29 de Abril de 2014

Educação Soka*

A autora da resenha, Luci Goshima da Costa

por Luci Goshima da Costa**


Soka Education é uma obra organizada em oito capítulos, contendo discursos e ensaios de Daisaku Ikeda sobre educação em diversas ocasiões. Além disso, oferece propostas fundamentadas na metodologia soka (criação de valor), que visa a felicidade do educando a partir do desenvolvimento de seu potencial criativo inato e direcionado para a construção de um mundo melhor.


Ao descrever de forma detalhada o sistema pedagógico soka, o autor apresenta o fundador desse conceito, o professor e escritor Tsunessaburo Makiguti (1871–1944) e o processo de desenvolvimento e aplicação de seu sistema. Revela também como Makiguti confrontou as autoridades militaristas e ultranacionalistas de sua época, que impunham uma educação bélica, voltada apenas para interesses políticos e econômicos, e como ele defendeu sua firme crença de que a educação deve ter como objetivo primordial a felicidade das crianças.


O autor inicia esse trabalho pelo questionamento (..), — “Qual é o propósito fundamental da educação?” (p. xi) —, mas que ainda é obscurecida por interesses como o econômico e o político e, a partir dessa perspectiva, aponta as possíveis causas dos impasses educacionais que perduram até hoje. Propõe soluções possíveis, embora árduas e que exigem o comprometimento de cada ser humano, mas que valem a pena para quem não apenas espera, mas quer ajudar a construir um futuro melhor.


Os princípios que norteiam essa obra são primeiramente delineados como respostas ao questionamento “O que é educação Soka?”, os quais o autor aprofunda no decorrer dessa obra. 


É o diálogo de vida a vida. É comprometimento. É a compreensão de que:


• O propósito da educação é a felicidade do aluno para a vida inteira.
• A sabedoria advém do discernimento de que tudo na vida é inter-relacionado.
• O respeito profundo pelos alunos faz manifestar neles a motivação interior para o aprendizado.
• Os alunos precisam tornar-se cidadãos do mundo.
• Professores humanistas são a chave — somente uma pessoa verdadeiramente humanista pode cultivar outra verdadeiramente humanista.


O autor inicia a obra discorrendo sobre o papel vital da educação e propõe reflexões e mudanças de comportamento para revitalizar o ensino e o aprendizado. (..) Revitalizar a educação não é tomar medidas paliativas nesse meio, mas sim medidas drásticas na sociedade como um todo, como enfrentar com coragem todas as formas de indiferença e violência, todas as manifestações de apatia com relação ao sofrimento alheio, e assegurar o desenvolvimento saudável e feliz de cada criança a partir do cultivo de valores num mundo adulto carente de alicerces espirituais firmes.


Ele analisa também a crise e o declínio acadêmicos, visto, por exemplo, na crescente indisciplina, na evasão escolar e no total desinteresse pelo estudo, resultando num desempenho cada vez mais superficial e frágil. Denomina essas tendências como “fugas do aprendizado”. (..). Ikeda enfatiza a importância de expandir-se o conceito da educação para um aprendizado contínuo e em direção à cidadania global, sugerindo que as conquistas individuais podem se ampliar para a busca de uma convivência humanística com outros povos do mundo.


Outro ponto de suma importância é o capítulo em que o autor discorre sobre os princípios humanísticos pelos quais Tsunessaburo Makiguti viveu e morreu com base em dois conceitos: “a ira justa” e a “tolerância ativa”. Exemplifica-os com as origens da educação Soka e seus impedimentos pelas autoridades militares japonesas. Ressalta que o objetivo principal dessa educação é “forjar pessoas de integridade que se empenhem continuamente pelo bem insuperável — a paz — que se comprometam a proteger o caráter sagrado da vida e que sejam capazes de criar valor mesmo sob as circunstâncias mais difíceis” (p. 115).
Sobre a perspectiva da virtude, o autor enfatiza que: “Não basta apenas criticar os aspectos negativos da civilização moderna, como o materialismo, o hedonismo e o mamonismo. Precisamos também mostrar aos nossos jovens novos padrões e valores que possam substituir os negativos” (pp. 119–120).
A virtude, portanto, é uma qualidade que deve renascer de um novo padrão ético, do contrário, as advertências e os conselhos serão ignorados, pois a sociedade atual exige dos educandos atitudes exemplares que ela própria distorce com frequência.
(...)
Ikeda ressalta a importância do papel da universidade e enfatiza que ela pode capacitar os educandos a desenvolverem poder e liberdade de pensamento e de ação na busca do conhecimento, mas que esse poder e liberdade devem ser encarados com responsabilidade e visando a objetivos humanistas. Afirma também que o conhecimento adquirido deve ser guiado pela sabedoria, que se encontra “na raiz do espírito humano”. Sem sabedoria, todo poder e conhecimento correm o risco de criar um vazio e uma frustração no coração humano e levar a ações cruéis e destrutivas, como os vários exemplos evidentes na história da humanidade.


Observações críticas – A obra oferece uma perspectiva holística da educação, de que não basta corrigir aspectos apenas burocráticos e profissionais para melhorar o desempenho das crianças e dos jovens, e sim reformar a mente e o coração de cada ser humano, pois o maior exemplo na educação é “dar exemplo”, seja de quem for, e não meramente impor normas e aplicar punições quando essas não são obedecidas.


O autor nos brinda com exemplos tanto do Oriente como do Ocidente de ações e tradições valiosas. Vale ressaltar aqui que suas propostas apresentadas nessa obra não são fundamentadas apenas na teoria, mas também na experiência, pois Ikeda é fundador das escolas Soka, que vão desde o jardim de infância até a pós-graduação. Portanto, coloca em prática os princípios em que acredita e fornece exemplos reais de criação de valor, de jovens que hoje se esforçam para aplicar a “criação de valor” na vida pessoal e na sociedade como um todo.


Apesar de ser intitulada “educação”, o que pode limitar o interesse a profissionais da área, essa obra pode e deveria ser lida por todas as pessoas, pois certamente expandirá os horizontes daquelas que persistem e acreditam que ainda é possível encontrar um caminho para a construção de um mundo melhor.


* Resumo baseado na resenha crítica da autora sobre o livro: IKEDA, Daisaku. Soka Education, A Buddhist Vision for Teachers, Students and Parents. California, Middleway Press, 2001, 208 p.


** Mestre em Educação na Língua inglesa pela Universidade Soka da América, Estados Unidos. Formada em Letras – Tradução e Interpretação pela Faculdade Ibero-Americana (atual Anhanguera). Atualmente, traduz livros de literatura budista do inglês para o português.

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