A compatibilidade de ciência e religião
A ciência e a religião foram por muito tempo consideradas incompatíveis no Ocidente. Isso causou várias e sérias disputas, especialmente no início da era cristã. O budismo faz-se ainda mais impressionante quando torna-se aparente que ele não apresenta nenhuma contradição ao fato científico. Isso se deve em parte porque o domínio em que o budismo se abre e faz suas elucidações é completamente diferente da dimensão da ciência.
A ciência investiga o mundo fenomenal onde o homem vive e atua, lidando com os aspectos objetivamente perceptíveis da existência. O aspecto material é apenas parte da realidade, mas os fenômenos físicos são os mais acessíveis a uma mensuração e a uma correlação objetivas. Por essa razão, as ciências naturais se desenvolveram antes que os outros campos da ciência. Os fenômenos sociais foram estudados e examinados, o que resultou no desenvolvimento das ciências sociais. No final do século XIX, as questões humanas tornaram-se um importante objeto de estudo e, posteriormente, resultaram num grande avanço das ciências culturais. Indo mais além, o estudo da mente humana progrediu da superstição e da suposição para o fato comprovável e a teoria fundamentada.
Os domínios daquilo que chamamos de “ciência” estão se ampliando gradativamente, mas uma vez que o “método científico” baseia-se na observação metódica e científica e no raciocínio, é limitado pela sua própria natureza. Há esferas que estão fora do alcance da cognição científica. Essas esferas podem ser compreendidas, mesmo que de algum modo, apenas pela mente intuitiva e subjetiva. Esse método é mais freqüentemente aplicado ao fenômeno social do que à natureza, e mais ao estudo da mente humana do que ao da sociedade. O budismo elucida as verdades com base nas capacidades subjetivas das pessoas, extraindo assim a sabedoria prática da vida.
Em sua busca da verdade, a ciência aproxima-se principalmente do raciocínio analítico e indutivo, ao passo que o raciocínio budista é um método global de dedução e intuição.
Para conduzir uma vida melhor, a cognição objetiva é necessária mas não totalmente eficaz. A ciência desempenha um poderoso papel na cognição objetiva, mas a eficácia com que esse método é utilizado para melhorar a vida das pessoas é decidida pelo grau em que os indivíduos são despertados para a verdade que se encontra nas profundezas de sua vida. É essa a verdade que o budismo elucida. Neste sentido, a ciência e a religião realmente se complementam. Nas palavras de Einstein: “A religião sem ciência é cega; e a ciência sem religião é incompleta.”
Texto extraído do livro "Fundamentos do Budismo", Editora Brasil Seikyo, © 2004. Direitos reservados. É proibida a reprodução de texto e imagens contidos nesta publicação |