08 de Abril de 2014

A Terra, nosso lar...

Cristina Moreno, coordenadora da Carta da Terra no Brasil

“Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.” (Fragmento da Carta da Terra)


Olhar ao redor e enxergar as intrincadas conexões entre cada ser e a sua influência no ambiente que os cerca. A busca pela visão sistêmica da vida levou-a ao curso de Engenharia Química. “Foi o meu embarque rumo ao conceito de sustentabilidade”, conta a mineira Cristina Moreno, coordenadora no Brasil da Iniciativa Carta da Terra Internacional1. Sua trajetória profissional veio sendo construída nessa direção há décadas. Há muitos anos, a BSGI e o movimento que representa vivenciam uma profícua parceria cujo objetivo é a disseminação dos ideais expressos na Carta, por meio, principalmente, da exposição-documentário Sementes da Mudança – a Carta da Terra e o Potencial Humano.


Ela conta que na época de sua graduação havia dois caminhos para as mulheres engenheiras: o magistério ou o laboratório de pesquisas. “Eu queria ir para o campo, entrar nas empresas e por a mão na massa”, ressalta. Por isso foi para o mercado. “É preciso experimentar, ver na prática, ou não se consegue ter uma visão geral das interações químicas”, explica.


Depois da graduação, foi para a pós em Engenharia Térmica e Engenharia Econômica. No setor de papel de celulose atuou em diversas plantas, sempre com os olhos na sustentabilidade. Este setor da indústria já chegou a ser um dos maiores poluidores. Cristina foi uma agente do bem que ajudou a modificar este quadro. “Chegamos a montar uma rede de percepção de odor em uma comunidade da Bahia, onde as mulheres voluntárias eram treinadas periodicamente para alertar a planta”, conta entusiasmada.


Engendrando-se ainda mais no conceito de sustentabilidade e inspirada pela visão sistêmica de sua formação acadêmica, Cristina foi conscientizando as empresas sobre os impactos de sua atuação.


Mas foi só em 2006 que tomou contato com a Iniciativa Carta da Terra. Recebeu um convite para participar de uma reunião em São Paulo e encantou-se.
“A Carta da Terra é minha grande inspiração, pois é o principal documento sobre a questão da Sustentabilidade, com uma visão profunda e abrangente das necessidades da nossa casa, o planeta Terra”, ressalta.


Decidiu aposentar-se e voltar-se quase que exclusivamente para a Iniciativa Carta da Terra e hoje é a coordenadora do movimento no Brasil. A busca de um mundo mais justo, harmonioso e sustentável passa pelos mais diferentes caminhos, desde palestras em escolas até oficinas para comunidades, passando pela disseminação boca-a-boca. “E este é o meio mais efetivo de divulgação”, enfatiza. Cada pessoa que se encanta com a Carta, passa a sua mensagem para outra e esta também decide compartilhar e é assim que a mensagem vai se propagando. “É um trabalho de ‘fomiguinha’ que vai passando a semente de um para o outro”, diz.


Como na Universidade de São Paulo (USP), tudo começou na Faculdade de Economia e Administração (FEA) que em 2013, assinou a Carta. Neste mês de abril o Hospital Universitário (leia matéria em: http://www.bsgi.org.br/noticia/a-terra-e-nossa-mae-20140408/) também tornou-se signatário e já expressaram interesse o Instituto de Oceanografia e da Escola Politécnica. “Tudo fruto da rede de contatos pessoais!”, exulta Cristina.


Desde 2000, quando a Carta foi concluída e oficialmente lançada ela é um documento e um movimento. Movimento são as ações realizadas para que o documento não seja esquecido. A carta retrata a vontade do planeta por um mundo melhor. “O pilar central é o de respeitar e cuidar da comunidade da vida, onde realmente está todo o conceito do amor, além de estar imbuída a gratidão pela Mãe Terra”, explica.


Após 14 anos de vida apenas, já são mais de 4,5 mil entidades participantes e outras dezenas de milhares de ações, tanto individuais como coletivas. “Assim como a BSGI que vem promovendo a exposição Sementes da Mudança, outras organizações e pessoas vêm realizando eventos marcantes, muitos até singelos, mas que demonstram a força da mensagem expressa na Carta”, enumera a coordenadora.


Por não possuir uma estrutura formal, a mobilização tem que contar com a conscientização das pessoas que, motivadas pelos princípios, engajam-se em ações e tornam o documento mais do que palavras expressas em um papel.


“A Carta da Terra nos convida a perceber duas coisas importantes. A primeira é que a gente está procurando um universo sustentável. Ele só será possível se tivermos países sustentáveis, organizações sustentáveis e famílias sustentáveis. Por isso, é importante que todos façam a sua parte”, finaliza Cristina.


1. A Carta da Terra (http://www.cartadaterrabrasil.org/)é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.

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