16 de July de 2021

A impressionante saga de três jovens irmãs

A história das irmãs Nishikawa começa no Japão, cujos avós migraram ao Brasil em 1960. Hoje são exemplos de perseverança e vitórias

Iluminando os dias: delas e de toda a família

Tatiana (à frente do grupo), liderando a banda

Apresentação da Kotekitai em que estiveram presentes, Eliana e Karina

Quem olha para as três irmãs hoje, jamais imaginaria tudo o que passaram. São três vencedoras! Três integrantes da BSGI desde o nascimento, graduadas pela Universidade de São Paulo em Administração de Empresas e que, desde a tenra infância, foram arrastadas a um turbilhão de adversidades, mas nem por isso deixaram de acreditar, pois souberam cultivar a esperança, florescendo lindamente nos jardins da Soka Gakkai, como verdadeiros valores humanos. Esta matéria é a segunda deste portal sobre os jovens da BSGI, neste mês dedicado a eles, e sua luta incansável pelos ideais de Paz, Cultura e Educação.


A Segunda Guerra Mundial trouxe ao Brasil milhares de imigrantes japoneses em busca de uma vida melhor. Os avós de Tatiana Harumi, 32 anos; Eliana Kazumi, 30; e Karina Mayumi, 24; chegaram ao Brasil com os filhos em novembro de 1960. Trouxeram na bagagem muitos sonhos e esperanças, mas as condições de trabalho eram precárias e, em meio às desilusões encontraram alento na prática budista da BSGI.


Origens


“Nossos país se conheceram no Brasil. Meu pai [Hidetoshi], é japonês e minha mãe, [Helena], nasceu aqui e é descendente de japoneses”, contaram. As condições do país da era Collor levou milhares de dekasseguis a fazerem o caminho inverso de seus antepassados. Embora tivessem tentado engravidar no Brasil, foi no Japão que o sonho dos filhos se concretizou. “Eu e a Eliana nascemos lá”, contou a primogênita dos Nishikawa. A caçula Karina só viria alguns anos depois já no Brasil.


Trazendo suas economias, conseguiram constituir uma floricultura. O trabalho era contínuo e exaustivo, inclusive nos fins de semana. “Por isso somos muito gratas aos líderes do Núcleo Estudantil que sempre nos buscavam para as atividades. Graças a isso nunca perdemos o vínculo com as ações da BSGI”, enfatizaram.


Outro grupo jovem da BSGI que sempre as acompanha até hoje é a banda feminina Asas da Paz Kotekitai do Brasil. “Somos o que nos tornamos graças às maravilhosas companheiras da Kotekitai”, ressaltaram as três.


Anjos da Paz,


Mensageiras da Cultura,


Oh! Minhas companheiras


Do grupo de pífanos e tambores


Soprando suas ardentes aspirações,


Vocês são flores vicejando perenes


Nesta era turbulenta. *


 


Esse poema é a inspiração de centenas de meninas e mulheres que, ao longo dos anos, forjaram suas vidas em meio às mais diversas adversidades e que “vicejam perenes”, a despeito de todas as turbulências. A primeira turbulência na vida dessas jovens foi a separação dos pais. No alto de seus tenros 12 anos, Tatiana precisou tomar à frente e decidir com quem iriam morar. Escolheu que viveriam com o pai.


Turbulências


“Nos mudamos para a casa da minha avó, e minha tia Cecília morava próximo. Foi ela quem nos ensinou o que a prática budista representa na vida de cada um. Ela nos ensinou a orar e a valorizar a BSGI e nos incentivou a realizar a entrevista para a Kotekitai”, contou Tatiana. Foi assim que as três ingressaram na banda mesmo sem conhecer ou ter condições de comprar os instrumentos. Ao longo de anos frequentaram os ensaios sabendo que não se apresentariam com as demais. Iam para conviver e apoiar as companheiras, receber incentivos e treinamento.


Para oferecer mais à família, o pai Hidetoshi, montou uma pequena oficina de troca de óleo e os quatro foram morar nos fundos. “Havia somente um cômodo. Eu e minhas irmãs dormíamos num triliche, tinha um guarda roupas pequeno e o oratório. A cozinha era improvisada em um outro canto”, contaram. Viveram nessas condições por mais de uma década.


Importante pontuar que, enquanto contavam tudo isso, nenhuma das três deixou transparecer qualquer mágoa ou ressentimento. Sorrindo e se emocionando ocasionalmente, cada uma das jovens foi imprimindo em cada detalhe o sentimento de orgulho e gratidão por aquelas mazelas, pois compreendem que cada fato teve um lugar importante em suas vidas e que serviram ao propósito de fortalecê-las, como o carvão que tem de passar por forte pressão para se tornar diamante.


