21 de Julho de 2014

Aprendizado para a resiliência

Resiliência: capacidade de retornar à forma original mesmo em meio aos escombros

 


“...o século 21 nos abre ao encontro de esperança, solidariedade e paz, imprescindíveis à existência de uma sociedade mundial sustentável, na qual a dignidade de cada indivíduo desponte com o seu íntimo brilho.”*


 


Há 100 anos, um conflito de dimensões mundiais teve início. Em números absolutos, 15 milhões pereceram, um contingente imenso se pensarmos em termos de população mundial mobilizada para os combates que era de 70 milhões. Para a contemporaneidade foi a Segunda Guerra – a partir da polarização clara entre o bem e o mal – o conflito mais lembrado. Porém, se analisarmos as suas causas e conseqüências percebemos que uma não existiria sem a outra. A Primeira Guerra – ou a Grande Guerra como foi chamada inicialmente – causou uma imensa ruptura na história: pôs fim à hegemonia da Europa sobre o restante do planeta e deu abertura para a ascensão dos EUA, do fim do Império Otomano surgiu o fundamentalismo islâmico, o comunismo encontrou espaço para estabelecer-se e, paralelamente, a disputa ideológica que se seguiu. Na cultura, artes e ofícios mudaram radicalmente, bem como os costumes e comportamento.


Nunca antes na história o homem matou tanto e com tanta eficácia. As guerras anteriores tornaram-se tema de romances em narrativas ora quixotescas e heróicas, ora salpicadas de ironias e sarcasmo. A eficiência humana para a mortandade teve como palco o mundo cujas conseqüências vivenciamos até hoje.


O fragmento de texto que abre este artigo remete a um anseio que as primeiras décadas do século XX parecia ser real. Sinais de que se avançava rumo a um novo e superior estágio de progresso e convivência harmônica eram claros. Na Paris de 1900, a Exposição Mundial ostentava esse idealismo em todos os estandes – ciência, história e cultura superiormente interessantes e de cunho visivelmente otimista – dava a entender que o mundo viveria um novo século de paz, enfim.


Mesmo os mais desvaforecidos tinham motivos para acreditar nesses ares de “novos tempos”, já que nunca houvera tanta oferta de alimentos, muito menos tantos ares de esperança, materializados na possibilidade de imigrar para o novo mundo e enriquecer, conforme relatos de quem já havia se aventurado para o outro lado do Atlântico.


Ao se instalar o conflito, alastrou-se a visão romântica espalhada por intelectuais de que a paz era um tédio e a guerra a redenção. Hordas de gente de todas as classes compraram tal idéia e correram alistar-se. Um dos poucos lúcidos deste período, Randolph Bourne escreveu em 1917 sobre este fato: “Eles [os intelectuais] são responsáveis pela criação da mitologia popular de que essa guerra é uma cruzada santa”, a exemplo do que já ocorrera séculos antes na Idade Média com o evento das Cruzadas.


O fato é que, embora a humanidade tenha aparentemente aprendido – a duras penas – os riscos de um conflito mundial, os sintomas de que o planeta ressente-se dos maus tratos está por toda parte. O conflito na Síria já perfaz quatro anos; a região da Ucrânia mantém uma disputa sangrenta com a Rússia pelo controle da região da Criméria, para citar somente duas das grandes ameaças atuais à paz.


A comunidade internacional deve se empenhar para responder a essas crises humanitárias, impedir que a situação das vítimas se agrave ainda mais, e levar alívio a todos que de alguma forma foram afetados.*


A resiliência é um conceito da física que descreve a capacidade de um material retornar à sua forma original após exposição a fatores externos. Aprender com os erros é uma necessidade e a humanidade tem se mostrado propensa ao aprendizado, mas é preciso mais. É preciso reforçar as convicções das ideias que conduzem à convivência pacífica, em conjunto com a participação ativa em grupos que promovam ações efetivas para o combate aos fatores desestabilizadores que ameacem a harmonia. Rechaçar os conceitos discriminatórios, preconceituosos e impregnados que violência são alguns dos meios efetivos de contribuir.


Nada adianta manter-se inerte, à parte dos acontecimentos apenas no aguardo de que alguém ou algo reestabeleça o equilíbrio. Tal postura não condiz com o verdadeiro militante da paz. O presidente da SGI, dr. Daisaku Ikeda reforça essa postura ao enfatizar a “a importância de cultivar, na convivência diária, o ‘capital social’ de intercâmbios e laços entre pessoas da mesma localidade. Acima de tudo, a força de vontade e a vitalidade das pessoas de uma comunidade são energias fundamentais”.


E, ressalta como realizar este empreendimento:


Se quisermos que essa força alcance a plenitude de suas ricas possibilidades, precisamos compreender bem o que significa essa palavra [resiliência]. Não é apenas a capacidade de nos preparar para enfrentar e resolver as conseqüências dos desastres: ao contrário, devemos considera-la caminho para um futuro de esperanças, aberto pelo desejo natural das pessoas de trabalhar de mãos dadas por objetivos comuns e sentir na prática que eles avançam. Faz parte imprescindível do projeto compartilhado pela humanidade de criação do futuro – projeto do qual pode participar qualquer pessoa, em qualquer lugar, para a sólida fundação de uma sociedade humana mundial que garanta o seu futuro.*


 


 


 


*Fragmentos da Proposta de Paz de 2014, Criação de Valores Humanos, a construção de um mundo solidário capaz de se recuperar de tantas aflições, de Daisaku Ikeda)

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