primeira coisa que lhe vem à mente é a imagem de uma imensa floresta. Orgulho de todo brasileiro, nossas matas estão representadas inclusive no verde da bandeira nacional. Portanto, não é por acaso que o Brasil seja um grande expoente da Ciência Florestal no mundo. E dois dos pioneiros deste refinado e importante ramo da ciência são associados da BSGI: os acadêmicos Antonio José de Araújo e Mário Takao Inoue. Ambos são graduados pela Universidade Federal do Paraná na mesma turma, formada em 1969. Durante algum tempo seguiram caminhos distintos, acumulando um impressionante currículo internacional, mas acabaram se reencontrando na mesma Universidade que cursaram, na docência superior.


Apaixonado pela natureza


Paixão é algo essencial para a vida humana. Quando esta aflora desde a mais tenra idade e bem direcionada, torna-se uma meta. Antonio José de Araújo sempre foi um apaixonado pela natureza. As linhas sinuosamente perfeitas das matas, o cheiro e o aconchego que a visão de uma mata verde proporcionam levaram-no, ainda no Ensino Médio, ao encontro de outros também jovens universitários que cursavam Engenharia Florestal na Universidade Federal do Paraná (UFPR), primeira instituição do país a oferecer este estudo. Decidiu-se por ele e, desde então, vem buscando a excelência na área, correspondendo à paixão pela natureza.


“Conheci a filosofia humanística do budismo Nitiren da BSGI, aos 19 anos, por intermédio de meu professor de caratê, sr. Hiroshi Taura”, conta Antonio. Na flor de seus 19 anos, sonhos e planos grandiosos faziam parte de sua vida. E encontrou nesta filosofia o caminho certeiro em direção a eles. “O que me impressionou na filosofia foi, e continua sendo, a racionalidade dos ensinamentos e o humanismo da doutrina. Uma metodologia de vida que propõe que cada pessoa nasce para ser feliz e não para sofrer”, enfatiza. E, o inevitável sofrimento, embora parte da vida, pode e deve ser transformado em realização, por meio da revolução humana do indivíduo. E o que é mais importante, ensina como concretizar esse ideal.


Após sua formatura, alçou vôos altos. Especializou-se em Silvicultura, também pela UFPR, em 1976. Desejou ampliar mais seus conhecimentos e foi para os EUA, na Universidade de Estadual de Michigan, em 1978, cursar o mestrado em Ecologia Florestal. Não contente, resolveu emendar um doutorado na mesma instituição, em Genética Florestal, em 1980. E, para completar sua já impressionante formação, cursou o pós-doutorado em Arborização Urbana, em 1992, também na Universidade de Michigan.


De volta ao Brasil, ingressou como professor e pesquisados na UFPR, sua escola de graduação. A Universidade estadunidense também o recebeu como docente visitante. Em 1998 iniciou sua segunda carreira acadêmica na Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (UniCentro). Foi chefe de departamento e coordenador de curso. Em meio as dificuldades que encontrou, inspirou-se em leituras de orientações do presidente da SGI, dr. Daisaku Ikeda, e decidiu esforçar-se para “construir um dos melhores cursos do País”. A situação era difícil: o curso não possuia nenhum laboratório; carência de docentes com formação na área; e alunos insatisfeitos e rebeldes.


Gradativamente foi mudando cada situação adversa. Sempre tendo como base a filosofia de vida que decidira abraçar na juventude. “Reformulamos o currículo do curso para torná-lo moderno e sintonizado com as necessidades do Brasil; planejamos a contratação de professores e, gradualmente, com o apoio dos dirigentes da Universidade formamos um corpo docente de excelente qualidade”, exulta. A maior prova de seu êxito são os alunos que formou, vários deles credenciando-se em postos de excelência em todos os níveis governamentais.


Antonio hoje reside nos EUA, sua esposa Michiko, além de companheira de vida é também associada da BSGI. Por sua influência graduou-se em Engenharia Florestal na UFPR. Os filhos Alexandre e Daniel lhe deram quatro netos entre 10 e 6 anos de idade. “A maior lição que aprendi nesses 47 anos como membro da família Soka foi a de que é importante ter sonhos. É fundamental acalentar o ideal da paz no mundo, contribuir efetivamente para a construção desse ideal, ao mesmo tempo que, diariamente, é preciso enfrentar os desafios dessa luta”, finaliza este idealista.


