12 de Maio de 2014

Arte e educação: meio efetivos de transformação

De como o espírito de fundação da Soka Gakkai norteia educadores da BSGI

A arte educadora Julia Nogueira

O poeta Ferreira Gullar nos brinda com a melhor definição possível: “A Arte existe porque a vida não basta!”. Academicamente, a arte é definida como “uma forma de o ser humano expressar suas emoções, sua história e sua cultura por meio de valores estéticos, como beleza, harmonia, equilíbrio”. Hoje são inúmeras as formas de se representar a arte, música, escultura, pintura, cinema, dança, teatro, literatura, fotografia, entre outras. Não há limites para a criação humana no que diz respeito a arte. Pode ser encontrada em obras simples, desde a garatuja infantil até na elaborada e psicodélica instalação de um artista plástico. É arte, desde que o artista o produza com este sentimento.


E, na educação, o ensino das artes produz em cada educando, um enlevo e uma afloramento de sensações que lhe possibilitam enxergar o mundo maior, mais profundo e mais pleno. A arte liberta o ser de suas amarras e lhe dá – literalmente – asas para alçar voos maiores. Trouxemos dois exemplos de como a arte pode influenciar positivamente a educação e provocar, tanto em alunos como em professores, novas formas de interagir com mundo que o cerca.


 


O poema é uma forma de expressão literária que busca sensibilizar o leitor para o mundo sensível, sutil, invisível. O jovem professor Edson Gennari, de São Matheus, bairro periférico de São Paulo, criou o projeto Poema como instrumento de Alfabetização e Valoração. Sua grande inspiração é a admiração e o respeito que nutre pelos ideais da SGI. Como associado, percebeu que poderia incorporar em seu dia-a-dia, as ideias e conceitos apreendidos em suas  atividades.


Atuando no Ensino Fundamental 1 há pouco tempo, o educador queria fazer mais do que simplesmente ser um “passador de conteúdos”. Queria despertar seus alunos para o potencial ilimitado que cada um possui dentro de si, um dos princípios da filosofia humanista da SGI.


Seu alunado era composto por garotos e garotas agitados, violentos, oriundos de famílias com sérios problemas sócio-culturais. Seu objetivo: implantar na sala de aula uma cultura de paz, por meio de poemas cujo contexto remetessem a um forte apelo humanístico, que sensibilizasse e fizesse refletir sobre o comportamento individual.


“Uma vez por semana, em aulas de 50 minutos, utilizei trechos de poemas do presidente da SGI, dr. Daisaku Ikeda ou poemas curtos como os da autora Rosane Murray”, contou Edson. Para a sua proposta as obras não precisavam possuir um contexto infantil. Tinham que refletir e ressaltar valores éticos, morais e humanísticos de forma sutil, sem doutrinação.


“No primeiro momento da aula, todos faziam uma leitura compartilhada a partir do texto impresso distribuído a todos. Depois eles circulavam as palavras que eu solicitava, para verificar o nível de conhecimento da leitura e identificar o significado das palavras”, explicou.


Em um segundo momento, Edson trabalhou com a interpretação do texto, auxiliando seus alunos na compreensão e promovendo discussões sobre o entendimento. “Nos últimos quinze minutos, eu declamava e eles repetiam cada verso para que memorizassem”, ressaltou.


Ao longo de seis meses, os frutos foram amadurecendo. Em poucas semanas os alunos haviam memorizado dois poemas: Amor não é só, de Rosane Murray e Companheirismo, de Daisaku Ikeda.


Em sessões privadas para os familiares, seus alunos encantaram seus pais. E posteriormente, encantaram e emocionaram também os demais professores que chegaram às lágrimas ao perceberem a transformação daqueles alunos.


Modestamente Edson diz que não atingiu o objetivo inicial que era o de fazê-los incorporar em suas vidas a mensagem dos poemas. Porém ele ressalta que “foi muito bom para fazê-los refletir toda vez que cometiam alguma ação violenta contra seus coleguinhas com questionamentos tais como: ‘Por que você bateu no seu amigo? Lembra que diz o poema Companheirismo?, ... meus olhos possuem lágrimas para chorar junto com você, os meus ouvidos estão sempre pronto para ouvi-la(o).  O poema não está dizendo para você fazer os outros chorar e sim chorar juntos, oferecer seu ombro para o seu amigo e compartilhar o sofrimento dele, a dor  dele’ não é isso?”, finaliza o educador.


 


A música é o som da vida. De todas as vertentes artísticas é, talvez, a que mais acertadamente ‘fala’ ao coração. Foi o que a arte-educadora Julia Nogueira descobriu. E não só para a vida de seus alunos, mas para a dela própria. Filha do grande compositor e violonista Paulinho Nogueira (também um grande arte-educador, ensinou violão a ninguém menos que Toquinho), Julia conheceu a BSGI em um momento crucial de sua vida. “Observava as pessoas e o relacionamento entre elas. Ouvia relatos de superação. Comecei a dar espaço para olhar de fato quem eram aquelas pessoas”, contou Júlia.


Por meio a arte potencializada pelos ideais humanistas da BSGI, a musicista superou dificuldades inimagináveis. Drogas e depressão, seguida pela desagregação familiar.


A professora e humanista resolveu que não deixaria a vida levá-la para trás novamente e reuniu suas forças para superar seus medos e, principalmente, sua inércia. Em meio à luta, como professora em sala de aula, desenvolveu atividades práticas para despertar o interesse para a aula de música. “Assisti a grandes transformações no comportamento deles [seus alunos]. Principalmente daqueles que deixavam o tédio, o desânimo e a insegurança tomarem conta de sua vida”, conta.


Mas seu desejo de aprimorar-se e alçar novos voos era latente e precisava expandir-se. Assim, há cerca de 3 anos, foi convidada a ingressar em uma instituição educacional centenária para realizar um trabalho totalmente novo e inovador: escrever livros didáticos de arte. “Essa é uma oportunidade de fundamentar toda a minha experiência prática, minhas ideias educacionais, de me aprofundar na história da arte como um todo e, sem muita demora, de me preparar para as próximas etapas que integram meu objetivo profissional e ideológico”, conta Júlia. Segundo ela, a finalidade principal deste material pedagógico é a formação humanística do ser, não somente para cumprir um item no plano pedagógico de metas. Seu maior objetivo é impulsionar ampla transformação no ensino das escolas do país com base na eficaz aplicação da arte envolvida pela educação humanística. 

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