25 de Setembro de 2014

Artista de mil faces

Lucélia no palco

LAdeada pelas filhas Fernanda e Natália

Rindo, falando, gesticulando, chorando. Lucélia Machiaveli é uma atriz de múltiplas facetas, nenhuma é cópia de alguém e todas são complementares e têm viés humanístico. “Nunca fui muito normal, mesmo no meio artístico”, insiste rindo. A face que o país todo conhece – a da mulher hilária – é apenas uma dentre tantas, mas a que mais a engrandece é a da humanista que não mede esforços para emprestar sua força e garra a todos que dela necessitam. Lucélia é voluntária da BSGI desde 1996 – oficialmente associada em 2001 – e desde sua primeira participação entendeu que a vida é um grande palco onde todos são protagonistas de suas próprias existências.


Nos tempos da vida estudantil, defrontou-se com o período crítico do último ano do ensino médio, quando todos têm de responder à questão crucial: o que vou ser agora que cresci?. Não há uma resposta fácil, claro. Todas as carreiras possuem um atrativo e uma garota tão irrequieta e cheia de vida como ela as possibilidades se multiplicavam. “Arte nem passava pela minha cabeça, embora desde criança amasse brincar de teatrinho, escrevendo os textos em papel de pão, dirigindo as cenas, atuando para uma plateia de adultos condescendentes, recitando poemas. Tudo parecia tão natural e espontâneo em mim, que nunca poderia supor que isso fosse uma profissão. Tudo não passava de momentos lúdicos”, conta.


Mesmo sem grande certeza, conseguiu ingressar na USP, na faculdade de Letras. E logo percebeu que aquilo não a satisfazia. Mesmo assim concluiu e ingressou no magistério. A frustração levou-a a buscar novas possibilidades e chegou ao Turismo e, por tabela, ao teatro, pelas mãos de uma grande atriz: Myriam Muniz. “Foi ela quem, após assistir a um dos meus exercícios dramáticos me fez a grande revelação: eu era atriz!”, exclamou perplexa.


Ao seguir as orientações da mestra, ingressou na Escola de Arte Dramática também na USP. Sabia que agora estava no caminho certo, mas as dificuldades no novo curso foram enormes. Esforço e perseverança foram cruciais para a superação. Ao formar-se tinha agora que galgar longos e penosos degraus rumo à construção de sua carreira.


Foi em meio a esse percurso, em 1996, conheceu o também ator Francisco Carvalho, associado da BSGI de longa data. Estavam para iniciar uma convivência estreita durante a gravação da novela “O Rei do Gado”, em que interpretariam um casal. Foi ele quem lhe apresentou a filosofia humanista. Sua determinação a impressionou e intrigou. “Desde aquele dia nunca mais parou de estudar, praticar a filosofia e participar de todas as atividades a que era convidada.


Já exercia a profissão há mais de quinze anos e tinha um bom conceito em meio à classe teatral “mas ainda não havia recebido nenhum prêmio”. Eis que, após conhecer a BSGI, recebeu o prêmio de melhor atriz com a peça O teatro de sombras de Ofélia. “Achei que era coincidência”, conta em meio a risos.


Outras conquistas vieram e em determinado momento percebi que tudo aquilo não podia ser mera coincidência. “Então, em 2001, decidi assumir e me tornei membro oficial da BSGI!”, exulta.


Mas ainda tinha muitos desafios a vencer. Embora tivesse feito o curso de teatro aplicado à educação, ainda não tivera coragem de tomar impulso para lecionar a professores. Não se sentia preparada, tinha medo de enfrentar o desafio. Mas o medo acabou quando, recebeu o convite do amigo e também ator Bruno Sciuto (http://www.culturadepaz.org.br/acoes_para_paz/20/) e ingressou como voluntária no então Departamento Educacional – hoje Coordenadoria Educacional – e para o Departamento de Artistas da BSGI. “Como consequência direta me ofereceram aulas de teatro para professores no CEU, em caráter profissional, justamente num momento necessário”, enfatiza.


Em um dos encontros ouviu o relato de uma pessoa que contava sobre a conquista de sua filha que ingressara na Universidade de Harvard. Naquele momento desejou sincera e fervorosamente que uma de suas filhas pudesse conquistar tal glória também. “Sem que eu verbalizasse esse desejo, Fernanda minha filha ganhou uma bolsa de estudos da USP para estudar em Harvard”, entusiasma-se. Isso significava que além da vaga naquela universidade – que já era uma grande coisa –, teria todas as despesas com visto, estada, alimentação, passagens, pagos pela USP.


A outra filha Natália teve oportunidade de estudar na Holanda. “Sentiu a dificuldade de ser estrangeira, mas se defendeu muito bem, com toda a garra de jovem”. Hoje, tanto Fernanda quanto Natália são associadas da BSGI e põe em prática a filosofia humanista em suas áreas de atuação profissional.


Perguntada sobre o melhor papel que já fez, responde simplesmente: “os que fiz para a BSGI”. Segundo ela, foi dentro da organização sendo convocada para atuar em apresentações urgentes, ganhou grande senso de improviso e flexibilidade. “No Departamento de Artistas da BSGI aprendi a benevolência e a prontidão. Benevolência em ser incentivada a aceitar convites de apresentações frequentes para núcleos de todo o Brasil e do exterior. Prontidão, porque era de um dia para o outro praticamente que teríamos de agir, decorar, ensaiar e tudo o mais necessário para que a cena pudesse acontecer”, explica feliz.


E vieram outros prêmios de teatro (em dinheiro) que lhe possibilitaram fazer peças para um público mais humilde, de bairros distantes, pouco ou nada habituados a frequentar salas de teatro. Vieram aulas de teatro em centros culturais, no projeto Ademar Guerra, que leva profissionais para cidades do interior a fim de orientar grupos amadores; aulas para pessoas em recuperação do uso das drogas; convites para júri de teatro; convites para cinema e programas de televisão; comerciais, bem poucos, mas interessantes, que davam oportunidade de boa interpretação. E uma das mais importantes conquistas: ela determinou que faria um trabalho mais enriquecedor tanto artística como intelectualmente. Desafiou suas circunstâncias e, por meio do empenho pessoal, recebeu um convite para gravar um programa infanto-juvenil na TV Cultura de ótima qualidade e com artistas talentosos, excelentes profissionais. Era uma equipe ótima, desde a autora do roteiro e também diretora, os atores, técnicos, maquiadores.


“Tomei consciência de que, aliar arte e educação, tem trazido grandes resultados de vida para os participantes, de acordo com suas próprias declarações. Comprovei mais uma vez o papel do teatro como agente de transformação”, finaliza Lucélia. 

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