27 de Agosto de 2014

Felicidade é fazer o certo!

Maria de Nazareth da Fonseca Solino é médica e associada da BSGI

A médica Nazareth Solino

Aos 10 anos decidiu: “vou ser médica!”. É raro encontrar uma criança que nessa idade já tenha certeza do que decidiu fazer por toda a vida. “Eu soube, nessa idade, que havia sido adotada e que minha mãe biológica morrera por complicações no parto”, conta. Na sua mente infantil fez uma equação surreal e entendeu que sua mãe falecera porque ela não estava lá para protegê-la. “Foi quando decidi pela medicina”, enfatiza. A doutora Nazareth é associada da BSGI desde 1987 e, desde então, vem dedicando-se laboriosa e determinadamente a cumprir os ideais de vida propostos pela SGI. “Sou feliz pois sei que o que eu faço é o certo”, diz com a simplicidade de quem compreende com profundidade esta palavra.
Difícil é vê-la como uma pessoa triste. Pois é como ela se sentia antes de conhecer a BSGI. Havia um vazio e uma depressão que a assombrava constantemente. Suas raízes amazônicas foram, durante muito tempo, sua tábua de salvação, sua fé e sua identidade. “Eu nasci no Araguaia [na época estado do Amazonas hoje Tocantins] e aos sete anos vim para o Rio estudar”, conta. O pai adotou-a para ajudar a esposa em sua depressão após a perda de um bebê. A pequena Nazareth cresceu entre as águas e as matas verdes de um mundo natural e acolhedor. Embora muitas vezes perigoso, a criança entendia e sentia que era compreendida também. Esta simbiose levou-a a agarrar-se a estas lembranças quando foi levada ao internato de freiras no Rio de Janeiro. “O Araguaia era a minha identidade, as raízes indígenas a minha bússola”, ressalta.
Como dar alento a uma menina subitamente arrancada de um mundo verde e aconchegante para cair em um outro cinza e inóspito? A pequena refugiou-se em sua solidão, fechando-se para proteger-se.
A medicina tornou-se sua meta primeira e necessária. Julgava poder curar a si por meio da cura do outro. Dedicação e empenho totais.
A década de 1960, com todas as suas incongruências político-sociais, acentuou os vazios. Havia um clima de paranóia no ar. O final desta década só acirrou os ânimos e o sentimento geral era de agonia, medo e pesar. “Eu estudei em um dos locais mais politizados do Rio. Havia uma guerra de trincheiras ideológicas, ninguém queria ficar alheio”, reflete. Somado a isso, suas dúvidas e incertezas quanto à razão da existência persistiam.
Optou pelo trabalho em Terapia Intensiva, na esperança de utilizar a ciência para vencer a morte. Frustrou-se. Não podia conviver com a sensação de perda que a morte impinge. Voltou-se para uma mudança de rota. Com 10 anos de profissão conseguiu uma bolsa de estudos na Alemanha e especializou-se em medicina do trabalho. Voltou, prestou concurso e estabeleceu-se. Mas o vazio persistia. Maior e mais agudo que nunca.
Certo dia, angustiada ao extremo, decidiu dar-se de presente uma massagem relaxante. Faltavam poucos dias para o ano novo. A moça que a atendeu surpreendeu-a. Em meio à correria do final de ano, aquela prestadora de serviços tinha uma luz que nunca vira. “Eu não conseguia entender aquilo!”, exclama.
Perguntou quantas horas ela estava lá. “Desde às 7h!”, respondeu a moça e já era final do dia. E o horário em que acordou. “Às 4h!”, disse a massagista sorridente. “Quando ela disse aquilo eu imediatamente quis saber o motivo de tanta luz naquele rosto. Ela disse simplesmente que era humanista, associada da BSGI”.
Foi uma mais do que assombrada e encantada Nazareth que recebeu em um papel, os telefones de contato de pessoas a quem poderia ligar para conhecer melhor o que era aquela organização. “Era quase véspera de ano novo e as pessoas disseram que não haveria encontros nos núcleos de bairro por aqueles dias. Mas eu tinha urgência! Insisti e acabaram cedendo e me receberam em uma reunião administrativa que nada tinha a ver com a filosofia”, diverte-se. Ali, descobriu o que procurara a vida toda.
Com a humildade e o desespero inerentes a todos os que se agarram a um fio de esperança, Nazareth empreendeu todos os tipos de trabalhos voluntários da organização. Desde a entrega das publicações de casa em casa, passando pelas visitas domiciliares e os planejamentos dos encontros. E a prática individual diária. Certo dia, ao sair de casa, assustou-se. O mundo que sempre via estava diferente! Tudo era luminoso e as cores pareciam saltar dos objetos. Havia calor naquela luz, e era agradável, confortável. “De repente me dei conta de que eu via tudo cinzento. O mundo, durante toda a minha vida no Rio tinha sido cinza e, a partir daquele momento, passava a ter cor!!! Foi uma sensação incrível de prazer e alegria!!!”.
Tal o grau de comprometimento que mesmo tendo se associado em 1987, já no ano seguinte, em setembro e 1988, foi ao Japão pela primeira vez, para aprimorar-se e agradecer pela incrível filosofia humanística do budismo Nitiren que iluminara e preenchera sua vida. Nunca mais houve vazio. Ela hoje tem a função de coordenadora cultural da Coordenadoria do Rio de Janeiro da BSGI.
E, não só por gratidão, mas também pelo prazer de conviver e doar, Nazareth empenha-se também em auxiliar os companheiros associados enfermos. Desde o ano passado, ela decidira que iria ao Japão novamente este ano de 2014. Pela oitava vez desde que se associou. Sem dinheiro e sem perspectivas de obtê-lo determinou que de alguma forma a passagem surgiria. Manteve sua atuação abnegada e diligente com alegria, sem esmorecer. Apesar de todo o seu empenho, um dos enfermos que visitava veio a falecer. A viúva procurou-a para agradecer e lhe fazer uma proposta. Ela tinha passagens e estadias pagas pelos filhos para ela e o esposo que falecera. “Eu quero que você seja minha acompanhante!”, declarou a viúva. Assombrada com a pergunta, Nazareth argumentou que ela deveria consultar os filhos antes de decidir. Ela concordou e, ao fazer isso, recebeu a resposta unânime de que ela – Nazareth – é quem deveria acompanhar a mãe na viagem.
Assim, no próximo dia 4 de setembro, Nazareth viaja à Terra do Sol Nascente, com tudo pago, cumprindo a meta que estabelecera no ano passado. “Não há o que não se consiga por meio desta filosofia humanística! É só dedicar-se e se entregar, apenas fazer o que é certo!”, finaliza a médica humanista Nazareth.

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