11 de Agosto de 2014

Criando o Pertencimento

Cintia durante a Conferência da Coordenadoria Cultural da BSGI

"Não tenho um novo caminho.
O que tenho de novo
É o jeito de caminhar."


Thiago de Mello


Mais do que a sensação de aceitação, o senso de pertencimento nos proporciona a grata satisfação de sermos parte de “alguma coisa maior do que nós mesmos”, algo que nos dá força e incentivo para enfrentar as dificuldades, lutar por uma causa/ideologia, e que será útil a alguém, em contraponto à sensação de ninguendade, como colocou Darcy Ribeiro em sua obra O povo brasileiro para ilustrar o nosso complexo de “vira-latas” em referência às nossas raízes mestiças. Pertencer significa ser parte indissociável, algo imprescindível ao todo. A socióloga Cíntia Okamura – mestre e doutora da área – cedo percebeu que algo não ia bem com certas questões que envolviam a vida em sociedade. “Foi marcante para mim uma viagem que fiz ao nordeste brasileiro, ainda na graduação, onde tive contato com uma pequena comunidade de pescadores empenhada em preservar o local em que viviam, pois sofria com os impactos da expansão de um turismo voraz”, conta. Esse encontro levou-a à busca pelas respostas que tanto a afligiam desde a adolescência.


A filosofia humanista do budismo Nichiren chegou até ela ainda menina, por intermédio dos avós maternos. “Tive uma infância e pré-adolescência bastante conflituosa, num contexto familiar intrigante e, nesse momento da minha vida, já desde a infância, questionava a relação entre a vida e a morte. Buscava o sentido da vida e muitas questões ficavam sem resposta o que atordoava os meus pensamentos e como resultado passei a sentir um medo e um vazio sem explicação”, inicia. Tal medo podia ser mensurado nitidamente, pois o país vivia em meio aos anos de chumbo da ditadura militar. Ao participar de um encontro humanista percebeu que encontrara um caminho. “Encontrei a Luz da Esperança: a primeira lição que apreendi. É como se você estivesse sozinha na escuridão da própria vida e alguém lhe desse uma lanterna para você caminhar”, ilustra.


O encontro desta luz fez nascer o ideal de mudar a si e assim, “mudar” o mundo! “Hoje, olho para trás e vejo o quanto a minha vida se transformou. Meu maior insight foi me transformar enquanto ser humano e poder compreender a complexidade da vida, poder me sensibilizar com a injustiça social e com a miséria humana, com a degradação do planeta e a degradação humana e, sobretudo, encontrar forças para atuar ativamente para a transformação de tudo isso”, enfatiza.


O caminho que sempre a fascinou – as Ciências Sociais – lhe deu o conhecimento necessário para galgar os degraus necessários, rumo ao seu objetivo. O estágio em uma empresa responsável pelo meio ambiente lhe forneceu os meios. Assim, cuidando das comunidades, da população que vivencia problemas de poluição e saneamento ambiental, começou a descobrir seu lugar no mundo! “Observei que dentro do meu trabalho colocava em prática os ensinamentos filosóficos humanistas, como a inseparabilidade da vida e seu ambiente, princípio este que demonstra claramente a importância de cada ser humano na transformação dos complexos problemas mundiais, pois mostra que a humanidade e a natureza, a sociedade humana e o universo interior estão todos intimamente relacionados”, exulta. Dentro desse trabalho, atua ainda na área de educação ambiental, cujo objetivo principal é fazer com que as pessoas compreendam a natureza complexa do meio ambiente, a sua relação íntima com o ambiente, o PERTENCIMENTO, e possam transformar os seus valores, atitudes e comportamentos e agir pró-ativamente em prol do planeta.


O mestrado e o doutorado, ambos concluídos com grande júbilo, vieram como conseqüência natural do desejo de sempre buscar maior compreensão sobre todas as questões que envolvem as relações humanas e sociais com o ambiente. Como conseqüência, fez parte do grupo que fundou o Laboratório de Psicologia Ambiental na Universidade de São Paulo.


Foi assim que o sonho antigo de adolescência voltou com força e tornou-se real. “Sempre tive um sonho: trabalhar com a diversidade e assim conhecer a fundo outras culturas e outros países, pois penso neste planeta como a união dos povos”. A partir do doutorado, surgiu a oportunidade de estudar na França, onde pode travar contato com seus pares, dentro de importantes instituições. Projetos e amigos afluíram destes contatos e desde então tem participado de uma equipe de pesquisa internacional, para estudar os ambientes urbanos das grandes cidades, visando sempre o bem-estar do planeta.


Esses projetos possibilitaram-lhe conhecer vários lugares do mundo além de manter diversas cooperações com a França. A socióloga Cíntia – cidadã do mundo – fez o sonho tornar-se concreto e real. “Mas com certeza meus sonhos só aconteceram devido à paixão por um ideal em acreditar que cada ser humano possui o potencial de tornar-se parte da solução de problemas ambientais e assim construir novos padrões éticos de convivência humana na Terra!”, exclama Cíntia.


Em meio a tudo isso, desde 2000, ela é a coordenadora do Departamento de Cientistas da BSGI. Sua atuação na área ambiental lhe proporcionou as condições para implantar um dos mais importantes projetos dentro da organização. “Desde que assumi esse departamento foi nos dada a missão de elaborar um plano de ação efetivo na área ambiental, para fazer cumprir o papel da BSGI nesse campo”, conta. Há mais de uma década iniciou-se o primeiro Movimento de Educação Ambiental da BSGI junto com o Movimento de Agentes Ambientais, trabalhando com o conceito de que o indivíduo é parte integrante e indissociável do meio em que habita, princípio básico da filosofia humanista do budismo Nitiren.


“Com esse trabalho na BSGI, estou concretizando outro sonho, que é ampliar as questões sociais na área ambiental, evidenciando que podemos mudar os complexos problemas globais com pequenas ações que partam de indivíduos dispostos a fazer a diferença. É emocionante ver os resultados desse Movimento de Agentes Ambientais na atuação dos associados da BSGI descobrindo o seu próprio potencial”, enfatiza.


Cintia relata que o Departamento de Cientistas da BSGI reúne também, intelectuais, pesquisadores e professores, com um potencial incrível que “neste momento, estamos empenhados em produzir reflexões e conhecimento sobre o que é construir o que denominamos de ‘Ciência Humanística’, ou seja, uma ciência que não priorize somente as técnicas, mas principalmente as necessidades das pessoas com respeito a todas as formas de vida do planeta”.


Portanto, a partir do que incorporou nestes mais de 20 anos como associada da BSGI, Cíntia ressalta que o maior aprendizado foi a sua transformação como ser humano pleno, partícipe consciente e ativo na construção de um planeta mais justo, sustentável e pacífico. E esse Movimento de Agentes Ambientais é uma lição de vida que possibilita e possibilitará a centenas de pessoas recuperar o senso de pertencimento, um bem que cada indivíduo tem inerente, mas que somente é possível obter a partir de uma filosofia de vida que realmente o posicione como parte de um grande e maravilhoso todo. 

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