08 de March de 2021

Aquelas que preservam a dignidade da VIDA!

Nesse 8 de março, Dia Internacional da Mulher, selecionamos quatro histórias de mulheres incríveis, batalhadoras e invencíveis

Em uma carta intitulada “A felicidade neste mundo” enviada a um seguidor que estava passando por problemas o buda Nichiren Daishonin escreveu: “sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto a alegria como fatos da vida e continue orando independentemente do que aconteça. Que outro significado isso poderia ter senão a alegria ilimitada da Lei? Fortaleça o poder de sua fé mais do que nunca”. Esta frase serve para ilustrar o quanto cada membro da BSGI vem desafiando suas circunstâncias no dia-a-dia, com galhardia e coragem. Nesse 8 de março, homenageamos todas as mulheres Soka a partir das histórias de quatro impressionantes representantes: Ivoneide Monteiro de Lima, de Caruaru-PE; Maria Alves, de Campo Mourão-PR; Crislaine Janaina Alves, de Carapicuíba-SP; e Nayara do Sacramento Conceição, de São João do Meriti-RJ.


Empoderamento a partir do domínio da leitura


De Torino na Itália para Caruaru no sertão de Pernambuco. Ivoneide conheceu o budismo na terra da pizza e do macarrão, e desde cedo sentia-se muito inadequada devido o pouco conhecimento de ambos os idiomas (português e italiano). Mas perseverou na prática. De volta ao Brasil, após 16 anos na Itália, encontrou no sertão o mesmo grau de dificuldade e padecimento dos companheiros budistas, no que se refere ao domínio da leitura. Percebeu que para realizar os ideais de paz, cultura e educação da SGI era preciso mudar essa realidade, começando consigo própria.


Então, de forma empírica, Ivoneide passou a se treinar na leitura. E foi, aos poucos, incentivando outros a fazerem o mesmo. “Treinava dia e noite, inclusive as orações budistas que para mim não tinha o belo som como achava que deveriam ter”.


Percebeu também que a dinâmica das reuniões deveria mudar. Uma única pessoa conduzindo as palestras era cansativo, monótono e formal. Via os companheiros com seus jornais nas mãos, cujos olhos clamavam por uma oportunidade de participar, nem que fosse com a leitura de uma única frase, mas o constrangimento de não dominarem a leitura os impedia. Ivoneide resolveu dar um basta naquilo e fazer tudo para dar a eles (e a ela também) as condições de fazer fluir todo aquele potencial represado.


“Aqui no interior, povoados, sítios e cidades, os quais visitava todos os meses antes da pandemia, a dificuldade deles na leitura, no estudo era a ordem do dia”, explicou. Decidiu que daria a chance de participação de todos, inclusive crianças e convidados “A primeira vez foi terrível, mas muito divertida e gratificante pelo desejo ardente contido neles de poderem ler juntos, mesmo conscientes da péssima leitura, a felicidade deles era visível!”, exclamou.


Daí para frente foi inovando e experimentando. Via telefone, pessoalmente, por aplicativos. Não importava de que forma, somente o que contava era ajudar todos a se comunicarem e descobrirem seu potencial.


Com a chegada da pandemia teve que se reinventar, mas de forma alguma pensou em desistir. Venceu os entraves com a tecnologia para os encontros online, criou protocolos de segurança para garantir a participação de todos (não deixar ninguém de fora), incentivar, motivar, criar em cada um a confiança de que conseguiriam vencer suas limitações. Tudo isso gerou um grau tamanho de empoderamento em cada membro que hoje todos participam e se sentem cada vez mais confiantes em si, tanto na fé no budismo quanto em si mesmos e em sua capacidade de vencer quaisquer desafios.


 A dor é inevitável, sofrer é opção


Essa frase é um resumo bastante preciso da história de vida da professora Maria Alves. Mãe de dois filhos e avó de uma neta, Maria foi apresentada à filosofia humanística do Budismo de Nichiren Daishonin da Soka Gakkai após duas ocorrências marcantes e dramáticas em sua vida. Fato 1: a prisão de seu filho mais velho; fato 2: o falecimento seu irmão mais velho devido a um câncer. No espaço de dois anos sua vida desmoronou. Foi em meio a esse contexto que conheceu o budismo.


“Não encontrei os milagres que procurava, contudo, encontrei companheiros que estão ao meu lado nos momentos difíceis e nos alegres. Conheci os escritos de Nichiren que explicam, usando a razão, porque passamos por determinadas situações”, ressaltou. Somado a isso, encontrou nas atividades da BSGI, os meios que a auxiliaram a se desenvolver como pessoa e como budista.


Após algum tempo de prática, em 2015, seu filho foi a julgamento que resultou em pena mínima. “Durante os quase cinco anos que meu filho passou na prisão, eu orei para que o carma de ser mãe de alguém que comete um crime fosse amenizado, que meu filho não sofresse os horrores do cárcere e que eu me mantivesse firme e forte”. Orou ainda para que a mente de seu filho não fosse dominada por maus pensamentos devido à precariedade daquele local, pois sabemos que cadeia não redime ninguém e se a pessoa não tiver uma base sólida, alguém que lhe de suporte, se perde de vez”, contou.


