21 de Julho de 2014

A justiça e o ideal

Ademir José da Silva tem na justiça as armas para buscar a paz

O advogada da paz, Ademir

“Sou a favor da vida acima de tudo e por isso vivo para fazer a justiça prevalecer!”, conta o advogado Ademir José da Silva, associado da BSGI 25 dos seus 62 anos de vida, embora não aparente mais que 50. Sua trajetória profissional perpassa por caminhos nem sempre fáceis, mas o que o caracteriza é o sorriso franco e generoso. “Eu era um homem triste antes de conhecer a BSGI”, conta. Difícil imaginá-lo sem o riso aberto acompanhado do chacoalhar de ombros, uma de suas marcas registradas. Ademir é a imagem do justo, humilde e idealista.


Sua história começa na pequena e pacata Paranaíba-MS, cidade que teve importante papel na Guerra do Paraguai, pois foi rota de apoio logístico para a fuga dos civis envolvidos nesse conflito. Ao término do Ensino Fundamental decidiu-se por continuar os estudos em outro local, já que a cidade não oferecia o curso de Ensino Médio. Acompanhado de primos, decidiu-se por Campinas-SP por lá se encontrar uma tia que vivia há alguns anos na já progressista cidade. Eram meados dos anos 60, época de grande turbulência cultural e social em todo o mundo. O jovem Ademir já era um idealista, muito por causa de vivenciar momentos de opressão e discriminação devido à sua descendência africana. “O racismo institucional é velado e a maior parte nem se dá conta dele”, ressalta o advogado. Foram muitas as ocasiões em que o cidadão viu seus direitos civis ameaçados ou vilipendiados devido a cor de sua pele.


Tais fatos não o transformaram em um combatente feroz da causa da justiça. Pelo contrário, sua índole amável e generosa sobressai a todo momento, contrapondo-se com a voracidade de suas convicções.


Foi em uma domingueira do Clube Cultural Recreativo Campineiro que conheceu aquela que se tornaria sua companheira de todas as horas. Quando a conheceu rapidamente tornaram-se namorados e, quatro anos mais tarde em 1978, casaram-se. Já são 36 anos de uma união apaixonada. “Ela tem uma energia, uma garra e uma confiança que me espanta!”, confessa.


A trajetória conjunta do casal foi marcada por caminhos diversos, mas sempre mantendo-se no ideal de justiça. Altivos afrodescendentes, cada qual sempre carregou ostensivamente o orgulho de sua origem sem nunca afrontar ou coagir. A dignidade estampada nos rostos e a certeza de estarem honrando as vidas de seus ancestrais é característica que emana com ternura.


Assim, quando Ademir conheceu a filosofia humanística do budismo Nitiren por intermédio de um encontro promovido pela BSGI local, percebeu que encontrava o caminho derradeiro, pelo qual vinha buscando há tanto tempo. “Me lembro nitidamente dos relatos de vida, embora não tivesse entendido nada mais da reunião”, explica. Vivia em meio a um caos pessoal, ocasionado por problemas profissionais. O médico lhe disse que seu nível de estresse estava no limite. Física e mentalmente era um homem atormentado. A partir daquele encontro pos em prática o que aprendera e, pouco menos de um mês após aquele encontro, como que por encanto, seus problemas cessaram. A partir daquela experiência, Ademir abraçou a causa do humanismo e dela nunca mais se desligou.


A carreira do Direito chegou quase que naturalmente. “Meu pai não queria, ele não acreditava na justiça brasileira”, conta Ademir. Após tornar-se um associado da BSGI sentiu que poderia unir os dois ideais: a justiça e o humanismo e obter resultados muito maiores. Comprovou sua teoria em quase todas as ações que protagonizou. Chegou a diretor do Procon da Prefeitura de Campinas.


Hoje, funcionário público concursado, mas não acomodado, mantém sua integridade e a luta pelos direitos humanos. “Fui presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB-Campinas e naquela ocasião pude estreitar os laços da BSGI com a sociedade campineira”, orgulha-se.


Por ocasião da exposição internacional Desenhos das Crianças do Brasil e do Mundo*, uma realização da BSGI em conjunto com a SGI e a Unesco, em 1997, no Museu de Arte Contemporânea – MAC – de Campinas, Ademir pode mostrar a grandiosidade da mensagem de paz divulgada pela entidade que abraçou. “Até hoje foi o maior público que o MACC já viu: cerca de 31 mil pessoas visitaram a exposição em pouco mais de um mês!”, exulta.


A partir deste evento, outros se seguiram. A BSGI em Campinas têm o respeito e a consideração tanto de autoridades quanto de líderes culturais e acadêmicos, muito graças aos esforços deste incansável e justo advogado.


Sua meta de fazer prevalecer a justiça mantém-se inalterada desde que optou pela carreira do Direito. Em uma ocasião, proferiu palestra no Departamento de Juristas da BSGI sob o tema da questão racial. Ao ser questionado quanto a pontualidade dessa questão, respondeu que “para atingir a meta principal – a paz perene no mundo – é preciso perpassar pelas questões pontuais, pois o bonde da história é lento”. Para Ademir, por meio do combate de questões cotidianas como o racismo institucional, busca-se também o bem maior que é a justiça global, ou a paz plena e total.


 


*Esta exposição ainda é exibida. Mesmo após décadas de vida, mantém-se atual e sua exuberância explícita nas imagens das crianças de todo o mundo, encanta e emociona todos os que a visitam. Até hoje mais de 4 milhões de pessoas já viram a mostra.

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