CEPEAM
Centro de Projetos e Estudos Ambientais do Amazonas

Readaptação de sauins de coleira ao habitat natural
Trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento/Ong Sapeca/Petrobras com apoio do CEPEAM
Autor do Projeto: Dra. Rosana Subirá


Saguinus bicolor –
Espécie em extinção.
O sauim de coleira, Saguinus bicolor, é hoje considerado o primata mais ameaçado em toda a Amazônia. Sua área de ocorrência é naturalmente restrita e vem sofrendo reduções contínuas, por dois motivos principais. De um lado, a invasão constante e gradativa de seu habitat por uma espécie semelhante e competidor natural, Saguinus Midas, o sauim mãos douradas. Por outro lado, o crescimento da cidade de Manaus, localizada no centro da área ocupada pela espécie.

Em julho de 2002, criou-se o PROGRAMA DE PROTEÇÃO DO SAUIM DE COLEIRA conduzido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento –SEDEMA/Ong Sapeca/Petrobrás. O programa tem como objetivo mapear os fragmentos florestais urbanos que abrigam grupos de sauins de coleira; buscar mecanismos para proteger essas áreas verdes; monitorar os bandos de sauins nestes fragmentos; manejar os animais sempre que necessário (resgates, translocações e reintrodução); e implementar projetos de educação ambiental visando conscientizar a população sobre a questão. O projeto “Readaptação de Sauins de Coleira ao Habitat Natural” iniciou-se, tendo como a área de Reserva do CEPEAM como local ideal para execução de uma tentativa pioneira de devolver estes animais à natureza. No início de 2003 foi construído o primeiro recinto de reabilitação no local. O recinto é montado em estrutura metálica, telas e redes, e é inteiramente desmontável. Possui dimensões de 6x8x6 metros e foi construída no meio da mata, de forma a manter em seu interiro, uma vegetação natural.

O primeiro grupo de sauins de coleira foi transferido em 06 de março de 2003, e passaram por um período de reaprendizado à vida selvagem. Recebem alimentação composta principalmente por frutos nativos, duas vezes ao dia. A formação do bando e definição de que animais ficam ou não em um grupo é determinada unicamente pela afinidade entre eles, sendo retirados àqueles indivíduos que não são aceitos pela maioria. Após essa definição, estes animais foram monitorados durante os meses seguintes para se verificar o nível de desenvolvimento de desenvolvimento atingido por cada indivíduo. A maior parte destes tem conseguido atingir bons resultados, entretanto existem casos onde o animal não consegue se readaptar, o que impossibilita seu retorno ao ambiente natural. Normalmente isso se deve a um longo período de permanência em cativeiro, o que torna os animais extremamente mansos e ingênuos. A capacidade de recuperar características selvagens varia de indivíduo para indivíduo, e aqueles que não conseguem são retirados do experimento, para que não coloque a si mesmo ou o bando em risco. Estes indivíduos são enviados para projetos de reprodução em cativeiro.
A avaliação da aprendizagem dos animais leva em conta:

Interação social

Se dormem ou não juntos; catam-se uns aos outros; dividem alimentos; interagem sexualmente; se há sinais de dominância entre os indivíduos; se há marcação por glândulas de cheiro; se há comunicação entre eles e com outros bandos.

Interação com o ambiente


Técnicos da SEDEMA
fazem avaliação clínica
da espécie.
Se utilizam bem o substrato; se conseguem abrigo de chuva ou esconderijos; se estão alerta quanto à existência de predadores; qual a reação de cada um após o aviso; reação ao caso de avistamento de predadores; qual a reação ao avistar um outro bando de sauim de coleira; se estão caçando insetos ou se alimentando de algo mais além do alimento fornecido.

O primeiro grupo permaneceu em cativeiro por nove meses, ao final dos quais foi considerado apto para soltura. Após exames clínicos minuciosos a fim de se garantir que estavam plenamente saudáveis e não poriam em risco a população selvagem da área, os primeiros quatro indivíduos (três machos e uma fêmea, todos adultos) foram soltos em 15 de dezembro de 2003. Receberam apenas uma marcação individual feita com tinta própria para pêlos, para facilitar a identificação visual. O monitoramento pós-soltura consta de acompanhamento visual do bando, tendo como referência o ponto onde foram soltos e onde continuam recebendo oferta de alimentação por mais algumas semanas.

O segundo bando, instalado em outro recinto de mesmo tamanho, iniciou se processo de reabilitação em 8 de agosto de 2003 e três indivíduos (um macho adulto e duas fêmeas, uma adulta e uma jovem) foram soltos em 3 de março de 2004.


Técnicos da SEDEMA fazem avaliação clínica da espécie.
Do primeiro grupo solto, um macho se separou do bando logo nos primeiros dias, tenso sido avistado em companhia de um grupo nativo. Cerca de um mês após a soltura a única fêmea foi morta por ataque de cão, e os outros dois indivíduos permanecem juntos até o último contato, não tendo sido vistos recentemente, pois deixaram de visitar o comedouro.

O segundo bando permaneceu unido, embora tenha se tornado independente do reforço alimentar oferecido, já na segunda semana. O trabalho de monitoramento ainda deve continuar por mais algumas semanas, mais observações serão necessárias para se conhecer a capacidade rel de adaptação dos indivíduos. Até o momento, o bando 2, mais coeso apresenta uma maior perspectiva de sucesso. A perda da fêmea do bando 1, pode indicar um problema sério para os machos restantes por representar uma quebra na união do grupo. A possibilidade de introdução de um terceiro grupo, ainda está em estudo, devendo se definir nas próximas semanas. É possível que a introdução de novas fêmeas adultas solteiras, traga um novo equilíbrio para a população de sauins de um modo geral.

Como projeto piloto, os resultados até agora estão proporcionando informações valiosas sobre como e o que é possível realizar na recuperação de indivíduos de sauins de coleira que foram retirados do seu habitat natural e que para o bem da espécie precisam retornar.


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