Genialidade à flor da pele


Ele pensou primeiro em cursar Engenharia Mecânica. Porém, passando por uma farmácia, deparou com um cartaz que dizia: “Você sabe o que é Engenharia Florestal?”. Curioso foi procurar a resposta da pergunta, inspirou profundamente e optou pelo curso. Embora trabalhasse em um escritório de engenharia civil, foi incentivado a continuar por seus empregadores, pois, embora nova, a carreira prometia se tornar um campo vasto e promissor. Então, o gênio do jovem descendente nipônico foi despertado!


Em julho de 1969, meses antes da graduação que se daria em dezembro, terminava o estágio no setor de Parques e Jardins da Prefeitura de Londrina. O prefeito da época convidou-o para integrar a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Rural que seria implantado no ano seguinte. “Trabalhando ali, cujo propósito era o desenvolvimento do setor rural via fomento, percebi que minha estrutura mental era para a ciência e não para o setor produtivo”, conta. Destino ou não, em meados daquele mesmo ano recebeu o convite para ser Auxiliar de Ensino da UFPR, no curso em que havia se formado. Aceitou e iniciou uma grandiosa trajetória de estar sempre em trânsito, característica que marcou e persistiu durante toda a sua vida profissional. Durante o segundo semestre de 1970, atuava em Londrina de terça a sexta e prelecionava em Curitiba nas segundas.


A ascenção foi rápida e fulminante. Em dezembro de 1970 desligou-se da Prefeitura de Londrina; nesse meio tempo foi chefe da Estação de Pesquisas Florestais de Santo Antonio da Platina, na região nordeste do Paraná e, junto com o colega de turma Antonio José de Araújo, foi auxiliar de ensino e chefe da Estação de Pesquisas Florestais de Rio Negro, na região sul do estado.
Em 1972 prestou concurso e tornou-se Professor Assistente da UFPR. Como para um gênio uma só atividade não basta, visando voos maiores e mais distantes, candidatou-se a uma vaga em um projeto de cooperação entre a UFPR e a Universidade de Freiburg, na Alemanha. Óbvio que conseguiu. Em 1973, já casado, foi fazer seu doutorado na Europa. De 1973 a 1976 cusou a Universidade de Hamburg onde conclui tese de doutoramento, e conquistou o título de “Doktor der Naturwissenschaften”. No período foi bolsista do DAAD – Deutscher Akademischer Austauschdienst.


Daí para frente sua carreira foi meteórica. Em 1976 tornou-se professor adjunto da UFPR por ascensão. Três anos somente depois, prestou concurso público de títulos e provas e tornou-se professor titular. Em 1979, 1991 e 1993 fez três estágios de pós-doutorado, o primeiro na Universidade de Freiburg, Alemanha, como bolsista da Carl-Duisberg Gesellschaft e os dois últimos no Forest and Forest Products Research Institute e Universidade de Hokkaido, no Japão, como bolsista da JICA – Japan International Cooperation Agency.


A relação com a filosofia humanística se deu em duas etapas. Antes do mestrado na Alemanha e depois. Sempre por intermédio do colega de graduação, Antonio José de Araujo.
“Os primeiros contatos aconteceram em atendimento ao convite do colega e amigo Antonio José de Araujo, ainda no início de nossa carreira profissional. Eu participava dos encontros junto com minha esposa até a nossa ida à Alemanha em 1973”, explica.


O casal retornou ao Brasil e prosseguiu dessa forma até o ano de 1983, quando diversos problemas de ordem financeira, profissional e de relacionamento familiar culminaram numa situação bastante delicada. Em um dos encontros da BSGI, na casa de Antonio, Takao foi profundamente tocado pela palestra que ouviu e decidiu se dedicar ao estudo e às atividades da organização. A esposa Neusa, notando sua mudança, seguiu-o. E, o bem estar e a harmonia que experimentaram foi tamanha, que em novembro daquele mesmo ano resolveram se associar à BSGI, abraçando a filosofia humanística como seu leme para toda a vida. “No âmbito pessoal, a filosofia humanística do budismo Nitiren propagado pela BSGI vem me propiciando um bem estar espiritual que até então eu desconhecia. A aquisição de coragem, fortalecimento da saúde e disposição invejável para o trabalho são algumas das inúmeras conquistas e, a estabilidade financeira e emocional, nos proporcionam um convívio familiar de verdadeira união e harmonia”, finaliza.


 

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