Durante esse período, cuidou da neta e, para que se mantivesse o vínculo pai e filha, levou-a às visitas. “Mas eu voltava de lá arrasada. Houve dias em que estava em um estado de vida tão baixo que chegava, deitava e dormia. Sem forças nem para orar. Como se isso não bastasse, meu filho mais novo também foi preso, e em dias de visita eu tinha que escolher qual filho eu ia ver, pois as visitas eram no mesmo dia e horário, porém em cidades diferentes”.


Mas o carma negativo de Maria traria ainda outra triste ocorrência: passados alguns meses o pai de seus filhos também foi preso e ela se viu completamente sozinha no mundo. “Porém, compreendi que, o que para os outros seria uma derrota, para um budista era a manifestação do carma negativo e que com a forte fé eu venceria infalivelmente, pois no budismo não há oração sem resposta e eu poderia transformar todo veneno em remédio!”.


A determinação de Maria foi o que a tornou vitoriosa. Mesmo sozinha, não passou por qualquer dificuldade financeira, manteve a saúde mental por meio da gratidão e da alegria de reconhecer-se como um pessoa capaz de vencer a tudo e a todas as circunstâncias.


Hoje seus dois filhos estão livres e não devem nada à justiça. Amadureceram, estão trabalhando e valorizando a vida e a família. O que para as outras pessoas pareceria o fim, para Maria foi a oportunidade de transformar completamente a vida, conquistando ainda a harmonia familiar que antes não existia, pois antes seus filhos não se entendiam. Maria hoje, em gratidão, dedica-se ainda mais a difundir os ideais da Soka Gakkai em meio à sociedade, com a inabalável fé que só quem comprovou na própria vida pode se orgulhar de possuir.


 Jovem que desafia e vence!


Número 6 de uma prole de 9 filhos. Essa é Crislaine Janaina Sanches, de Carapicuiba, município da Região Metropolitana da capital paulista. Infância e adolescência vividas em meio à pobreza extrema, Crislaine cresceu revoltada. Principalmente – e erroneamente! – com a mãe. “Tinha raiva de tudo e de todos, culpava a minha mãe por toda a situação que vivíamos, por ela ter tido um monte de filhos, por não termos uma condição de vida boa, e pelo meu pai não ser um bom pai e por morarmos em um barraco na beira do córrego. Falava coisas horríveis para ela”, contou.


A família se converteu ao budismo Nichiren quando ela era um bebê. “Sempre gostei de praticar o budismo e de ir às reuniões, mas ainda não tinha um grupo horizontal, não gostava de dançar, nem tocar e muito menos cantar. Em um festival que teve na minha localidade, conheci o grupo Cerejeira”, enfatizou. Este, tem como objetivo organizar e preparar os eventos, grandes ou pequenos, e proporcionar conforto e segurança aos participantes. “Era o grupo ideal para mim, pois não precisava fazer apresentações, poderia ficar tranquila no meu canto (..). Naquela época não compreendi o sentimento do Cerejeira, mas depois aprendi que o grupo é muito mais que isso”, contou.


Quando ingressou confessa que foi bem difícil, pois a situação finaneira da família era muito precária. Incentivada pelas companheiras do Cerejeira e munida de um forte de desejo de construir os alicerces de uma vida plena, não desistiu. Resultado: foi acolhida com muito carinho pelas integrantes que se prontificaram em dividir carona e lanches. Aos poucos, devido a esse aconchego e comunhão, o coração revoltado da jovem Crislaine foi sendo aquecido e confortado e, sem nem se dar conta, foi tomada pelo sentimento de ser útil, de ser parte de tudo aquilo, de se tornar a cada dia um ser humano melhor. Em casa já não reclamava e a revolta contra a mãe foi sendo convertida em gratidão.


Ao buscar inserir-se no mercado de trabalho como Analista de Logística em um estágio que  trabalhava de segunda a segunda, sentiu-se tolhida pois não teria tempo para si ou para qualquer outra atividade. “Decidi sair do estágio e determinei que conseguiria um trabalho, que proporcionasse ao menos um tempo para mim”, explicou. Comprovando a frase “não há oração sem resposta”, conseguiu. “Ingressei na empresa que trabalho há 12 anos, de segunda a sexta”, exulta. Venceu cada um dos desafios. Foi contratada como terceirizada e aos poucos foi conquistando espaços. Hoje é analista em uma condição totalmente diferente. Passou por vários momentos dentro da empresa, muitos deles angustiantes, por dedicar-se tanto e não ser reconhecida. Porém, nesses momentos, sempre vinha à memória um trecho do poema de Daisaku Ikeda dedicado ao grupo Cerejeira que diz:


Minhas jovens! Mesmo que as pessoas não vos louvem, o canto das divindades celestiais, emitindo silenciosamente os acordes da alegria, haverá de louvá-las para sempre com toda a intensidade de suas forças”.


