Linhagem do Budismo - Mahayana e Hinayana

O budismo originou-se na Índia e lá se dividiu em duas principais correntes. Uma delas seguiu o caminho até o atual Sri Lanka, Mainmá, Tailândia e Indonésia, ao passo que a outra corrente se espalhou do Hindu Kush à Ásia Central e então para a China, a Península Coreana e o Japão. A primeira corrente foi denominada Hinayana, e a segunda, Mahayana.

De acordo com as doutrinas Hinayana, os sofrimentos são causados pelos desejos e egoísmo inerentes na vida humana. A fim de erradicar os sofrimentos, os ensinos Hinayana pregam que as pessoas devem extinguir todos os seus desejos. Por isso, aqueles que seguem os ensinos Hinayana têm como objetivo o estado de completo vazio, e esse ideal é o nirvana. Contudo, extinguir os desejos significa extinguir a própria existência neste mundo, pois o desejo é uma parte intrínseca da vida humana.

Ambas as escolas filosóficas acreditam que os desejos mundanos, o egoísmo e outros são a causa dos sofrimentos. Nesse sentido, não há diferença entre o Budismo Hinayana e o Mahayana. Entretanto, o ensino Mahayana nega a prática de extinguir os desejos. Em vez disso, encoraja as pessoas a manifestar em seu interior a vida universal de forma que sejam capazes de controlar os desejos e direcioná-los positivamente. Dessa maneira, os sofrimentos são erradicados. Nesse ponto, o Budismo Mahayana difere decisivamente do Hinayana.

Os ensinos do Budismo Mahayana são subdivididos em duas partes. A primeira parte ensina que as pessoas devem acreditar em um ser transcendental. Essa crença está contida na divisão conhecida como Mahayana provisório, ou ensinos expostos antes do Sutra de Lótus. A idéia de um ser transcendental no Mahayana provisório possui certa semelhança com as idéias do cristianismo ou do islamismo; porém, ainda assim são diferentes. O Mahayana provisório ensina que o Buda da perfeita iluminação existe em um paraíso distante em outra parte do Universo e que os seguidores poderão ir para o lugar onde está o ser transcendental após morrerem. No cristianismo e no islamismo, o ser supremo, que transcende as dimensões deste mundo fenomenal, controla e governa esse Universo.

Em contraposição a um ser transcendental, a outra divisão do Budismo Mahayana, que consiste do Sutra de Lótus, identifica um ser universal que existe simultaneamente inerente na própria vida, neste mundo fenomenal e no Universo todo. No cristianismo e nos ensinos pré-Sutra de Lótus, esse ser universal, ou realidade suprema, é visualizado em termos de uma “personalidade”. Porém, o Sutra de Lótus considera essa realidade como uma “lei” que governa tudo. Nitiren Daishonin identifica essa lei como Nam-myoho-rengue-kyo.

Se os seguidores são leais aos ensinos do Budismo Hinayana e agem de acordo, eles têm de negar a própria existência neste mundo. Até as pessoas que praticam os ensinos do Budismo Mahayana provisório certamente tentarão escapar da vida diária e da sociedade em vez de fazer parte dessa realidade. Em contraste, o Sutra de Lótus, conforme a interpretação de Nitiren Daishonin, estabeleceu o caminho para desafiar os sofrimentos e problemas da sociedade a fim de reformar este mundo repleto de tormentas, não por meio da fuga, mas por meio da convivência positiva em meio às pessoas. Os ensinos do Sutra de Lótus mostram o caminho para que as pessoas possam se libertar do egoísmo e da arrogância e também o caminho para a genuína realização humana fundamentada no ser universal.

Texto extraído do livro "Fundamentos do Budismo", Editora Brasil Seikyo, © 2004. Direitos reservados. É proibida a reprodução de texto e imagens contidos nesta publicação

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