Vitória nos estudos


Mesmo em meio às dificuldades financeiras, o pai, acreditando que o melhor que poderia oferecer às filhas era o estudo, sabia que um dia todas estudariam na USP. “Era pouco o que tínhamos, mas pudemos nos dedicar integralmente aos estudos, graças ao nosso pai”, ressaltaram. Estudando com afinco e dedicando-se às atividades da BSGI e à banda, a primogênita prestou seu primeiro vestibular após um ano de cursinho. Passou  em duas importantes universidades públicas, mas queria a USP. E, após mais um ano de estudo ingressou na mais prestigiada universidade do país e no ano seguinte, foi a vez de sua irmã Eliana. Anos depois foi a vez da caçula se juntar às demais. Vitória!


Um parênteses importante é preciso colocar nesse ponto. Quando da separação, houve o distanciamento da mãe. Uma das diretrizes mais preciosas da SGI é “Prática da fé para a harmonia familiar” e as filhas almejavam, em seu âmago, conseguir reunir a família de novo. E, na formatura da primogênita, após mais de 10 anos lá estava a família completa, harmoniosamente. E nas demais formaturas que se seguiram. Novas conquistas, almejada por anos!


Com um mero pífano e tambor


Vocês tocam o ritmo básico deste Universo místico.


Eles sentiram a ressonância,


E, no fundo de seus corações,


Surgirá uma razão para a Paz.


Uma agradável melodia


Dó, ré, mi


Poética, pura


O luar de um castelo em ruínas


E a sinfonia do êxtase


Advento de um oásis musical


Banhando o deserto do espírito*


 


Asas da Paz Kotekitai do Brasil


Sempre que os desafios se apresentavam, a coragem para enfrentar surgia a partir da prática budista, do empenho nas atividades da BSGI e da banda. “A Kotekitai marcou nossas vidas em todos os sentidos”, ressaltaram. Foram vários anos até que conseguissem adquirir os instrumentos. “Já sabíamos todas as partituras de cor, dedilhando numa caneta”, explicou Tatiana.


Foi em meio aos ensaios de mais um desfile de 7 de setembro que a mãe, observando o empenho das filhas, decidiu voltar a praticar o budismo após anos afastada. Mais um êxito!


Em 2019, o pai decidiu vender o comércio de troca de óleo, obtendo um bom valor no negócio. Alguns anos antes vendera uma pequena casa em Osasco que ficara abandonada desde a separação, para uma grande construtora, obtendo pelo menos 3 vezes o valor de mercado. As condições financeiras da família já eram bem mais tranquilas e foi então que novo desafio se interpôs para que a família vencesse completamente nas diretrizes da SGI, “prática da fé para manter a boa saúde e a longevidade”.


Fechando a saga


Em 2019 o pai teve diagnóstico de problema cardíaco, e decidiu vender o comércio, pois teria que passar por  uma cirurgia. “Mas não era muito complicado, então não nos preocupamos muito”, confessou Karina. Porém, aquilo que deveria ser tranquilo, complicou e foi preciso uma segunda cirurgia, esta não tão simples. O que seriam 5 dias, se tornaram 3 semanas. Como todas trabalhavam, coube à mãe a tarefa de assisti-lo ao leito. Além dela, a irmã dele, Cecília, e companheiros da BSGI se revezaram incansavelmente no apoio. O resultado não poderia ser outro: nova vitória!


E, fechando a saga, no Dia das Mães deste ano de 2021, após mal estar e um exame endoscópico, a mãe teve o diagnóstico de câncer de estômago. Anos antes o pai havia feito um plano de saúde para ele e para a mãe, pois sabia que ela tinha diabetes e poderia ter complicações no futuro.. Graças a isso, tanto os procedimentos cardíacos como o tratamento contra o câncer foram totalmente cobertos. “Nossa mãe passou pela quimioterapia sem qualquer reação adversa, como é comum e está lutando, confiante de que vai conseguir vencer”, enfatizaram.


Perpassando as chamas da guerra


Saltando por sobre o estrondo da civilização


Proclamando a nova verdade a humanidade


Aqui e ali ilumina-se a luz da vida.


Luzes justapõem-se


Vocês serão o raio incandescente


Para amenizar a construção desta época


Farta da obscuridade e da infâmia


E então brevemente


Iluminar todos os dias futuros*.


 


Comprovando na vida, cada verso do poema, as jovens irmãs Nishikawa seguem suas vidas, sorrindo e iluminando todos os dias futuros, sabendo que ainda terão pela frente muita turbulência, mas que cada uma delas é um meio para o crescimento e o desenvolvimento, de si e de todos à sua volta.


 


(* Fragmentos do poema Anjos da Paz, de Daisaku Ikeda, dedicado a todas as integrantes da banda feminina Kotekitai no mundo. Em setembro de 2021, este poema completa 50 anos)


 

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