E, dentro de sua casa, a transformação foi imensa. Discussões, alcoolismo e até drogas sumiram da rotina da família. A moradia precária também se tornou passado. Por meio da união familiar, do empenho nas atividades da BSGI e oração conjunta, mudaram para uma boa casa que hoje é local de reuniões (antes da pandemia). Tamanha transformação não passou despercebida pelos que rodeiam Crislaine e 12 pessoas se tornaram budistas por observarem tanto a sua postura como a sua mudança radical de vida. É uma jovem que comprova no dia-a-dia a força e o poder da fé no budismo Nichiren.


 Quando eu mudo, tudo muda


Nayara do Sacramento Conceição, tem 24 anos e é budista desde 2015, sob o aval e anuência de mãe e irmã, que respeitam e reconhecem a importância de sua crença desde o início. A principal vitória obtida por meio da prática foi a transformação de questões internas que lhe causavam imenso sofrimento. Em especial, a morte precoce do pai. “Era algo que me gerava muito questionamento e sofrimento”, contou. Foi por meio do estudo do budismo e a dedicação às atividades da BSGI em prol dos meus companheiros, começou a compreender que o pai havia cumprido sua missão e que a morte era algo que precisava ser encarado como fato natural da vida. Compreendeu ainda que, como filha, deveria retribuir tudo que seu pai fez em prol da felicidade das outras pessoas, seguindo seu exemplo.


Outro aspecto que precisava transformar: precisava fortalecer sua crença em seu potencial. “Sempre fui uma jovem que cultivava sonhos grandiosos, mas criava dúvidas no coração de que seria capaz de realizá-los”, explicou. Os ensinamentos budistas e orientações do presidente da SGI, dr. Daisaku Ikeda, mudaram a forma de olhar para si mesma e a forma como se via, fortalecendo a autoestima.


A comprovação dessa transformação foi a aprovação num dos vestibulares mais concorridos do país, para cursar Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A partir dessa conquista sua forma de se colocar no mundo mudou completamente.


Confiante em seu potencial e munida de inesgotável gratidão, Nayara passou a dedicar-se com outro sentimento às atividades diárias. Sentia a missão de ser uma digna representante budista e, com alegria, desafiou sempre a realizar o melhor seja nas tarefas domésticas junto à família, seja nas atividades da faculdade ou da BSGI. “A Soka Gakkai vem a cada dia me proporcionando momentos incríveis e cruciais para meu desenvolvimento pessoal”, ressalta.


Com isso, outro objetivo grandioso foi conquistado. Conseguiu uma concorrida vaga de estágio em Engenharia Civil e o local era próximo da sua casa numa fábrica que havia chegado no local recentemente. Conseguir um estágio era um dos seus objetivos para 2020, porém com a pandemia ela receava ter que se deslocar longas distâncias e ter contato com outras pessoas. Também porque queria aproveitar a oportunidade que tinha de ficar em casa, estudar, se cuidar e cuidar da família o máximo que pudesse.


Conciliar faculdade e estágio foi um desafio ainda maior. E ainda, manter o ritmo dos compromissos assumidos com os companheiros da BSGI. Tudo foi um grande aprendizado. Mas Nayara sabia que devia retribuir às conquistas obtidas dedicando-se com todo o seu empenho às integrantes do Núcleo Feminino de Jovens do qual era líder. “Estávamos vivendo um momento atípico no qual muitas companheiras estavam enfrentando diversos desafios no trabalho, família e estudos”, contou.


Como resultado, o Núcleo que liderava foi o que mais se desenvolveu, as integrantes puderam transformar suas questões em algo em prol de seu desenvolvimento pessoal. Além disso, no final do período da faculdade, no início de dezembro de 2020, pode colher os frutos de todo seu esforço, sendo aprovada em todas as disciplinas. No estágio vem sendo reconhecida pelo seu trabalho e, a cada dia, se desenvolve mais e aproveitando todas as oportunidades de poder se aprimorar profissionalmente.


Finalmente, no dia 20 de dezembro, nos estertores do ano que ficará marcado na vida de todo o planeta como um dos mais aterradores da História, Nayara recebeu a oportunidade de viver uma nova fase em sua jornada com budista: foi convidada a liderar as jovens de toda a Região dos Lagos que compreende diversas cidades do Rio de Janeiro. “Venho me desafiando a cada dia para criar valores na localidade e estreitar os laços de amizade com os jovens e estudantes, visando sempre o desenvolvimento de cada um. Agradeço profundamente à minha mãe e irmã, que, mesmo não fazendo parte da Soka Gakkai, reconhecem e apoiam toda minha trajetória dentro da organização; ao meu noivo por todo apoio que tem me dado; e ao meu mestre Daisaku Ikeda por não ter poupado esforços para propagar ao mundo essa filosofia de vida maravilhosa, mesmo diante das adversidades”, finalizou a jovem engenheira Nayara.

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